Categories: Notícias

Juiz indiano profere 23 penas de morte em 5 meses e desafia máfia: Prefiro morrer a ser covarde

Share

Um magistrado na Índia, Ravi Kumar Diwakar, da comarca de Muzaffarnagar, no estado de Uttar Pradesh, impôs na última segunda-feira a 23ª pena capital em um período de apenas cinco meses. A decisão mais recente condenou Mohd. Nadeem pelo assassinato brutal de sua esposa, Shahzadi, em um caso que chocou a comunidade e ressaltou a postura intransigente do juiz diante da criminalidade local.

O réu foi considerado culpado por um crime cometido em julho de 2018, quando ateou fogo ao corpo de Shahzadi após jogar querosene nela. A corte descreveu o ato como “extremamente brutal e bárbaro”, classificando-o entre os “mais raros”, o que fundamentou a aplicação da pena máxima.

Juiz Ravi Kumar Diwakar — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

Condenação baseada em depoimento crucial da vítima

Apesar de os pais da falecida e outras testemunhas terem alterado seus depoimentos no decorrer do processo, negando acusações de crueldade e exigência de dote, a Justiça fundamentou a condenação de Nadeem em uma declaração prestada pela própria Shahzadi antes de seu falecimento. Este documento foi essencial para comprovar a participação direta do acusado no homicídio.

Além da sentença, o juiz Diwakar utilizou este processo para expor a influência de grupos criminosos e da máfia dentro do sistema judiciário na região oeste de Uttar Pradesh. Ele denunciou que muitos casos criminais são deliberadamente atrasados ou arquivados sob a pressão direta de membros de gangues, comprometendo a justiça.

Magistrado revela ameaças e reforça compromisso com a justiça

Diwakar expressou sua profunda tristeza e preocupação com os recentes acontecimentos, justificando sua decisão de se manifestar publicamente sobre a insegurança que cerca sua função. Ele relatou ter recebido ameaças explícitas após o arquivamento de um caso, com criminosos sugerindo sua transferência para outro distrito caso continuasse a abordar o assunto ou a comentar os fatos.

Diante dessas pressões, o magistrado reiterou que seus pais o ensinaram a “temer somente a Deus”. Ele enfatizou que recuar diante da máfia resultaria na diminuição da confiança pública no Judiciário, declarando sua famosa frase: “Prefiro morrer a ser chamado de juiz covarde”. O juiz afirmou que permanecerá em seu posto apenas enquanto puder seguir seus princípios éticos e morais.

Histórico de violência contra juízes na Índia

A preocupação manifestada pelo juiz Ravi Kumar Diwakar é sustentada por um preocupante histórico de violência direcionada a autoridades judiciais na Índia. Ele citou exemplos de casos de grande repercussão em que esteve envolvido, como a vistoria nas instalações da mesquita Gyanvapi, que gerou ameaças de morte contra ele e sua família, evidenciando o risco inerente à sua profissão.

O magistrado também recordou assassinatos de outros juízes no país, como Chandrashekhar Prasad Singh, que foi morto junto com seu filho adolescente em 1982, Balk Ram em 2001 e Uttam Anand em 2021. Esses incidentes históricos sublinham a gravidade das ameaças que Diwakar enfrenta e a fragilidade da segurança para aqueles que buscam fazer cumprir a lei em regiões dominadas pelo crime organizado.