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Um pequeno avião monomotor colidiu e incendiou-se na área de manutenção do Metrô de Belo Horizonte, nas proximidades da Estação São Gabriel, na manhã desta sexta-feira (9). O único ocupante da aeronave, o piloto, foi encontrado sem vida e carbonizado no local do trágico incidente, que mobilizou equipes de resgate e causou grande impacto na região.
O alerta para o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi emitido por volta das 11h15, resultando no deslocamento inicial de seis viaturas para o local. Durante a aproximação para a queda, o aparelho aéreo atingiu a estrutura lateral do galpão de manutenção da concessionária, danificando a cobertura e a fiação elétrica interna, antes de finalmente cair sobre trilhos secundários dentro do complexo metroviário.
As chamas, intensas e visíveis, concentraram-se principalmente nas asas do monomotor, onde estão localizados os tanques de combustível. Para controlar o fogo e evitar que as labaredas se alastrassem para o interior da edificação, as equipes de combate a incêndio empregaram Líquido Gerador de Espuma (LGE), uma substância eficaz em ocorrências envolvendo combustíveis.
A segurança foi a prioridade máxima após o impacto. Cerca de 400 funcionários, entre administrativos e operacionais, que estavam nas instalações da concessionária, foram prontamente evacuados como medida de precaução. Felizmente, nenhum trabalhador em solo ou passageiro do sistema de transporte foi ferido, e nenhuma composição metroviária foi atingida. A circulação comercial dos trens pôde seguir normalmente, sem interrupções.
Roberto Fischer Machado, superintendente de operação e manutenção do Metrô BH, descreveu o momento do acidente. “Nós apenas ouvimos um forte estrondo da colisão do avião na lateral da estrutura, na cobertura. Imediatamente fomos verificar o que havia ocorrido e confirmamos que uma aeronave havia se chocado contra o prédio”, relatou Machado. Ele enfatizou a agilidade na resposta: “Nossa preocupação inicial foi com a segurança dos nossos colaboradores, por isso evacuamos o pessoal administrativo das nossas instalações”.
A Companhia de Energética de Minas Gerais (Cemig) confirmou que a rede externa de distribuição elétrica do bairro não sofreu avarias. Para assegurar as operações de combate ao fogo e resgate, os técnicos desligaram apenas o fornecimento de energia elétrica interna do pátio de manutenção.
A aeronave envolvida era um modelo Embraer EMB-711ST Corisco II Turbo, fabricado em 1988, com capacidade para até quatro ocupantes e prefixo PT-VHE. O avião pertencia à empresa baiana Bello Fruit Importação e Exportação Ltda., registrada como proprietária desde setembro de 2020. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) do aparelho havia sido renovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) horas antes da decolagem, com validade estabelecida até 9 de outubro de 2027. Esse detalhe será crucial para a investigação, pois indica que a aeronave estava, em tese, apta para voo, direcionando o foco das apurações para possíveis falhas mecânicas ou operacionais.
O voo tinha como ponto de partida o Aeroporto da Pampulha e Juatuba como destino planejado, com retorno programado para o terminal de origem em Belo Horizonte. A operação constava como categoria privada, sem autorização para serviço comercial ou táxi aéreo.
Colegas de profissão identificaram o piloto como Daniel de Teixeira de Freitas, mas a confirmação oficial da identidade da vítima fatal aguarda os laudos periciais da Polícia Civil e os exames do Instituto Médico Legal (IML). A apuração técnica sobre os fatores que levaram à perda de sustentação da aeronave e, consequentemente, à queda, está sob a responsabilidade dos peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão especializado em acidentes aéreos no Brasil.