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Governador da Flórida suspende execução de detento com demência após quase 50 anos no corredor da morte

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O governador da Flórida, Ron DeSantis, revogou a ordem de execução de William Leehompson, um prisioneiro de 74 anos que aguardava a pena capital há quase cinco décadas, após surgirem informações de que ele sofre de demência. A decisão, tomada a poucos dias do cumprimento da sentença, é considerada um movimento incomum no sistema judicial norte-americano, especialmente em um estado conhecido por sua postura rigorosa em relação à pena de morte.

Leehompson, um dos detentos mais antigos no corredor da morte do estado, estava programado para ser executado na próxima semana. A anulação da sentença levanta questões importantes sobre a ética e a legalidade da execução de indivíduos cujo estado mental se deteriorou significativamente ao longo de extensos períodos de encarceramento.

William Thompson matou Sally Ivester em 1976 — Foto: Reprodução/Florida Department of Corrections; Reprodução/Find a Grave Crédito: Extra.globo.com

Detalhes do crime brutal que levou à condenação

A condenação de William Leehompson remonta a março de 1976. Naquele ano, ele e Rocco James Surace sequestraram, torturaram e assassinaram Sally Ivester, de 23 anos, em um hotel em North Miami Beach, Flórida. O crime ocorreu após a vítima ter entregue um valor de resgate que os criminosos consideraram insuficiente.

As autoridades da época classificaram o assassinato de Ivester como um dos mais cruéis já registrados no condado de Miami-Dade, chocando a comunidade pela brutalidade envolvida no caso. A gravidade dos atos resultou na imposição da pena capital para Leehompson.

A longa trajetória de William Leehompson no corredor da morte

William Leehompson foi sentenciado à morte pela primeira vez em 1976, marcando o início de uma saga judicial que se estenderia por décadas. Sua sentença foi anulada e, posteriormente, reimposta em diferentes momentos, permitindo-lhe escapar da execução em duas ocasiões durante a década de 1980.

Em 1989, uma nova decisão judicial o reconduziu ao corredor da morte, consolidando sua posição como um dos prisioneiros com mais tempo aguardando a execução em Miami-Dade. A longevidade de seu caso, com quase 50 anos desde a condenação inicial, é um fator central nas discussões sobre a justiça e a humanidade do sistema penal.

A rara intervenção do governador Ron DeSantis

A revogação da ordem de execução por Ron DeSantis, emitida na quinta-feira (8/10), ocorreu apenas cinco dias antes da data prevista para a pena capital de Leehompson. Embora a carta enviada ao diretor da Penitenciária Estadual da Flórida, Randall Polk, não tenha detalhado os motivos da decisão, ela surge em meio a relatórios que indicam que William Leehompson sofre de demência.

A decisão do governador é notavelmente rara nos Estados Unidos. Geralmente, intervenções desse tipo são motivadas por novas evidências de inocência ou graves questões de saúde mental que impedem o condenado de compreender a natureza de sua punição. A condição de demência, se confirmada, pode ser um fator crucial para a suspensão da execução, levantando debates sobre a capacidade cognitiva do detento para enfrentar a pena.

O destino do cúmplice no caso Ivester

Enquanto William Leehompson enfrentava décadas no corredor da morte, seu cúmplice, Rocco James Surace, teve um desfecho diferente. Surace conseguiu evitar a pena capital após Leehompson assumir a total responsabilidade pelo crime brutal. Em vez da execução, ele foi condenado a uma pena cumulativa de 203 anos de prisão.

A sentença de Surace incluía 99 anos por homicídio, 99 anos por agressão sexual e 5 anos por cárcere privado, todas consecutivas. Rocco James Surace faleceu na prisão em 14 de novembro de 1993, encerrando sua pena de forma diferente daquela que aguardava Leehompson até a recente intervenção governamental.