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As linhas de montagem do aguardado iPhone Duo na fábrica da Foxconn em Shenzhen, China, estão operando com uma taxa de aprovação de pouco mais de 60% na fase final. Este desempenho abaixo do esperado na manufatura eleva significativamente a possibilidade de escassez no mercado e atrasos na distribuição mundial do primeiro smartphone dobrável da Apple.
Cerca de 40% dos dispositivos produzidos têm sido reprovados em testes de qualidade, apresentando falhas técnicas durante as verificações industriais. Essa situação gera pressão por parte dos fornecedores para que a Apple acelere os processos de validação antes que os produtos sejam despachados para os canais de distribuição. Uma voz do setor fabril indicou que a cadeia de produção aguarda uma deliberação da gigante de tecnologia sobre a flexibilização de seus rigorosos padrões de qualidade, sugerindo que somente com essa mudança o volume de fabricação em larga escala poderá ser intensificado.
Para alcançar uma eficiência de produção considerada robusta sob os atuais e exigentes critérios de qualidade estabelecidos pela equipe de John Ternus, diretor executivo da Apple, a linha de montagem da Foxconn poderia demandar de seis meses a um ano de aprimoramento. As equipes técnicas estão constantemente ajustando equipamentos, configurações e metodologias de montagem na busca por otimizar o fluxo de fabricação. Além disso, uma das empresas parceiras de montagem fez um apelo à liderança da Apple para que defina se irá conceder uma maior margem de tolerância técnica, visando aumentar o volume de unidades entregues, ou se manterá o nível de rigor atual, o que inevitavelmente resultaria em um maior descarte de componentes com falhas e na elevação dos custos operacionais.
Os times de engenharia da Foxconn estão empenhados em refinar a automação para minimizar as perdas de material sem comprometer a qualidade final do produto. A adesão a esses padrões estritos, aliada à instabilidade do maquinário, tem gerado um volume excessivo de peças rejeitadas nas estações de inspeção. Esse cenário retarda significativamente o ritmo de produção, colocando em xeque as metas ambiciosas estabelecidas para a segunda metade de 2026.
Os obstáculos técnicos na fabricação do iPhone Duo não se restringem apenas à etapa final de montagem na unidade fabril chinesa. Os painéis flexíveis OLED, fornecidos pela Samsung Display, e a complexa arquitetura mecânica da dobradiça, também enfrentaram contratempos, incluindo entregas tardias, baixas taxas de aproveitamento e diversas revisões de engenharia. A dobradiça, peça central do dispositivo, é composta por mais de uma centena de elementos articulados e teve sua cobertura externa desenvolvida por impressão 3D, uma solução adotada após os engenheiros avaliarem e substituírem protótipos em metal líquido para cumprir as especificações de espessura e robustez do chassi dobrável.
A instabilidade na chegada desses componentes essenciais, como as telas e as articulações, tem reduzido o tempo hábil para os colaboradores da Foxconn calibrarem o ritmo das linhas de montagem. A ausência de um fluxo constante de peças validadas impede que a fábrica opere em sua capacidade máxima projetada, impactando diretamente o volume de produção.
A introdução do iPhone Duo marca a aguardada incursão da Apple no segmento de smartphones com telas flexíveis, um nicho de mercado dominado globalmente pela série Galaxy Z Fold da Samsung desde 2019. Curiosamente, a Samsung Display desempenha uma função dual nesse cenário tecnológico: além de ser uma rival direta no varejo de dispositivos, a empresa sul-coreana também atua como a única fornecedora dos painéis dobráveis para o novo smartphone da Apple. Este arranjo comercial, com duração de três anos, estipula um custo estimado de US$ 250 por cada display interno entregue.
No que tange ao volume de produção, o plano da Apple para o ano de 2026 prevê uma distribuição global de 6 a 8 milhões de unidades do iPhone Duo. Essa projeção contrasta drasticamente com a escala de fabricação dos modelos tradicionais de ponta da empresa, como as linhas iPhone Pro e Pro Max, que tipicamente alcançam entre 20 e 30 milhões de unidades ao longo de seus respectivos períodos de comercialização. Essa diferença ressalta a cautela da Apple diante da complexidade e dos desafios inerentes a uma nova categoria de produto.
A Apple, por política, não costuma divulgar dados sobre o rendimento operacional de suas parceiras de fabricação e, até o momento, não confirmou publicamente se irá ajustar seus critérios de qualidade para acelerar a produção dos lotes. A expectativa é que as primeiras unidades comerciais do iPhone Duo comecem a ser despachadas a partir de 23 de outubro de 2026.