
Crianças desaparecidas em Bacabal — Redes Sociais Crédito: Mixvale.com.br
A busca pelos irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, desaparecidos em Bacabal, Maranhão, ganhou um novo e crucial impulso. A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) formalizou seu apoio às operações de rastreamento, disponibilizando recursos de cooperação jurídica internacional. Este desenvolvimento foi comunicado pela defesa da família em 8 de setembro de 2026, marcando uma fase de maior abrangência na investigação.
A formalização do auxílio da Interpol visa dinamizar as apurações, especialmente se indícios apontarem para o exterior. Clarice Cardoso, mãe das crianças, agendou um encontro com o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal para o dia seguinte, 9 de setembro, em São Luís, a fim de detalhar a aplicação das ferramentas oferecidas. É importante ressaltar que a inclusão desses mecanismos globais não significa que as crianças já foram localizadas.
Ágatha e Allan foram vistos pela última vez em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, área rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros da capital maranhense. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal contatou a representação legal da família para colocar à disposição instrumentos que facilitam o rastreamento em solo estrangeiro e viabilizam a repatriação imediata, caso sejam encontrados. A advogada Nathaly Moraes atua como interlocutora direta com as autoridades federais.
A advogada Nathaly Moraes expressou grande satisfação com o apoio, destacando a ausência de tal suporte anteriormente. Ela explicou que as ferramentas da Interpol são essenciais tanto para localizar os menores quanto para garantir seu retorno ao Brasil, caso sejam encontrados em qualquer um dos 197 países membros da organização. Anteriormente, Moraes havia solicitado a transferência do caso da Polícia Civil para a Polícia Federal, levantando a hipótese de tráfico internacional de pessoas. Inicialmente, o pedido foi arquivado pela PF por falta de indícios suficientes. A advogada ressalta que o atual engajamento da Interpol representa uma mudança significativa na postura institucional e nas etapas de verificação do inquérito, ampliando as possibilidades de encontrar as crianças.
A participação da Interpol no monitoramento não estabelece qualquer ligação entre o desaparecimento de Ágatha e Allan e o grupo de 163 crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos. Não há provas que conectem os irmãos maranhenses a essa ocorrência. O acompanhamento consular por parte do Consulado Brasileiro continua, com diplomatas em contato direto com as autoridades americanas responsáveis pelo caso internacional. Eles aguardam o reconhecimento de algumas crianças que ainda não foram identificadas. O apoio técnico internacional amplia consideravelmente a capacidade dos investigadores para atuar além das fronteiras nacionais.
O sumiço de Ágatha Isabelly e Allan Michael completou oito meses em 4 de setembro de 2026, mantendo a mãe, Clarice Cardoso, em uma rotina de angústia e esperança. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos. Eu sonho e tenho fé que esse dia vai chegar”, declarou Clarice. Ao longo desse período, as buscas envolveram equipes policiais, voluntários e até comissões do Congresso Nacional, que visitaram a comunidade quilombola em maio de 2026 para coletar depoimentos e cobrar relatórios das autoridades locais. A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que mantém equipes em diligências contínuas e que o caso segue sob segredo de Justiça. A SSP-MA orienta que qualquer informação sobre o paradeiro das crianças seja repassada pelos telefones 190 (Polícia Militar) ou 181 (Disque-Denúncia), com garantia de anonimato.