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Petrobras destina R$ 12 bilhões à construção de 42 embarcações e cria 5 mil empregos em SC

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Um substancial aporte financeiro de R$ 12 bilhões, proveniente da Petrobras, está impulsionando a indústria naval nos municípios de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina, com a previsão de gerar mais de cinco mil novas oportunidades de emprego. Este investimento é direcionado à fabricação de 42 embarcações que comporão a frota da estatal, marcando um período de significativa expansão e renovação para o setor marítimo na região. A iniciativa reflete uma estratégia robusta da companhia para fortalecer a capacidade produtiva nacional e garantir a autossuficiência em operações essenciais.

O anúncio oficial foi realizado em 26 de janeiro, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estaleiro Detroit, localizado em Itajaí, um dos polos dessa nova fase de desenvolvimento. As embarcações fazem parte do abrangente Programa Mar Aberto, uma estratégia da Petrobras e da Transpetro focada na modernização e ampliação da frota de apoio marítimo. Este programa sublinha a importância estratégica da indústria naval brasileira para as operações de exploração e produção de petróleo e gás, bem como para a logística de transporte de derivados.

A região do Litoral Norte catarinense já se destaca com 16 embarcações em estágio avançado de construção, evidenciando a capacidade técnica e operacional dos estaleiros locais. Esses projetos iniciais já absorvem uma força de trabalho de mais de dois mil profissionais, demonstrando o impacto imediato dos investimentos na economia local. A expectativa é que, com as novas encomendas, esse número cresça exponencialmente, consolidando a região como um centro de excelência na construção naval.

Expansão da capacidade naval e geração de postos de trabalho

A concretização do Programa Mar Aberto representa um marco para a indústria naval catarinense, com a previsão de construção de 42 novas embarcações que diversificam as operações da Petrobras e da Transpetro. Em Itajaí, o Estaleiro Detroit está encarregado da produção de seis navios do tipo PSV (Platform Supply Vessel), essenciais para o suprimento de plataformas, e quatro embarcações OSRV (Oil Spill Recovery Vessel), dedicadas à recuperação de derramamentos de óleo. Paralelamente, em Navegantes, o Estaleiro Navship contribui com a construção de outros seis navios PSV, fortalecendo a cadeia produtiva local.

Além desses projetos em andamento, o plano de investimentos contempla a construção de oito embarcações de suporte à engenharia submarina (RSV) em estaleiros de Navegantes, que serão fundamentais para as complexas operações subaquáticas da Petrobras. Para a Transpetro, a renovação da frota incluirá 18 empurradores, embarcações vitais para a navegação interior e transporte de cargas. A estatal enfatiza que essas novas encomendas assegurarão a continuidade das atividades e a geração de empregos na indústria naval de Santa Catarina por vários anos.

Inovação e sustentabilidade na frota em construção

Entre as embarcações que se encontram em fase mais avançada de construção, destaca-se a Starnav Elektra, desenvolvida no Estaleiro Detroit, em Itajaí, com previsão de entrega para o mês de julho. Este navio incorpora tecnologias de ponta destinadas a mitigar as emissões de poluentes, um passo significativo em direção à sustentabilidade nas operações marítimas. A embarcação é equipada com um sistema de geração e distribuição de energia que inclui um banco de baterias, permitindo uma gestão energética mais eficiente e a redução do consumo de combustíveis fósseis.

O projeto da Starnav Elektra também prevê o monitoramento detalhado do consumo de energia por meio de telemetria, otimizando a performance e a eficiência operacional. Além disso, o navio foi concebido com a flexibilidade para uma futura operação parcial com combustíveis renováveis, alinhando-se às crescentes demandas por soluções energéticas mais limpas no setor marítimo. Essa abordagem inovadora demonstra o compromisso da Petrobras com a modernização da frota e a adoção de práticas ambientalmente responsáveis.

