
Christian Evans — Foto: Reprodução/Delaware County Sheriff's Office Crédito: Extra.globo.com
Uma médica psiquiatra de 55 anos foi tragicamente assassinada em sua residência no condado de Delaware, Ohio, nos Estados Unidos, em um crime que chocou a comunidade. A investigação policial revelou que o plano para o homicídio de Tamela Dutcher, ocorrido em 14 de agosto, foi meticulosamente arquitetado pela própria filha da vítima, Bryanna, de 18 anos, e executado por seu namorado e um amigo. Um detalhe perturbador que emergiu da apuração é que a arma utilizada no crime pertencia ao marido da doutora, Neil King.
A polícia confirmou que a pistola calibre .380 usada pelos criminosos era de posse de Neil King, o pai legal de Bryanna. Ele cooperou integralmente com as autoridades, fornecendo um inventário completo de suas armas, o que permitiu aos peritos identificar a procedência do armamento. A trama macabra se desenrolou após uma discussão doméstica entre Bryanna e sua mãe sobre tarefas de casa que não haviam sido cumpridas.
De acordo com os investigadores, a adolescente Bryanna elaborou o plano de assassinato com seu namorado, Christian Evans, de 20 anos, e o amigo dele, Dajameous Payne, de 21. A ideia surgiu após a briga familiar, quando Bryanna enviou uma mensagem a Christian. O namorado, então, sugeriu friamente o crime: “Se eu fosse você, teria matado ela”, escreveu Christian em resposta à queixa da jovem.
O pano de fundo para a decisão extrema de Bryanna envolvia um relacionamento amoroso mantido em segredo. A jovem namorava Christian sem o conhecimento de seus pais, que ela descrevia como “muito racistas”. O temor de ser expulsa de casa, caso seus pais descobrissem o relacionamento inter-racial, teria sido um fator crucial para a escalada de sua frustração e a aceitação da ideia do assassinato, conforme depoimento obtido pela imprensa local.
Este contexto de “amor proibido” adiciona uma camada de complexidade ao caso, transformando uma briga trivial sobre afazeres domésticos em um catalisador para uma decisão brutal e premeditada. A percepção de intolerância dos pais, real ou imaginada, alimentou um desespero que levou a filha a considerar a eliminação da própria mãe como uma solução para seus conflitos pessoais e relacionais.
Na noite do assassinato, Bryanna forneceu informações cruciais para a dupla de criminosos. Christian e Dajameous aguardaram do lado de fora da residência por cerca de 15 minutos até que a adolescente confirmasse a localização de seus pais. “OK, ela está na sala e ele no porão; quando você chegar aqui, me avise”, enviou Bryanna, franqueando o acesso à casa.
Christian respondeu indicando que estavam se preparando, colocando luvas, e que iriam “eliminar os dois ao mesmo tempo”. Tamela Dutcher foi alvo de um único disparo no rosto, que a matou instantaneamente. Neil King, embora também tenha sido alvejado, conseguiu escapar sem ferimentos graves dos invasores.
Após o crime, Bryanna tentou despistar a polícia, alegando não ter visto os agressores e chegando a acusar uma amiga de sua mãe, que supostamente devia dinheiro a Tamela. No entanto, as autoridades rapidamente desvendaram a farsa. “Acredita-se que Bryanna mentiu repetidamente às autoridades sobre o que sabia a respeito das circunstâncias do incidente, o que atrasou a identificação de pistas e suspeitos”, detalhou a polícia em seu documento oficial.
Durante a primeira audiência do caso, Neil King, o pai de Bryanna e marido da vítima, manteve-se em silêncio e visivelmente abalado no tribunal. Ele evitou qualquer contato visual com a filha acusada, não se manifestando publicamente sobre o assassinato de Tamela. O caso segue em investigação, com Bryanna, Christian e Dajameous enfrentando acusações relacionadas ao homicídio.