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A Samsung Electronics informou na última quinta-feira (8) um lucro operacional preliminar de 107,4 trilhões de wons, aproximadamente US$ 80,2 bilhões, referente ao terceiro trimestre de 2026. O valor, projetado em Seul, Coreia do Sul, representa um avanço impressionante de 782,5% em comparação com os 12,17 trilhões de wons apurados no mesmo período do ano anterior, impulsionado pela expansão global da infraestrutura de inteligência artificial.
Este resultado marca um momento sem precedentes: é a primeira vez que uma companhia sul-coreana e, mais especificamente, uma empresa do setor de tecnologia global, supera a marca de 100 trilhões de wons em ganhos operacionais em um único trimestre. Segundo Neil Shah, vice-presidente de pesquisa da consultoria Counterpoint Research, os números robustos confirmam a solidez dos negócios da Samsung e pavimentam o caminho para entregas ainda mais significativas no próximo ano, especialmente com o avanço da tecnologia de memórias de alta largura de banda.
A receita consolidada da gigante tecnológica, abrangendo os meses de julho a setembro, atingiu a cifra de 195 trilhões de wons, indicando um crescimento anual de 126,6% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Tal performance garantiu uma margem operacional de 55,1%, superando os 52,2% registrados no trimestre anterior e consolidando o quarto período consecutivo de resultados recordes na contabilidade da empresa.
O expressivo salto financeiro da Samsung tem sua origem primordial na divisão de semicondutores. Este segmento se beneficiou da escassez de componentes, que elevou os preços de mercado dos chips DRAM e NAND convencionais em todo o mundo. Simultaneamente, a Samsung expandiu significativamente a distribuição de seus módulos de memória de alta largura de banda (HBM4), componentes essenciais para aceleradores gráficos e servidores dedicados ao treinamento e à operação de sistemas de inteligência artificial.
Apesar de um cenário de valorização cambial recente na Ásia, as estratégias comerciais da Samsung permitiram que seus ganhos se mantivessem acima da média do setor. Kim Sun-woo, analista da Meritz Securities, destacou que, mesmo diante de um ambiente de negócios desafiador provocado pela rápida apreciação do won sul-coreano, os lucros da corporação foram sustentados por uma política de precificação robusta que mais uma vez superou o desempenho médio da indústria.
Mesmo com a divulgação de lucros preliminares históricos, as ações da Samsung Electronics registraram queda na sessão da última quinta-feira, oscilando entre 1,8% e 2,4% na Bolsa de Seul. Esse movimento dos investidores reflete uma preocupação com a sustentabilidade e a duração do atual ciclo de escassez de memória, somada aos crescentes custos em outras frentes operacionais do conglomerado.
O aumento dos preços dos componentes internos impactou negativamente a rentabilidade dos segmentos voltados ao consumidor final, como a produção de smartphones e a linha branca de eletrodomésticos, que enfrentaram perdas operacionais estimadas ao longo do trimestre. Em uma análise do histórico corporativo global, a marca de 100 trilhões de wons trimestrais em lucro operacional havia sido superada apenas pela gigante petrolífera Saudi Aramco no segundo trimestre de 2022, com US$ 86,5 bilhões, um feito que até então nenhuma companhia de tecnologia dos Estados Unidos, como Apple ou Nvidia, havia alcançado.
A Samsung Electronics ainda não detalhou oficialmente a distribuição exata de suas receitas e lucros entre as divisões de semicondutores, dispositivos móveis e fundição. Essas informações permanecem confidenciais até a conclusão dos procedimentos contábeis regulares.
A apresentação integral das demonstrações financeiras auditadas do terceiro trimestre da Samsung Electronics está programada para o dia 29 de outubro de 2026, quando mais detalhes sobre o desempenho da empresa serão revelados ao mercado.