
Influencer americana Sam Jones provoca revolta ao tirar bebê vombate da mãe para tirar foto à beira de estrada na Austrália — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com
Uma influenciadora digital que gerou grande indignação global no ano passado por um vídeo envolvendo um filhote de vombate foi agora condenada em um caso de caça sem licença nos Estados Unidos. Samantha Strable, de 26 anos, conhecida na internet como Sam Jones, enfrentou a justiça no estado de Wyoming por infrações relacionadas à caça.
A corte do Condado de Sublette sentenciou Strable a 12 meses de liberdade condicional na última quinta-feira (27/8), após ela não contestar uma acusação de caçar sem a companhia de um guia autorizado. A audiência foi realizada por videoconferência, conforme divulgado pela imprensa local. Além da liberdade condicional, a influenciadora recebeu uma pena de 180 dias de prisão, que foi suspensa pelo tribunal, e deverá pagar uma multa no valor de US$ 575,40 (equivalente a cerca de R$ 2.970).
Como parte de um acordo judicial, a promotoria retirou sete outras acusações que pesavam contra ela. Entre as acusações retiradas estavam a captura de um animal sem a devida licença ou durante o período de proteção da fauna, que visa salvaguardar a reprodução de espécies, além de diversas acusações de fraude e falso testemunho. Essas medidas são cruciais para a conservação da vida selvagem e para garantir que a atividade de caça seja realizada de forma sustentável e ética.
Durante o processo, Nate Jeppsen, advogado da influenciadora, argumentou que sua cliente não tinha a intenção de violar as leis de caça de Wyoming deliberadamente. Contudo, ele enfatizou que Samantha Strable deveria ter plena consciência de sua responsabilidade em cumprir as regulamentações estaduais sobre caça. Este ponto ressalta a importância de que todos os indivíduos, especialmente aqueles com grande visibilidade pública, estejam cientes e respeitem as leis de proteção ambiental e animal, independentemente da jurisdição.
As leis de caça e proteção da fauna são estabelecidas para manter o equilíbrio ecológico, prevenir a extinção de espécies e assegurar que os animais sejam tratados com dignidade. A violação dessas normas pode ter sérias consequências, não apenas para os indivíduos envolvidos, mas também para os ecossistemas locais.
A condenação atual ocorre após Samantha Strable ter se tornado alvo de intensa repercussão negativa por um vídeo viralizado no ano passado. Nas imagens, filmadas na Austrália, ela aparece retirando um filhote de vombate aterrorizado de sua mãe, que tentava persegui-la pela estrada. O homem que a filmava chegou a alertar: “Olhe para a mãe, está correndo atrás dela!”.
No vídeo, a influenciadora segurava o pequeno vombate, que se contorcia, diante da câmera, sorrindo e afirmando que era seu “sonho” segurar um bebê vombate. Somente quando a mãe do animal se aproximou, visivelmente aflita, Samantha disse: “Ok, a mamãe está bem ali, e ela está chateada, vamos deixá-lo ir”, e então o soltou. O episódio gerou uma onda de críticas e debate sobre a ética de interações de influenciadores com a vida selvagem.
O caso de Samantha Strable, com suas duas ocorrências distintas envolvendo animais selvagens em diferentes continentes, lança luz sobre a crescente preocupação com a forma como influenciadores digitais interagem com a natureza em busca de conteúdo e engajamento. A busca por “likes” e visualizações pode levar a comportamentos irresponsáveis que desrespeitam o bem-estar animal e violam leis de proteção.
A condenação em Wyoming e a ampla revolta gerada pelo incidente na Austrália servem como um alerta sobre as consequências legais e de reputação que podem advir de ações que exploram a vida selvagem para fins de entretenimento ou lucro nas redes sociais. A sociedade e as autoridades estão cada vez mais atentas a essas práticas, exigindo maior responsabilidade de personalidades da internet.