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Forças iranianas executaram uma série de ataques coordenados contra alvos associados aos Estados Unidos em três nações do Golfo Pérsico no domingo, 12 de julho, intensificando drasticamente as tensões na região. A ofensiva de Teerã, que incluiu o anúncio do bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, surge como uma resposta direta a recentes bombardeios militares americanos em território iraniano.
A Guarda Revolucionária do Irã divulgou um comunicado detalhando as ações militares realizadas. Os ataques tiveram como alvo instalações e equipamentos ligados aos interesses americanos em diversos países da região, marcando um novo capítulo na escalada de atritos.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos reportaram a interceptação de mísseis e drones iranianos, embora posteriormente confirmado que as ameaças foram contidas fora de seu espaço aéreo. Simultaneamente, sirenes de alerta foram ativadas no Bahrein, indicando a amplitude da operação iraniana.
O governo do Catar confirmou a interceptação de projéteis e informou que três pessoas, incluindo uma criança, sofreram ferimentos leves por estilhaços. O país árabe condenou veementemente as agressões de Teerã, classificando-as como uma “grave escalada que complica os esforços para conter as tensões na região”. A agência estatal jordaniana noticiou que três mísseis iranianos causaram apenas danos materiais de pequena extensão, sem vítimas fatais.
A ofensiva iraniana ocorreu após uma série de bombardeios significativos liderados pelos Estados Unidos. No sábado, 11 de julho, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA declarou ter atingido 140 alvos militares iranianos. Esta ação fez parte de uma operação mais ampla que totalizou mais de 300 ataques ao longo de três noites.
O objetivo declarado da operação americana era “prejudicar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que transitam livremente pelo estreito”. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou em uma rede social que “o Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço”, reiterando a postura firme de Washington.
A mídia estatal iraniana noticiou explosões em várias localidades no sul do país, incluindo as cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm, além da província do Khuzistão. Inicialmente, não houve registro de vítimas diretas. Contudo, agências de notícias como Mehr e Tasnim, citando uma autoridade local, informaram que a ofensiva americana resultou na morte de um militar iraniano: o tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas da República Islâmica, que teria sido “martirizado” durante o ataque ao porto de Jask.
Em resposta aos bombardeios, o Irã não apenas declarou o fechamento do Estreito de Ormuz, mas também anunciou ter efetuado disparos de advertência em direção a embarcações na área. Este estreito é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Por ele passa cerca de um terço de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportado por via marítima globalmente, tornando-o crucial para a economia mundial e a segurança energética.
A Guarda Revolucionária detalhou um incidente, afirmando que “várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida”. A corporação enfatizou que “o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar”.
No mesmo domingo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) informou sobre um ataque a aproximadamente 17 quilômetros a leste da Península de Musandam, território omanense, que provocou um incêndio em uma embarcação. A tripulação precisou evacuar o navio em um bote salva-vidas. Autoridades de Omã comunicaram o resgate de 23 tripulantes do navio GFS Galaxy, enquanto as buscas por um tripulante desaparecido continuam.
Ishaq Dar, ministro das Relações Exteriores do Paquistão, país que atua como mediador no conflito, fez um apelo para que ambos os lados “exercitem moderação”. A intensificação dos confrontos ocorre em um cenário de esforços diplomáticos contínuos, mas aparentemente ineficazes.
Antes da recente série de ataques iranianos, no sábado, Irã e Omã estiveram engajados em negociações sobre a situação da guerra e a navegação no Estreito de Ormuz, com a participação de uma delegação do Catar. Autoridades iranianas haviam sugerido que “os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros” (Irã e Omã), e concordaram em continuar discussões para um consenso sobre a segurança da navegação.
Apesar desses diálogos, as iniciativas diplomáticas não têm surtido o efeito desejado. Em 17 de junho, Washington e Teerã haviam assinado um memorando de entendimento que previa um cessar-fogo de 60 dias para buscar uma solução permanente. Contudo, desde 8 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reiterado publicamente que o referido acordo “acabou”, sinalizando o fim da trégua e o recrudescimento das hostilidades, que remontam a 7 de junho, quando os EUA bombardearam alvos no Irã sob a acusação de ataques a embarcações comerciais em Ormuz.