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Patologista forense aponta evidências de luta corporal na morte de Jeffrey Epstein, contrariando versão oficial

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As circunstâncias que rodearam a morte do financista Jeffrey Epstein, ocorrida na prisão, mostram mais indícios de uma possível luta corporal do que de um suicídio, segundo a avaliação de um respeitado patologista forense. A conclusão foi divulgada após uma análise detalhada dos arquivos da autópsia do magnata, que estava detido por acusações de tráfico sexual de menores.

Nova Análise Desafia Relatórios Anteriores

Michael Freeman, integrante do renomado Royal College of Pathologists de Londres, na Inglaterra, está preparando um relatório independente sobre o falecimento de Epstein. Ele teve acesso à íntegra do dossiê do médico legista, entregue pelo próprio irmão do financista, Mark Epstein. O estudo completo será apresentado em novembro, mas Freeman já adiantou que a classificação oficial de suicídio é “problemática”.

Jeffrey Epstein — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com

O especialista apontou “provas” como marcas de unhas no corpo de Epstein, que sugerem uma tentativa de remoção da ligadura durante um possível confronto ou agressão. Para Freeman, muitos aspectos observados não se encaixam em um enforcamento suicida, mas são compatíveis com uma disputa física.

Lesões Incompatíveis com Suicídio

Em sua análise, Freeman destacou que Epstein apresentava lesões que não poderiam, de forma alguma, ter sido causadas por uma ligadura. Ele mencionou ferimentos no ombro esquerdo e na parte posterior do pescoço, além de lesões faciais que não eram resultado de manobras de reanimação. Essas observações levantam sérias dúvidas sobre a narrativa oficial.

O patologista afirmou ser o primeiro profissional com formação em patologia forense a examinar todas as evidências, incluindo a totalidade dos arquivos da autópsia, desde que a morte foi oficialmente considerada suicídio. Ele descreveu o caso de Epstein como “completamente singular nos registros de enforcamentos suicidas”.

Divergências com Conclusões Oficiais

Jeffrey Epstein foi encontrado inconsciente em sua cela no Metropolitan Correctional Center, em Manhattan, Nova York, em 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento. Um guarda relatou tê-lo encontrado enforcado, com uma tira de material alaranjado ao redor do pescoço, em uma posição quase sentada. A descrição da posição foi considerada “crível” por Freeman.

Apesar das novas evidências, o escritório do médico-chefe legista de Nova York classificou a morte como suicídio. Essa conclusão foi posteriormente reafirmada por uma revisão do Departamento de Justiça em 2023 e por investigações do FBI (polícia federal dos EUA). No entanto, Freeman questiona a falta de documentação visual crucial, como fotos de Epstein suspenso ou após ser retirado da posição.

O especialista concluiu que existem “inconsistências muito notáveis ​​e pontos para os quais não há explicação adequada sobre o que o médico legista constatou”, levantando questões sobre a profundidade e a abrangência das investigações anteriores.

O Legado Sombrio dos Crimes de Epstein

A morte de Epstein, envolta em mistério, ganhou ainda mais relevância dado o escopo de seus crimes. Ele era o centro de um sofisticado esquema de aliciamento e tráfico sexual de menores, operado em parceria com Ghislaine Maxwell. Sua vasta fortuna e conexões com a elite global permitiram a criação de uma rede que explorava jovens vulneráveis.

As vítimas eram abordadas com promessas de dinheiro ou oportunidades, que rapidamente escalavam para abusos sexuais em suas luxuosas propriedades em Manhattan, Palm Beach, um rancho no Novo México e sua ilha particular em Little St. James. Epstein utilizava acordos de confidencialidade, ameaças e equipes jurídicas agressivas para manter um ambiente de impunidade, o que torna qualquer dúvida sobre sua morte um ponto de grande interesse público e judicial.