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Grandes viradas: Pilotos que triunfaram na Fórmula 1 após largar das últimas posições

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Kimi Antonelli recentemente gravou seu nome na história da Fórmula 1 ao conquistar uma vitória espetacular no Grande Prêmio da Itália, partindo de uma posição desfavorável no grid. O feito do jovem piloto em seu território natal adiciona um novo capítulo à galeria de performances memoráveis na categoria.

A capacidade de superar adversidades e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, apesar de uma largada nas últimas filas, é um dos desafios mais complexos e emocionantes do automobilismo. Essas corridas não apenas demonstram o talento excepcional dos pilotos, mas também a eficácia das estratégias de equipe e a imprevisibilidade do esporte.

Crédito: Formula1.com

Olhamos para trás para relembrar outros momentos em que competidores se viram no meio do pelotão inicial, enfrentando dezenas de carros à frente, e ainda assim conseguiram alcançar a glória da vitória antes de qualquer outro.

O domínio de Michael Schumacher em Spa-Francorchamps (1995)

Apesar de colecionar 91 vitórias em sua ilustre carreira na Fórmula 1, Michael Schumacher nunca havia vencido partindo de uma posição tão baixa quanto a 16ª no grid. No lendário circuito de Spa-Francorchamps, em 1995, o alemão demonstrou sua genialidade ao avançar pelo pelotão.

A corrida teve reviravoltas significativas, incluindo o abandono do então líder David Coulthard e uma aposta ousada de Schumacher por pneus slicks quando a chuva começou, o que se mostrou decisivo para o seu desempenho.

O piloto da Ferrari assumiu a liderança e defendeu-a bravamente contra um Damon Hill cada vez mais frustrado, que utilizava pneus de chuva, apesar de Schumacher estar em desvantagem com seus pneus. O carro da Williams conseguiu ultrapassar momentaneamente, mas cometeu um erro e precisou retornar aos boxes para trocar para slicks em uma pista que começava a secar.

Contudo, a decisão de Hill foi mal cronometrada, pois a chuva retornou com intensidade. Ambos os pilotos trocaram para pneus de chuva, mas qualquer chance de Hill foi dissipada por uma penalidade por excesso de velocidade no pit lane, abrindo caminho para a vitória incontestável de Schumacher, um testemunho de sua resiliência e adaptabilidade em condições extremas.

A memorável vitória de Kimi Räikkönen em Suzuka (2005)

A sessão de qualificação em Suzuka, em 2005, foi marcada por condições climáticas inconstantes e um formato de tomada de tempo com uma única volta, resultando em diferentes estados da pista para cada piloto. Isso deixou muitos dos favoritos nas últimas posições, incluindo o recém-coroado campeão Fernando Alonso em 16º e Kimi Räikkönen em 17º.

Em uma prova eletrizante, repleta de disputas roda a roda, Räikkönen e Alonso abriram caminho pelo pelotão. Foi o finlandês da McLaren quem liderou a carga. Uma parada tardia para reabastecimento colocou Räikkönen na cola de Giancarlo Fisichella, companheiro de equipe de Alonso na Renault, e ele alcançou o italiano nas voltas finais.

No início da última volta, Räikkönen habilmente utilizou a linha externa para ultrapassar Fisichella de forma espetacular, assumindo a liderança e garantindo uma vitória de recuperação verdadeiramente notável. Este triunfo é lembrado como um dos mais impressionantes da história recente da F1, destacando a capacidade de Räikkönen de manter um ritmo avassalador até o fim.

Max Verstappen e a maestria em condições adversas no Brasil (2024)

Após um início de temporada dominante em 2024, com sete vitórias nas primeiras dez etapas, Max Verstappen enfrentou um período de dez corridas sem triunfos, vendo sua vantagem no campeonato ser gradualmente reduzida por Lando Norris.

A qualificação em São Paulo foi adiada de sábado para a manhã de domingo devido ao mau tempo. Em uma sessão caótica, Verstappen foi surpreendido, classificando-se em 12º e largando em 17º devido a uma penalidade por troca de componentes do motor – embora tenha sido efetivamente 15º, pois dois carros à frente não iniciaram a corrida.

A partir daí, Verstappen ofereceu uma aula de pilotagem em condições desafiadoras, escalando o pelotão. Ele ganhou ainda mais posições após uma bandeira vermelha no meio da prova, que lhe permitiu trocar para pneus de chuva mais frescos. Embora ainda estivesse atrás de Esteban Ocon, Verstappen o superou após poucas voltas e disparou para uma vitória com quase 20 segundos de vantagem. Essa performance praticamente selou seu quarto título consecutivo, reafirmando sua dominância.

