Um novo capítulo na conectividade brasileira começa a ser escrito com o anúncio de uma colaboração estratégica entre as operadoras regionais Brisanet (BRST3), Unifique (FIQE3) e Iez! Telecom e a companhia norte-americana AST SpaceMobile. A aliança, formalizada nesta sexta-feira (23), visa implementar um serviço de banda larga móvel via satélite, entregue diretamente a aparelhos celulares no Brasil. A proposta é levar chamadas de voz, dados móveis e streaming de vídeo a locais sem infraestrutura terrestre, com os primeiros testes agendados para novembro de 2026.
A inovadora abordagem tecnológica, conhecida no setor como Direct-to-Device (D2D), estabelece uma conexão direta entre satélites em órbita e smartphones convencionais já em uso, eliminando a necessidade de antenas externas, acessórios adicionais, aplicativos específicos ou atualizações de software por parte dos usuários. José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet, destacou em comunicado ao mercado que “a união com a AST SpaceMobile expande nossa rede e nos permite oferecer acesso à voz e banda larga móvel em mais localidades, utilizando os aparelhos que os clientes já possuem; posicionando a Brisanet na vanguarda da conectividade futura”.
O cenário competitivo da conexão via satélite
O acordo, estabelecido em 23 de outubro de 2026, prevê que as três empresas brasileiras disponibilizarão suas radiofrequências secundárias para a operação espacial. Elas também se comprometerão com os investimentos necessários para erguer e manter a infraestrutura terrestre, que fará a ponte entre suas redes móveis e as estações de interconexão (gateways) da AST SpaceMobile. Fabiano Busnardo, diretor-presidente da Unifique, comentou que “após a fibra óptica e o 5G, o satélite representa a evolução natural. Esta parceria com a AST SpaceMobile complementa nossa cobertura e amplia o alcance da conectividade. A Unifique está investindo para assegurar sua presença no futuro das telecomunicações”.
A validação final dos termos comerciais dos contratos ainda está em processo de negociação entre as partes envolvidas. Sua concretização depende do cumprimento de determinadas condições prévias, incluindo a aprovação regulatória da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Os principais parâmetros técnicos e operacionais que nortearão o projeto com a AST SpaceMobile já foram definidos, delineando as bases para a implementação da tecnologia no país.
O caminho regulatório e a aquisição de frequências
As frequências designadas para a conexão espacial foram adquiridas pelas operadoras em maio de 2026, durante a Licitação nº 1/2026, promovida pela Anatel. Este certame relicitou, em blocos regionais, o espectro de 700 MHz que havia sido devolvido pela Winity, empresa que originalmente venceu essa faixa no leilão do 5G em 2021. Ao arrematarem esses lotes, as companhias assumiram compromissos regulatórios de levar cobertura móvel a municípios com população inferior a 30 mil habitantes, rodovias federais e regiões de difícil acesso, o que sublinha a importância social do projeto com a AST SpaceMobile.
Detalhes financeiros da licitação de espectro
A soma dos lances vitoriosos pelos cinco lotes regionais na licitação de maio de 2026 atingiu a cifra de aproximadamente R$ 23 milhões, distribuída da seguinte forma entre as operadoras:
- Brisanet: Lote D (CE/PB/PE/RN) – R$ 13.900.000
- Unifique: Lote C (PR/SC) – R$ 8.900.000
- Iez! Telecom: Lote B (SP) – R$ 100.000
Fundada em 2017 por Abel Avellan e com sede em Midland, nos Estados Unidos, a AST SpaceMobile é uma concorrente direta da Starlink no mercado de conexão satelital para celulares. Atualmente, a empresa norte-americana opera com 13 satélites em órbita, número que ainda não garante um sinal contínuo e sem interrupções em todo o território brasileiro. Além do acordo para utilização da faixa de 700 MHz das operadoras regionais, a companhia estrangeira possui no Brasil uma parcela do espectro na banda S (faixa de 2 GHz), que lhe confere permissão para operar de forma independente de redes terrestres.
Próximos passos e desafios da implementação
Até o momento, Brisanet, Unifique, Iez! Telecom e AST SpaceMobile não divulgaram informações sobre a data de lançamento comercial do serviço no país, os valores que serão cobrados nem se haverá taxas adicionais nos planos existentes dos clientes. Também não foram especificados os investimentos na infraestrutura de interconexão, tampouco a quantidade e as localidades que receberão os gateways terrestres. Para que os testes práticos possam ter início em novembro de 2026, as empresas aguardam a publicação oficial das autorizações da Anatel no Diário Oficial da União (DOU).
