
Crédito: Formula1.com
A recente vitória de Lewis Hamilton no Grande Prêmio da Catalunha, em Barcelona, não apenas solidificou sua posição como o piloto com a carreira de vitórias mais longeva na história da Fórmula 1, mas também sublinha a raridade de tal longevidade em um esporte tão exigente. Este feito, que estende seu próprio recorde, levanta a questão de quais outros competidores se aproximam da impressionante trajetória do heptacampeão, destacando a evolução e os desafios da categoria ao longo das décadas.
O triunfo de Hamilton no circuito espanhol marca mais um capítulo em sua notável jornada, agora em sua vigésima temporada na elite do automobilismo. Sua primeira conquista remonta à sua campanha de estreia, em 2007, demonstrando uma consistência sem precedentes que o mantém no topo por quase duas décadas, um testemunho de sua resiliência e adaptação contínua.
Nenhum outro nome no grid conseguiu replicar um período tão prolongado de sucesso. Mas, ao explorar os registros históricos, é possível identificar outros pilotos que também registraram intervalos notáveis entre suas primeiras e últimas vitórias, mostrando a persistência necessária para se manter relevante em diferentes eras da F1.
Riccardo Patrese, que por 15 anos deteve o recorde de maior número de largadas em Grandes Prêmios, naturalmente viu suas vitórias se estenderem por um período considerável. Sua trajetória foi peculiar, com um hiato de sete temporadas completas entre a segunda e a terceira de suas seis consagradas vitórias.
A primeira glória de Patrese ocorreu em Mônaco, em 1982, pilotando pela Brabham, em uma prova caótica onde múltiplos competidores, incluindo ele mesmo, enfrentaram problemas nas voltas finais. Seu último pódio vitorioso foi alcançado uma década depois, no Japão, a bordo de um Williams, selando um ciclo de sucesso prolongado.
A presença de Gerhard Berger nesta lista é acompanhada por uma curiosidade interessante: suas vitórias inicial e final coincidiram com as primeiras e últimas da equipe Benetton. O primeiro triunfo aconteceu na Cidade do México, em 1986, quando ele executou com maestria uma estratégia sem paradas, algo notável em uma época onde os pit stops ainda não eram obrigatórios.
Após passagens vitoriosas por Ferrari e McLaren, Berger retornou à Benetton em 1996. Em 1997, ele se ausentou de três Grandes Prêmios devido a problemas de saúde e ao falecimento de seu pai. Contudo, o austríaco protagonizou um último grande momento na Alemanha, conquistando a vitória partindo da pole position.
A primeira vitória de Jack Brabham ocorreu na etapa inaugural de 1959, em Mônaco, pilotando pela Cooper. Esse triunfo marcou o início de sua primeira das três temporadas que culminariam em títulos mundiais, demonstrando sua excelência desde o princípio.
Brabham estabeleceu sua equipe homônima em 1962 e, mesmo após conquistar seu derradeiro título em 1966, permaneceu entre os líderes. Sua última consagração veio na África do Sul, no início de 1970, antes de encerrar sua carreira como piloto ao final daquela temporada.
Sebastian Vettel conquistou de forma memorável sua primeira vitória, e também a primeira da Toro Rosso, em um fim de semana chuvoso na Itália, em 2008, convertendo a pole position em Monza em um triunfo espetacular.
Após sua sequência de campeonatos com a Red Bull, a busca por mais títulos na Ferrari se mostrou infrutífera, apesar de ter disputado as coroas em 2017 e 2018.
Vettel garantiu a vitória em Singapura – um circuito onde o alemão historicamente se destacava – em 2019, e esta acabou sendo sua última conquista antes de sua aposentadoria no final de 2022.
A primeira vitória de Nelson Piquet ocorreu em Long Beach, em 1980, pela Brabham, partindo de sua pole position inaugural.
Após conquistar três títulos mundiais, o sucesso se tornou mais difícil depois de sua mudança da Williams para a Lotus, embora uma transição para a Benetton tenha rendido mais três vitórias.
A última dessas vitórias foi no Canadá, em 1991, quando Piquet, de forma célebre, herdou a primeira posição após uma falha mecânica de seu antigo rival, Nigel Mansell, na última volta.
A primeira vitória de Niki Lauda foi em Jarama, em 1974, onde ele dominou a corrida para liderar uma dobradinha da Ferrari com seu companheiro de equipe Clay Regazzoni. Após três campeonatos mundiais, um acidente quase fatal e um período de afastamento da Fórmula 1, sua última vitória veio em 1985.
Esse triunfo final aconteceu na temporada que marcou a despedida de Lauda com a McLaren, quando ele conquistou a glória nas dunas holandesas de Zandvoort antes de se retirar definitivamente do esporte ao término daquele ano.
O primeiro êxito de Alain Prost foi pela Renault, em casa, no Grande Prêmio da França em Dijon, em 1981. Ele foi declarado vencedor de uma corrida interrompida, em um período onde a cronometragem agregada era aplicada para determinar os resultados.
Após um período de sucesso intenso com McLaren e Ferrari, Prost tirou um ano sabático em 1992, mas retornou para uma última temporada com a Williams, onde conquistou seu quarto e derradeiro título mundial.
A última de suas 51 vitórias foi na Alemanha, e ele se aposentou de vez ao final daquela mesma temporada.
A primeira vitória de Michael Schumacher foi celebrada na Bélgica, em 1992, apenas um ano após sua estreia em Grandes Prêmios no lendário circuito de Spa-Francorchamps.
Após o sucesso com a Benetton, a maior parte de suas conquistas foi alcançada pela Ferrari, com a última delas ocorrendo na 16ª etapa de 2006, na China.
Schumacher demonstrou competitividade nas duas corridas subsequentes, mas uma falha no motor no Japão e problemas com pneus no Brasil impediram uma despedida perfeita das pistas.
Um retorno à categoria com a Mercedes, entre 2010 e 2012, teve momentos de destaque, mas ele não conseguiu aumentar seu total de 91 vitórias.
Kimi Raikkonen triunfou pela primeira vez na Malásia em 2003 e, ao longo do restante da década, manteve-se entre os principais pilotos por McLaren e Ferrari, conquistando o título mundial com a equipe italiana em 2007.
Após um hiato de dois anos da F1, período em que se dedicou aos ralis, Raikkonen regressou à categoria com a Lotus-Renault em 2012, adicionando mais algumas vitórias ao seu currículo.
Um novo ciclo na Ferrari gerou grandes expectativas, mas os resultados foram modestos, e uma nova vitória parecia inatingível. Contudo, ele finalmente subiu novamente ao degrau mais alto do pódio em Austin, em 2018, antes de passar mais três anos competindo pela Sauber.
Lewis Hamilton já detinha o recorde de longevidade — impulsionado por suas vitórias na Grã-Bretanha e na Bélgica em 2024 — mas seu emotivo primeiro triunfo com a Ferrari no Grande Prêmio de Barcelona-Catalunha ampliou ainda mais sua sequência vitoriosa. Sua jornada no topo começou com a McLaren no Canadá, em 2007, marcando o início de uma era.
Ao longo desse período, foram disputados 381 Grandes Prêmios, dos quais Hamilton conquistou 106 vitórias: 21 pela McLaren, 84 pela Mercedes e, agora, uma pela Ferrari. Este desempenho demonstra não apenas sua habilidade excepcional, mas também a capacidade de adaptação e sucesso em diferentes equipes e regulamentos, um feito raro na história da Fórmula 1.