
Uma operação criminosa de grande porte chocou a cidade de Santa Rita, no Paraguai, na madrugada da última terça-feira (16). Um grupo composto por cerca de vinte indivíduos, ostentando armamento pesado, executou um ataque simultâneo a três instituições bancárias e uma casa de câmbio. A ousadia da ação, que envolveu o uso de explosivos e táticas para dificultar a perseguição, levou as autoridades paraguaias a investigar a possível participação de cidadãos brasileiros, dada a proximidade com a fronteira e depoimentos de testemunhas.
A investida, iniciada por volta das 2h da manhã, demonstrou um alto grau de planejamento e coordenação. Os assaltantes não apenas usaram artefatos explosivos para arrombar as instalações do Banco Familiar e do Banco GNB, que ficam lado a lado na área central, mas também renderam funcionários e seguranças em uma agência do Banco Ueno. Quatro policiais em patrulha foram interceptados e subjugados no início do assalto, com um deles tendo sua arma pessoal e um fuzil da corporação subtraídos. Três outros conseguiram escapar e se refugiar, enfrentando os criminosos em um breve confronto armado na beira da rodovia.
Para garantir a fuga, os criminosos incendiaram dois veículos em pontos estratégicos das entradas da cidade e espalharam “miguelitos” – objetos pontiagudos usados para furar pneus – pelas vias. Essas táticas são frequentemente empregadas em grandes roubos na América do Sul para criar um cenário de caos e atrasar a resposta das forças de segurança, evidenciando a sofisticação da quadrilha.
Santa Rita, localizada a aproximadamente 70 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Paraná, é uma região de fronteira com forte presença de brasileiros e seus descendentes. Essa proximidade geográfica é um fator crucial nas investigações sobre o assalto. O chefe do Comando Tripartite, Carlos Alberto Dure Rios, revelou que depoimentos indicam que alguns membros do grupo falavam português durante a ação. “Esses indivíduos, tanto brasileiros quanto paraguaios, colaboram para executar tais crimes. Alguns residem no Paraguai”, explicou Dure Rios, destacando a natureza transnacional de tais operações criminosas que se aproveitam da permeabilidade da fronteira para planejar e executar grandes roubos.
A Polícia Nacional do Paraguai já identificou dois cidadãos paraguaios com possível envolvimento no incidente, mas até o momento, nenhuma prisão foi realizada. A investigação busca aprofundar a conexão com grupos criminosos que atuam na região trinacional.
O rastro de destruição deixado pelos assaltantes é visível nas agências bancárias, que tiveram suas estruturas severamente danificadas pelos explosivos. Além dos bancos, a Casa de Câmbio Santa Rita também foi invadida, onde um artefato explosivo não detonado foi encontrado pelas autoridades. Averiguações preliminares indicam que nenhum valor foi subtraído da casa de câmbio, nem da agência do Banco Ueno. Contudo, o montante exato levado dos outros bancos ainda está sendo calculado, mas as estimativas iniciais apontam para milhões de guaranis em prejuízo financeiro.
A imprensa paraguaia classifica este evento como o segundo maior assalto já registrado na história do país, evidenciando a escala e a audácia da investida, que superou em complexidade e impacto a maioria dos crimes financeiros anteriores.
Em resposta ao mega-assalto, a Polícia Nacional do Paraguai emitiu um alerta de busca e captura que se estende por diversas regiões do país, incluindo Alto Paraná, Caazapá, Caaguazú e Itapúa. Equipes especializadas de investigação, peritos criminais e representantes do Ministério Público estão ativamente envolvidos nas diligências, trabalhando para identificar, localizar e prender os responsáveis por esta audaciosa ação criminosa.