A astúcia tática de John Watson nas ruas de Detroit (1982)

John Watson largou da 17ª posição no grid para a primeira corrida de Fórmula 1 nas ruas de Detroit, um fim de semana marcado por problemas organizacionais e condições de pista complicadas.

Watson optou por pneus mais duros para a corrida, o que se revelou um golpe de mestre estratégico. Ele ultrapassou rivais com maestria, incluindo uma sequência impressionante de três ultrapassagens em uma única volta, que incluiu seu companheiro de equipe Niki Lauda.

Watson rapidamente alcançou e passou um Keke Rosberg em dificuldades, antes de se afastar e garantir uma vitória relativamente tranquila. Curiosamente, das suas cinco vitórias em Grandes Prêmios, Watson conquistou outra partindo de uma posição ainda mais atrás no grid, evidenciando sua perícia em corridas de recuperação e a importância da estratégia de pneus em circuitos de rua.

A emoção da primeira vitória de Rubens Barrichello em Hockenheim (2000)

Uma sessão de qualificação conturbada deixou Rubens Barrichello em uma incomum 18ª posição no grid. No entanto, o brasileiro rapidamente reverteu a situação, realizando uma série de ultrapassagens nas voltas iniciais, impulsionando sua Ferrari pelas longas seções de aceleração máxima da antiga Hockenheim.

Um Safety Car, acionado pela entrada de uma pessoa na pista, agrupou o pelotão, e um erro de comunicação custou caro à McLaren, elevando Barrichello para a segunda posição, atrás apenas de Mika Hakkinen. Quando a chuva varreu o circuito, Hakkinen parou para colocar pneus de chuva, mas Barrichello permaneceu com os slicks. Devido ao grande tamanho do autódromo, apenas partes da pista estavam molhadas, garantindo que Barrichello não fosse ameaçado.

Barrichello não só completou uma notável vitória de recuperação, mas também conquistou seu primeiro triunfo na Fórmula 1 após sete anos na categoria, um momento de grande emoção e reconhecimento para o piloto brasileiro.

O legado de Bill Vukovich na Indy 500 (1950s)

Na década de 1950, a lendária prova das 500 Milhas de Indianápolis fazia parte do Campeonato Mundial de Fórmula 1. No entanto, poucos pilotos ou equipes da F1 se aventuravam no Speedway, e os especialistas em corridas ovais raramente competiam em outros Grandes Prêmios. Isso faz com que as vitórias na Indy 500 daquela época sejam consideradas um ponto fora da curva na história da F1.

Bill Vukovich foi um desses exemplos notáveis, competindo na Indy 500 em cinco ocasiões nos anos 50 e vencendo o prestigiado evento em 1953 e 1954. Na segunda dessas conquistas, Vukovich largou da 19ª posição e conseguiu avançar para triunfar. Contudo, essa marca ainda está aquém do recorde do Brickyard, onde a corrida foi vencida duas vezes a partir da 28ª posição.

Tragicamente, Vukovich faleceu na corrida do ano seguinte, após se envolver em um acidente enquanto liderava, deixando um legado de coragem e habilidade no automobilismo.

O triunfo de Kimi Antonelli em Monza, apesar da punição (2026)

Problemas de confiabilidade no início da temporada de 2026 indicavam que Kimi Antonelli estava no caminho de receber uma penalidade de grid por usar novos componentes da unidade de potência. A Mercedes, agindo estrategicamente, decidiu cumprir a punição em Monza, um circuito onde a alta velocidade permite melhores chances de recuperação.

Antonelli largou da 19ª posição, após Liam Lawson e Fernando Alonso optarem por iniciar a corrida do pit lane. Ele já estava em 12º quando a prova foi suspensa devido ao acidente de Charles Leclerc. No reinício, Antonelli saltou para oitavo e rapidamente superou outros competidores, chegando a trocar a liderança com seu companheiro de equipe, George Russell.

Uma parada nos boxes no meio da corrida o fez perder posições novamente, mas com um ritmo forte e pneus mais novos, ele conseguiu retornar ao topo. Apesar de um susto tardio, com um erro na saída da primeira chicane, Antonelli manteve a calma para reassumir a liderança e conquistar a vitória, coroando uma performance de recuperação excepcional em seu GP em casa.