
Hamam al-Hammami — Foto: Reprodução/LinkedIn Crédito: Extra.globo.com
Uma mulher israelense, que há poucas semanas havia sofrido a perda de um filho em um brutal ataque terrorista, viu-se em meio a um novo pesadelo quando sua filha estava a bordo de um voo que, segundo investigações, quase foi derrubado pelo copiloto. O incidente ocorreu em uma aeronave da FlyDubai que partia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Tel Aviv, Israel, intensificando o trauma de uma família já profundamente abalada.
Yasmin Ochayon, residente de Jerusalém e mãe solo, expressou seu profundo abalo com a sequência de eventos traumáticos. “Ainda estou em choque, mas é um milagre ela estar viva”, declarou Yasmin, descrevendo um sentimento misto de desespero e alívio. A experiência de quase perder a filha em circunstâncias tão dramáticas, apenas dias após o luto por seu filho Eviatar, representou um fardo emocional quase insuportável.
A gravidade da situação foi amplificada pelo contexto recente. A família já estava em luto pela morte de Eviatar no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, um evento que chocou a nação. A possibilidade de uma nova tragédia tão iminente trouxe à tona o medo mais profundo de Yasmin, que aguardava a chegada da filha no Aeroporto Ben Gurion sem qualquer conhecimento do terror que se desenrolava a milhares de metros de altura.
Miryam Ochayon, de 24 anos, filha de Yasmin, estava em uma longa viagem ao redor do mundo, passando por países como Mongólia, Índia e Filipinas, quando decidiu retornar a Israel. O motivo de seu retorno era participar de uma cerimônia em memória de seu irmão, Eviatar, cujo falecimento havia deixado a família em luto.
Ela havia reservado o voo 1073 da FlyDubai, marcado para 30 de setembro, partindo de Dubai com destino a Tel Aviv. No entanto, o que deveria ser um retorno tranquilo transformou-se em uma experiência aterrorizante. Durante o trajeto, o copiloto omanense, Hamam al-Hammami, é acusado de ter atacado o comandante, Smit Machchhar, com um machado de emergência da cabine, em uma tentativa de derrubar a aeronave, que transportava majoritariamente passageiros israelenses.
O avião, em determinado momento, começou a despencar de forma descontrolada, mergulhando os passageiros em pânico. Miryam, em meio ao caos e com a câmera trêmula, filmou a si mesma enquanto repetia, em voz baixa, a frase “Vai ficar tudo bem, eu não vou morrer. Vou ver minha mãe”, em um testemunho angustiante do desespero a bordo.
Em meio à turbulência e ao terror generalizado, a coragem de alguns passageiros foi crucial para evitar o pior. Miryam relatou ter segurado as mãos das filhas pequenas de Tzvika Manes, um passageiro que se destacou ao ajudar a conter o copiloto agressor. A intervenção rápida de Tzvika e de outros tripulantes foi fundamental para salvar as 182 pessoas a bordo.
“Estávamos a 30 segundos de cair, e eu sabia que precisava continuar viva pela minha mãe”, recordou Miryam, descrevendo uma sensação de “sentir a morte no ar” enquanto rezava por seu irmão. Em um momento de profunda conexão espiritual, ela mentalizou: “Eu disse a Eviatar: ‘Não vou te encontrar lá em cima. Vou para casa ver minha mãe’. Se ela me perdesse, não conseguiria seguir em frente”.
O voo, que tinha como destino Tel Aviv, foi forçado a realizar um pouso de emergência em Tabuk, na Arábia Saudita. Após o pouso seguro, Miryam conseguiu ligar para sua mãe, Yasmin, que aguardava ansiosamente no aeroporto de Israel, completamente alheia aos acontecimentos no ar.
“Ela me disse que o avião estava prestes a cair, que eles estavam prestes a morrer”, relembrou Yasmin, com a voz embargada. A mãe israelense, ainda visivelmente abalada, ressaltou a impossibilidade de imaginar uma segunda perda tão devastadora. Levaria dias para que ela pudesse processar a dimensão da terrível experiência vivida por sua filha e o quase-reencontro com a tragédia.