
O aiatolá Ali Khamenei (à esquerda) morreu em bombardeio que deixou o seu filho Mojtaba seriamente ferido — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com
Mojtaba Khamenei, figura central na sucessão de poder no Irã, escapou por pouco da morte em uma série de bombardeios a hospitais em Teerã, onde recebia tratamento para ferimentos graves. Os ataques, atribuídos a forças dos Estados Unidos e Israel, ocorreram em fevereiro e, posteriormente, contra as instalações médicas onde o herdeiro do aiatolá estava internado, levantando sérias questões sobre a estabilidade da liderança iraniana.
Em fevereiro, Mojtaba Khamenei foi hospitalizado às pressas na capital iraniana após ser atingido em ofensivas que vitimaram seu pai, o então líder supremo. Contudo, as hostilidades contra a família Khamenei persistiram. Um membro da Assembleia de Especialistas do Irã, Mohsen Heydari, revelou à televisão Al Araby, do Catar, que três hospitais foram alvos de bombardeios sucessivos enquanto Mojtaba estava em recuperação.
Heydari detalhou que Mojtaba Khamenei estava no terceiro hospital atingido e precisou ser retirado dos escombros. Relatos de inteligência indicam que ele sofreu lesões faciais severas. Após o resgate, o líder foi levado para um destino desconhecido e, desde então, não foi mais visto nem ouvido publicamente, alimentando uma onda de especulações sobre seu paradeiro e real condição de saúde.
Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei desapareceu dos olhos do público após os incidentes. Uma das informações que circularam, embora sem confirmação oficial, sugeria que ele teria sido transportado de avião para Moscou para uma cirurgia na perna, com a assistência pessoal do presidente russo Vladimir Putin. Essa ausência prolongada tem contribuído para a atmosfera de mistério em torno da liderança iraniana.
A falta de transparência sobre o estado de saúde e localização de uma figura de tamanha importância para a sucessão de um país como o Irã é um fator crítico. Em um regime teocrático, o Líder Supremo detém a autoridade máxima, influenciando todas as decisões políticas, militares e religiosas, o que torna qualquer incerteza sobre sua condição um ponto de preocupação para a estabilidade regional e global.
Mojtaba Khamenei foi, aparentemente, designado como o novo Líder Supremo do Irã em 8 de março, sem que ele próprio soubesse da decisão até o anúncio público na televisão estatal. Conforme Heydari, uma vez tomada a decisão, Mojtaba foi compelido a aceitar o cargo por obrigações “legais e religiosas”, destacando a natureza da governança iraniana.
A transição de poder foi marcada por desconfiança até mesmo entre as mais altas esferas. Em agosto, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressou receios de ter sido enganado após um suposto encontro com o novo Líder Supremo. A reunião, que ocorreu em um carro escuro em um local secreto de Teerã, impediu Pezeshkian de verificar a identidade de seu interlocutor devido à escuridão, levantando dúvidas sobre a legitimidade do encontro.
Em meio a persistentes rumores sobre a deterioração de sua saúde e a alegação de que ele seria um “fantoche” do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o regime iraniano divulgou um vídeo raro. As imagens mostram Mojtaba Khamenei em aparente bom estado de saúde, participando de uma conversa em grupo. A agência de notícias Mehr exibiu o vídeo, mas sem fornecer qualquer contexto sobre a data ou local da gravação.
Autoridades iranianas têm consistentemente refutado as especulações sobre a saúde de Mojtaba, bem como as acusações de que seu governo seria controlado pela Guarda Revolucionária. A divulgação do vídeo parece ser uma tentativa de estabilizar a percepção pública e interna sobre a liderança, mas a persistência dos rumores e a falta de aparições mais substanciais continuam a gerar questionamentos.