
Resgate aos desaparecidos da tragédia em Nepal - X/PM_nepal_ Crédito: Mixvale.com.br
O governo do Nepal formalizou a aceitação de assistência da comunidade global para intensificar os esforços de busca e salvamento, após uma devastadora inundação repentina provocada pelo desprendimento de uma geleira na imponente cordilheira do Himalaia. A decisão marca uma reviravolta na postura inicial das autoridades, que haviam minimizado a necessidade de auxílio externo, evidenciando a crescente gravidade da situação enfrentada pelo país.
As operações de resgate, que foram brevemente suspensas devido a condições climáticas adversas, como chuvas intensas e névoa densa, foram retomadas com vigor em 29 de agosto de 2026, aproveitando uma janela de melhoria no tempo.
रसुवास्थित त्रिशूली ३ 'ए' जलविद्युत् आयोजनाको टनेलभित्र फसेका मानिसहरूको उद्धारका लागि सरकारले विगत दुई दिनदेखि प्रयास जारी राखेको छ। सोही क्रममा शनिबार बिहानैदेखि सुरुङको मुख खोल्ने कार्यलाई थप तीव्र पारिएको छ।
टनेलभित्र मानिसहरू फसेको गुनासो आएपछि सरकारले प्राथमिकताका साथ… pic.twitter.com/TAzKf6vPyI
— PMO (@PM_nepal_) August 29, 2026
A mudança de posicionamento das autoridades nepalesas ocorreu poucas horas após uma declaração emitida em 28 de agosto de 2026 pelo Ministério das Relações Exteriores, que indicava que o país não precisava de equipes internacionais para as atividades gerais de resgate. Na ocasião, o ministro Shisir Khanal havia especificado que a demanda se restringia a suporte técnico altamente especializado, como em resgates de túneis, identificação forense de vítimas e exames de DNA.
Contudo, a rápida evolução da catástrofe forçou o governo a reconsiderar. Equipes especializadas da Índia já estão ativamente envolvidas nas buscas, e a chegada de um contingente da China é aguardada. Essa rápida aceitação de apoio integral sublinha a escala sem precedentes do desastre, que rapidamente superou a capacidade e os recursos locais inicialmente previstos.
Um balanço recente aponta que cerca de 3 mil pessoas permanecem com paradeiro desconhecido na região fronteiriça entre o Nepal e a China. Desse total alarmante, 2.426 indivíduos foram registrados como desaparecidos no Nepal e outros 554 no Tibete chinês. A lista de desaparecidos abrange uma diversidade de pessoas, incluindo moradores locais, turistas, peregrinos e trabalhadores de usinas hidrelétricas, sendo pelo menos 540 deles estrangeiros.
Em relação às perdas fatais, o levantamento mais atualizado, divulgado em 29 de agosto de 2026, contabiliza 669 mortes no Nepal e sete no Tibete chinês, elevando o número total de vítimas fatais para 676. As autoridades alertam que este número tende a aumentar consideravelmente à medida que as equipes de salvamento conseguem acessar áreas ainda isoladas.
As ações de socorro concentram-se atualmente na localização e retirada de sobreviventes que estão isolados e no acesso a um túnel de uma usina hidrelétrica, onde estima-se que cerca de 100 pessoas estejam presas. A complexidade do cenário de destruição torna cada operação um desafio monumental.
Um dos aspectos mais delicados é a identificação das vítimas. Três dias após o início da tragédia, muitos dos corpos recuperados já se encontram em avançado estado de decomposição, impossibilitando a identificação visual. Diante disso, a administração do distrito de Chitwan informou que amostras de DNA serão coletadas antes de qualquer sepultamento, uma medida crucial para preservar a possibilidade de reconhecimento futuro e mitigar riscos sanitários. Em Katmandu, familiares desesperados buscam informações sobre seus entes queridos, examinando fotografias de vítimas expostas nos muros do Campus Médico de Maharajgunj, para onde alguns corpos foram encaminhados.
O desastre teve início em 26 de agosto de 2026, quando o colapso de uma geleira desencadeou uma avalanche de gelo, rochas, lama e detritos, que varreu vilarejos, pontes, estradas, escolas, hospitais e usinas hidrelétricas ao longo da fronteira entre Nepal e China. A magnitude da destruição é imensa e os custos da recuperação são estimados em cifras astronômicas.
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, projeta que a reconstrução demandará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões. Além de recursos financeiros, o governo solicitou apoio técnico para restabelecer a infraestrutura, expandir a capacidade de armazenamento de corpos e auxiliar em todas as etapas de identificação das vítimas.
Mesmo com as operações em andamento, o perigo de novas inundações persiste. Dois lagos formados após o colapso da geleira estão sob vigilância contínua das autoridades do Nepal e da China. Embora um deles tenha começado a escoar lentamente em 29 de agosto de 2026, diminuindo o risco imediato de transbordamento, especialistas alertam que a ameaça só será completamente mitigada quando ambos os lagos estiverem totalmente vazios.
A comunidade internacional tem respondido prontamente. A Índia, por exemplo, enviou cerca de 60 toneladas de suprimentos emergenciais, que incluem alimentos, medicamentos e cobertores, além de equipes técnicas e pontes pré-fabricadas para auxiliar na recuperação da infraestrutura. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho estima que aproximadamente 93 mil pessoas foram diretamente afetadas por essa calamidade sem precedentes.