Fortalecimento da indústria nacional e autonomia operacional

Durante sua visita ao estaleiro, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou a relevância desses investimentos para a indústria naval brasileira. Ela enfatizou que tais aportes não apenas reforçam a capacidade produtiva do país, mas também contribuem para a ampliação da fabricação nacional de embarcações dedicadas ao setor de petróleo e gás. A estratégia visa consolidar a autonomia do Brasil na construção e operação de sua própria frota, reduzindo a dependência de mão de obra e equipamentos estrangeiros.

Chambriard destacou que a entrega antecipada em dois anos de alguns desses projetos é uma prova da pujança e da eficiência da indústria naval brasileira. Ela sublinhou que a Petrobras possui uma das maiores frotas de apoio marítimo do mundo, essencial para o transporte de petróleo e seus derivados, e que é imperativo que o país opere e construa suas próprias embarcações. Essa visão estratégica visa garantir não apenas a segurança operacional, mas também a geração de valor e empregos dentro do território nacional, promovendo o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

O Programa Mar Aberto em escala nacional

O Programa Mar Aberto da Petrobras não se restringe apenas a Santa Catarina, mas abrange um plano de investimentos de aproximadamente R$ 32 bilhões em todo o país até o ano de 2032. Este ambicioso projeto prevê a construção de um total de 96 embarcações, evidenciando o compromisso da estatal com a renovação e a expansão de sua infraestrutura marítima em diversas regiões do Brasil. A iniciativa busca fortalecer a cadeia produtiva naval em nível nacional, gerando um impacto positivo em múltiplos estados e municípios.

O pacote inclui a fabricação de 40 navios de apoio essenciais para as atividades de exploração e produção de petróleo da Petrobras, garantindo a logística e a segurança das operações em alto-mar. Além disso, o programa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, que serão utilizados para o transporte de cargas ao longo da costa brasileira, e 18 barcaças, que desempenharão um papel crucial na movimentação de produtos em hidrovias. A frota da Transpetro será renovada com a adição de 18 empurradores, otimizando o transporte fluvial e costeiro.

Impacto econômico e perspectivas futuras

A injeção de recursos e a demanda por novas embarcações representam um impulso significativo para a economia local de Itajaí e Navegantes, estendendo seus benefícios para além dos estaleiros. O aumento da atividade naval estimula toda uma cadeia de suprimentos e serviços, desde fornecedores de matéria-prima e componentes até empresas de logística, manutenção e serviços de apoio. Isso resulta na criação de empregos indiretos e induzidos, fortalecendo o comércio e as finanças da região.

A longo prazo, o Programa Mar Aberto e os investimentos em Santa Catarina têm o potencial de consolidar o Brasil como um player relevante na indústria naval global, especialmente no segmento de embarcações de apoio offshore. A modernização da frota e a incorporação de tecnologias sustentáveis não apenas aumentam a eficiência operacional, mas também posicionam a Petrobras na vanguarda das práticas ambientais. Este cenário cria uma perspectiva de crescimento contínuo e inovação para o setor, atraindo novos talentos e investimentos.

Compromisso com o desenvolvimento regional

A escolha de Santa Catarina como um dos principais polos para a execução desses projetos reforça o papel estratégico do estado no cenário da indústria naval brasileira. A expertise e a infraestrutura existentes em Itajaí e Navegantes foram fatores determinantes para a alocação desses investimentos, que prometem transformar a dinâmica econômica local. A parceria entre a Petrobras, o governo federal e os estaleiros regionais demonstra um compromisso mútuo com o desenvolvimento econômico e social, gerando oportunidades para milhares de famílias.

A presença de estaleiros com capacidade comprovada para construir embarcações complexas, como os PSVs, OSRVs e RSVs, é um indicativo da maturidade tecnológica e da mão de obra qualificada disponível na região. Este ciclo de investimentos não só garante a produção de embarcações de alta tecnologia, mas também estimula a formação e capacitação profissional, criando um legado duradouro para o mercado de trabalho catarinense. O foco na construção nacional de embarcações estratégicas para o setor de petróleo e gás é um passo fundamental para a soberania energética do país.