
Solehah Yaacob era professora da Universidade Islâmica Internacional da Malásia — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com
Uma instrutora universitária na Malásia foi desligada de suas funções após a disseminação de teorias históricas consideradas sem fundamento científico. Solehah Yaacob, que lecionava linguística árabe na Universidade Islâmica Internacional da Malásia (IIUM), teve seu contrato rescindido no final de abril. A decisão da instituição veio à tona em meio a alegações de que a acadêmica promovia ideias como a de que antigos malaios teriam ensinado “kung fu voador” aos chineses e técnicas de construção naval aos romanos.
As afirmações da docente geraram ampla repercussão, provocando discussões e até mesmo piadas nas redes sociais. Ela chegou a ser apelidada de “Professora Sambal Belcan”, uma alusão a uma pasta de camarão local, enquanto tentava apresentar suas concepções como fatos históricos irrefutáveis. A singularidade das teses, que carecem de comprovação historiográfica, levantou questionamentos sobre o rigor acadêmico dentro da sala de aula.
Diante da controvérsia, a universidade agiu prontamente, confirmando o afastamento da professora. Em comunicado oficial, a IIUM ressaltou seu compromisso com a liberdade acadêmica, mas enfatizou que tal prerrogativa deve ser exercida com “responsabilidade e fundamentada no rigor científico”. Por sua vez, Solehah Yaacob nega qualquer irregularidade em suas práticas e anunciou que pretende contestar a demissão judicialmente, recusando inclusive uma oferta de indenização equivalente a seis meses de salário. Ela continua a defender suas ideias nas plataformas digitais, citando “fontes árabes clássicas” como base para suas hipóteses.
As teorias da ex-professora foram veementemente refutadas por diversos especialistas. O historiador Wan Ramli Wan Daud declarou publicamente que não há qualquer evidência que corrobore as afirmações de Solehah, tratando quaisquer semelhanças técnicas entre as civilizações como meras coincidências. O comentarista político James Chin classificou o trabalho da acadêmica como “pura pseudociência”, alertando ainda que ela frequentemente rotulava críticos de suas ideias como “antimalaios” ou “instrumentos de apagamento colonial”, o que tensionava o debate acadêmico e público.
Um episódio que minou significativamente a credibilidade da professora veio à tona nas redes sociais, onde usuários descobriram que, em um artigo acadêmico de 2018, Solehah havia citado “The Onion” – um conhecido site norte-americano de notícias satíricas e fictícias – como fonte de autoridade. Após a descoberta viralizar, a referência ao site de humor foi discretamente removida do texto original. Este incidente é um alerta sobre a importância da verificação de fontes e o compromisso com a autenticidade na pesquisa acadêmica, reforçando a necessidade de rigor científico que a universidade buscou preservar ao tomar sua decisão.