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A OpenAI, desenvolvedora do popular ChatGPT, está intensificando seus esforços em Nova York para levantar aproximadamente US$ 30 bilhões em uma nova rodada de financiamento. As discussões, divulgadas nesta segunda-feira (19), podem catapultar o valor de mercado da companhia para mais de US$ 1,4 trilhão e têm como objetivo primordial garantir o apoio de investidores estratégicos antes da aguardada oferta pública inicial (IPO) da sua concorrente direta, a Anthropic, prevista para meados de novembro de 2026.
O adiantamento desse cronograma reflete a acirrada competição entre as duas empresas líderes em inteligência artificial, que disputam a atenção e o capital dos mesmos grandes fundos de investimento globais. O conglomerado japonês SoftBank Group, a gestora MGX, sediada em Abu Dhabi, e diversos acionistas atuais da OpenAI já estão engajados nas tratativas para participar desta significativa captação. Na semana anterior a 19 de outubro de 2026, a OpenAI realizou encontros com fundos soberanos e fundos de investimento de longo prazo, de forma estratégica, no mesmo período em que a Anthropic promovia seu evento para investidores em São Francisco, na quarta-feira (14).
Para fundamentar a avaliação acima de US$ 1,4 trilhão junto aos potenciais financiadores, a OpenAI destacou seu recente desempenho comercial. A empresa informou ter alcançado a marca de US$ 50 bilhões em receita anualizada, uma projeção do faturamento de 12 meses baseada no ritmo atual, impulsionada pelo lançamento de seu novo modelo de inteligência artificial, o GPT-6 Astra. A estimativa interna apresentada aos fundos aponta que esse faturamento anualizado pode atingir US$ 70 bilhões até o final de 2026.
A intensa disputa de mercado entre as gigantes da IA tem gerado um benefício direto para usuários e empresas que contratam a tecnologia: a redução dos custos dos serviços. A OpenAI implementou cortes nos preços cobrados pelo acesso aos seus modelos mais básicos, buscando estimular um maior volume de utilização, e comunicou aos investidores que dispõe de margem para reduzir ainda mais os custos operacionais de suas ferramentas de inteligência artificial.
A urgência em concluir a rodada de US$ 30 bilhões visa também evitar que a divulgação formal dos balanços financeiros do IPO da Anthropic provoque comparações diretas entre as operações das duas companhias. Esse cenário poderia aumentar a pressão sobre a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, por mais detalhes sobre margens de lucro e projeções. As duas rivais empregam critérios contábeis distintos para registrar as entradas de caixa: a OpenAI contabiliza sua receita em base líquida, descontando antecipadamente a fatia destinada a parceiros comerciais. Por outro lado, a empresa acusa a concorrente, liderada pelo cofundador e diretor-executivo Dario Amodei e com Krishna Rao como diretor financeiro, de inflar seus próprios resultados ao lançar o valor bruto integral de contratos vendidos por provedores de nuvem terceirizados, uma prática que a Anthropic nega, afirmando seguir as normas contábeis estabelecidas. A divergência nos métodos contábeis é um ponto crucial, pois pode distorcer a percepção da saúde financeira e da rentabilidade das empresas, dificultando análises comparativas para os investidores.
Analisando a dinâmica competitiva de um ponto de vista externo, o copresidente da área de mercados de capitais do escritório Willkie Farr & Gallagher, Edward Best, avaliou a movimentação estratégica. Em declaração traduzida livremente do inglês, ele sugeriu que a OpenAI pode querer “definir sua própria avaliação e não ter que se preocupar com uma comparação”. O especialista ainda acrescentou que, no que tange à abertura de capital, o mercado se configura como uma “corrida de dois cavalos”.
Pelo lado da Anthropic, os dados revelados ao mercado indicam que a receita trimestral ascendeu de US$ 4,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026 para US$ 11,6 bilhões no segundo trimestre, alcançando US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026 — um avanço trimestral de 45%. A empresa já havia registrado US$ 65 bilhões em receita anualizada em julho de 2026. Contudo, uma percepção de desaceleração no ritmo de crescimento mês a mês fez com que parte dos investidores passasse a defender uma avaliação de mercado próxima a US$ 1,5 trilhão para a estreia na bolsa, abaixo da meta inicial de US$ 2 trilhões.
A intensa busca por capital se insere em um contexto de diversas rodadas de financiamento bilionárias que marcaram o setor de tecnologia ao longo de 2026, refletindo o apetite dos investidores por empresas de ponta em inteligência artificial.
O reforço de caixa almejado pela OpenAI serve ainda para cobrir compromissos de infraestrutura de dados e proteger o balanço patrimonial da empresa, caso uma deterioração do mercado financeiro atrase seus planos para 2027. Desde setembro de 2026, o setor de tecnologia enfrenta forte volatilidade, ligada aos juros dos títulos públicos, às oscilações no preço do petróleo e ao escrutínio sobre o endividamento necessário para a construção de centros de dados. Esse movimento fez com que as empresas do Índice de Semicondutores da Filadélfia, um indicador que reúne as principais fabricantes de chips ligadas à demanda por inteligência artificial, perdessem US$ 1,6 trilhão em valor de mercado em menos de duas semanas. No centro dessa desconfiança está a provedora de computação em nuvem CoreWeave, cujas ações e títulos de dívida caíram na semana anterior a 19 de outubro, devido a preocupações com quase US$ 50 bilhões em empréstimos tomados para financiar sua expansão. Essa conjuntura também levou companhias como AirTrunk REIT (apoiada pela gestora Blackstone), Firmus (apoiada pela Nvidia), SB Energy (apoiada pelo SoftBank) e a empresa de serviços nucleares Holtec a adiarem ou cancelarem suas aberturas de capital nos Estados Unidos. Tal cenário de instabilidade macroeconômica e setorial evidencia a importância estratégica da captação de recursos da OpenAI para garantir sua resiliência e capacidade de investimento futuro.
Até o momento, os termos finais do contrato (documento conhecido no mercado financeiro como *term sheet*) da rodada de US$ 30 bilhões ainda não foram assinados nem oficializados. Procuradas para detalhar o andamento das conversas, OpenAI, SoftBank, Anthropic e MGX optaram por não comentar oficialmente as negociações.
O próximo passo confirmado na disputa por investidores ocorre na semana de 9 de novembro de 2026, quando está previsto o início do *roadshow* oficial da Anthropic – uma série de apresentações formais da diretoria a fundos de investimento antes da definição do preço das ações – para concretizar sua estreia no mercado.