Categories: Notícias

O caso Karen Greenlee: a aprendiz de embalsamadora que confessou 40 atos de necrofilia

Share

Em uma revelação estarrecedora que chocou a Califórnia no final dos anos 1970, Karen Greenlee, então com 23 anos e aprendiz de embalsamadora, admitiu ter se envolvido em atos sexuais com dezenas de cadáveres. Sua confissão veio à tona após um incidente inusitado: o roubo de um carro funerário contendo um corpo, que desencadeou uma perseguição policial e uma tentativa de suicídio.

A surpreendente revelação de um fetiche sombrio

A história perturbadora de Karen Greenlee ganhou notoriedade em dezembro de 1979. Após ser procurada pelas autoridades por furtar um veículo funerário que transportava o corpo de John L. Mercure em Sacramento, Califórnia, a jovem foi finalmente localizada. Em um momento de desespero, Greenlee tentou tirar a própria vida com uma overdose de drogas. Acreditando estar à beira da morte, ela redigiu uma carta detalhada, listando os nomes de 40 homens com quem havia praticado necrofilia. No documento, ela se autodenominou uma “rata de necrotérios” e expressou que o aroma da morte era “erótico” para ela.

Karen Greenlee confessou ser necrófila em série — Foto: Reprodução/Facebook Crédito: Extra.globo.com

Essa carta expôs desejos profundos e alterou permanentemente a percepção de todos que a conheciam. O caso a catapultou para a infame reputação de ser considerada a maior necrófila da história. Vale ressaltar que, entre os homens, o eletricista David Fuller, que admitiu ter violado mais de cem cadáveres em necrotérios de hospitais na Inglaterra, detém um “título” similar, mostrando a gravidade desses comportamentos em diferentes contextos.

Implicações legais e a lacuna da legislação na época

Naquele período, a necrofilia não era tipificada como crime na Califórnia. Essa lacuna legal significou que Karen Greenlee enfrentou apenas acusações relacionadas ao roubo do carro funerário e à perturbação de funeral. A pena resultante foi uma multa de 255 dólares (equivalente a cerca de US$ 1.172 ou R$ 6.110 em valores atuais) e uma breve reclusão de 11 dias. Essa situação sublinha como a legislação da época não estava preparada para lidar com a complexidade e a natureza chocante de tal comportamento, contrastando com a percepção social e psicológica da gravidade do ato.

Contudo, seus desafios legais não terminaram aí. Marian Gonzales, mãe de John L. Mercure, tentou processá-la em busca de uma indenização milionária, pleiteando US$ 1 milhão (o equivalente a US$ 4,6 milhões ou R$ 24 milhões hoje). Diante do tribunal, Greenlee confirmou que entrava nos caixões em seu local de trabalho para abusar sexualmente dos corpos, muitas vezes após consumir álcool em seu apartamento anexo ao necrotério.

A mente por trás da “necrofílica impenitente”

Oito anos após os eventos iniciais, em 1987, Karen Greenlee concedeu uma entrevista bombástica intitulada “A Necrofílica Impenitente”. Nela, detalhou abertamente as diversas formas pelas quais utilizava cadáveres masculinos para atingir o orgasmo. Suas declarações foram consideradas chocantes por muitos, especialmente sua visão sobre a sexualidade e a morte.

Greenlee explicou: “As pessoas têm a ideia equivocada de que é preciso haver penetração para a gratificação sexual, o que é uma grande besteira! A parte mais sensível da mulher é a região frontal, afinal, e é ela que precisa ser estimulada. Além disso, existem diferentes aspectos da expressão sexual: carícias, a posição 69, ou até mesmo dar as mãos. Aquele corpo está apenas ali, mas tem o que é preciso para me fazer feliz. O frio, a aura de morte, o cheiro de morte, o ambiente fúnebre… tudo isso contribui.” Ela acrescentou que o odor da morte era “muito erótico”, distinguindo entre diferentes tipos de corpos: “Um corpo que ficou boiando na baía por duas semanas ou uma vítima de queimaduras não me atrai muito, mas um cadáver recém-embalsamado é outra história.”

O que mais perturbou a opinião pública foi sua aparente falta de remorso e a intenção de não mudar seu comportamento. “Por um tempo, eu pensava: É, isso não é normal. Por que não posso ser como as outras pessoas? Passei por todo esse inferno pessoal, mas finalmente me aceitei e percebi que sou assim mesmo. Essa é a minha natureza, então é melhor eu aproveitar. Fico infeliz quando tento ser algo que não sou”, afirmou. Atualmente, seu paradeiro é desconhecido, mas presume-se que ela tenha alterado sua identidade e se mudado para recomeçar a vida após a repercussão da entrevista.

A necrofilia sob a ótica da saúde mental

Do ponto de vista da psicologia e da psiquiatria, a necrofilia é classificada como um transtorno parafílico raro e grave, caracterizado pela atração ou excitação sexual por cadáveres. As parafilias, em geral, são padrões de comportamento ou fantasias sexuais intensos e recorrentes focados em objetos, situações ou pessoas atípicas. A necrofilia, em particular, reflete uma ruptura profunda na organização da afetividade e do desejo humano, sendo frequentemente associada a um mecanismo de controle absoluto e à negação da alteridade, ou seja, a capacidade de reconhecer e respeitar o outro como um ser único. Na psicanálise, essa condição é entendida como uma perversão, indicando uma complexa disfunção psíquica.