O mercado global de monitores equipados com tecnologia OLED (Diodo Orgânico Emissor de Luz) está em franco crescimento, com projeções que indicam um volume de 6,1 milhões de painéis entregues até o final de 2026. Este dado, divulgado em Londres pela consultoria Omdia em 8 de outubro de 2026, representa um salto de 79% em comparação com o ano anterior, impulsionado por uma significativa redução de mais de 40% nos custos para o consumidor.
A tendência de expansão deve continuar, com o estudo estimando que os envios mundiais de telas atinjam a marca de 7,5 milhões de unidades em 2027. Essa aceleração é atribuída à entrada de novas marcas no segmento e à progressiva diminuição dos preços dos componentes no varejo, tornando a tecnologia mais acessível a um público maior.
As baixas nos valores cobrados no comércio já foram perceptíveis ao longo de 2026, especialmente em modelos desenvolvidos para o público gamer que possuem especificações intermediárias e avançadas. Essa realidade contrasta drasticamente com os valores iniciais praticados no lançamento desta categoria há alguns anos, quando os equipamentos chegavam a custar mais que o triplo das estimativas para o próximo ciclo de vendas. Essa democratização do acesso a tecnologias de ponta é um dos maiores benefícios para os usuários.
Crescimento de receita acompanha avanço de mercado
Acompanhando o aumento físico das remessas, o faturamento do setor também apresenta uma trajetória ascendente. Dados da Omdia, divulgados em setembro de 2026, revelam que a receita global gerada por painéis OLED para monitores cresceu 74% em 2025, totalizando aproximadamente US$ 2,8 bilhões. Para o encerramento de 2026, a previsão é alcançar US$ 3,6 bilhões, representando um crescimento anual de 30%.
Nova concorrência e inovações na produção
Historicamente dominado pelas gigantes sul-coreanas Samsung Display e LG Display, o fornecimento global de telas para monitores OLED ganhou um novo e importante player em 2026. A fabricante chinesa TCL China Star (TCL CSOT) iniciou no terceiro trimestre do ano a distribuição de painéis UHD (4K) de 27 polegadas com taxa de atualização de 120 Hz, produzidos em sua fábrica G5.5. Esses componentes foram destinados a um monitor da MSI voltado para criadores de conteúdo, marcando a entrada da empresa em um segmento disputado.
Tecnologia de impressão revoluciona fabricação de painéis
O grande diferencial da TCL China Star reside em seu método de produção inovador: a impressão a jato de tinta, conhecida como IJP OLED (Inkjet Printing OLED). Essa tecnologia aplica os materiais emissores de luz diretamente no substrato, eliminando a necessidade do processo tradicional de evaporação em câmara a vácuo. A empresa afirma que essa técnica permite um aproveitamento de até 90% dos insumos luminosos, o dobro dos sistemas convencionais, e pode reduzir os custos de fabricação em cerca de 20%. No entanto, ainda não há clareza sobre o quanto essa economia impactará o preço final ao consumidor.
Planos ambiciosos para o futuro da TCL China Star
A estratégia de expansão da companhia chinesa já tem um cronograma definido para o final da década. Segundo o relatório da Omdia, a nova fábrica de IJP OLED Gen 8.6 da TCL China Star tem previsão de iniciar suas operações em 2028. O objetivo é produzir painéis de maiores dimensões, incluindo tamanhos de 32 e 34 polegadas, e oferecer taxas de atualização impressionantes de até 700 Hz. A expectativa é que essa instalação posicione a TCL China Star como a primeira empresa a produzir em massa painéis de monitor IJP OLED em uma fábrica Gen 8.6, solidificando sua posição no mercado.
Localizada em Guangzhou, na China, a unidade Gen 8.6 (T8) focará em telas de alta velocidade. Contudo, os 700 Hz previstos para 2028 não representam o recorde absoluto de velocidade na indústria. A LG Display já fabrica um painel OLED de 24,5 polegadas com resolução 1080p e uma taxa de 720 Hz, componente presente no monitor ASUS ROG Swift OLED PG259QWS Ace. Além disso, o modelo ROG Swift PG27AQWP-W também alcança os mesmos 720 Hz quando operado em modo duplo de menor resolução, demonstrando a vanguarda tecnológica já existente.
Mercado de monitores OLED se expande para além dos jogos
A diversificação das linhas de produtos, que vai além do público de jogos eletrônicos, tem levado fabricantes consolidados e marcas emergentes, como HKC, KTC e Gigabyte, a ampliar seus portfólios corporativos e profissionais em 2026. Durante a feira CES, em janeiro, a Gigabyte apresentou quatro monitores gamer com a tecnologia OLED, incluindo os modelos 4K MO32U24 e o ultrawide MO34WQC36. Já a MSI exibiu suas telas QD-OLED (painéis que combinam diodos orgânicos com pontos quânticos) na linha profissional Pro Max durante a Computex, evidenciando a versatilidade da tecnologia.
Apesar do avanço e da crescente utilização em ambientes de trabalho e edição de conteúdo, o fenômeno do burn-in — a retenção permanente de imagens estáticas na tela após longos períodos de exibição de elementos fixos, como barras de tarefas — continua sendo um ponto de atenção técnica. Mesmo com as proteções e melhorias implementadas nas gerações atuais de monitores, o desgaste natural dos equipamentos ainda exige consideração para usuários que utilizam o dispositivo por longas horas com conteúdo estático.
A distribuição das aquisições de painéis em escala global em 2026 reflete a influência das principais montadoras no escoamento das 6,1 milhões de unidades projetadas, indicando a concentração de demanda em poucos players de destaque na indústria.
Em relação aos painéis de 32 e 34 polegadas que a TCL China Star planeja fabricar a partir de 2028, detalhes cruciais ainda não foram divulgados. As resoluções nativas exatas dos equipamentos permanecem sem confirmação, assim como a garantia técnica de que a taxa de atualização de até 700 Hz funcionará em sua resolução máxima nativa, ou se será atingida apenas por meio de um modo duplo com redução de resolução.
