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Irã prende mais de 3,2 mil cidadãos acusados de ‘colaboração com inimigos’ em período de guerra

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As autoridades iranianas anunciaram a detenção de 3.292 indivíduos nos últimos meses, sob a grave acusação de “colaboração com o inimigo” em meio ao conflito latente com Estados Unidos e Israel. A informação, divulgada pelo Judiciário da República Islâmica na última segunda-feira (22/6), revela uma intensa operação de segurança interna.

Detenções em massa e as acusações específicas

Um porta-voz do sistema judicial do Irã, Asghar Jahangir, detalhou em entrevista à SNN, agência semioficial de Teerã, que 684 dos detidos foram apontados por realizar “ações operacionais” em benefício de Israel. Esses indivíduos seriam cúmplices de ataques aéreos perpetrados por forças americanas e israelenses, que teriam visado infraestruturas críticas do país.

Irã prendeu 3.292 cidadãos acusados de 'coloborar com o inimigo' durante bombardeios perpetrados por EUA e Israel — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com

Além disso, um contingente significativo de 1.258 pessoas enfrenta acusações relacionadas à disseminação de propaganda política hostil ao regime. Até o momento, 1.061 acusações formais foram protocoladas contra os indivíduos presos, indicando o avanço dos processos judiciais.

Confisco de bens e medidas repressivas do Estado

Como parte das ações contra os acusados de traição, o Judiciário iraniano também confirmou a apreensão de propriedades de centenas de supostos colaboradores. Jahangir observou que bens de centenas de indivíduos foram confiscados pelo Estado como consequência das acusações.

Na semana anterior à divulgação dos dados nacionais, cerca de 100 “traidores” tiveram suas propriedades confiscadas apenas na província de Isfahan. Essa medida sublinha a rigidez da resposta estatal diante de qualquer percepção de ameaça à segurança nacional, estendendo as consequências das acusações para além da privação de liberdade.

Cenário de tensão interna e protestos anteriores

As recentes prisões ocorrem em um momento de elevada tensão interna e externa no Irã, meses após o país ter sido palco de uma onda massiva de protestos populares. Em janeiro, cerca de 50 mil iranianos foram detidos durante manifestações que varreram diversas cidades, evidenciando um cenário de crescente insatisfação social e política.

Essa sequência de eventos sugere uma intensificação da repressão por parte das autoridades, que parecem vincular a dissidência interna a supostas conspirações externas, especialmente em um período de conflito regional. A amplitude das detenções e a diversidade das acusações refletem a postura linha-dura do regime em manter o controle e silenciar vozes críticas, utilizando a retórica de segurança nacional para justificar as ações contra cidadãos.