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Google lança teste de IA Gemini para realizar chamadas comerciais autônomas nos Estados Unidos

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O Google deu início a uma fase de testes para seu mais recente recurso de inteligência artificial, batizado de “Call for Me”, na cidade de Mountain View, Califórnia. A funcionalidade permite que o assistente Gemini conduza ligações telefônicas de forma completamente autônoma para estabelecimentos comerciais em nome dos usuários. Liberada nesta quinta-feira (24), a ferramenta é projetada para gerenciar chamadas rotineiras, abrangendo desde a discagem inicial até a interação verbal com funcionários humanos de lojas e prestadores de serviço.

Atualmente, esta etapa experimental opera com restrições geográficas, estando disponível exclusivamente nos Estados Unidos. O acesso é limitado aos proprietários dos modelos de nova geração de smartphones da gigante da tecnologia, que podem acompanhar todo o diálogo em tempo real por meio de uma transcrição simultânea exibida na tela do aparelho, com a possibilidade de intervir a qualquer momento no processo.

Google Gemini Crédito: Mixvale.com.br

Para acionar o sistema, o usuário não precisa realizar a discagem manual para o comércio desejado. O comando é ativado diretamente no aplicativo do Gemini, seja por texto ou voz, e o assistente se encarrega de localizar o contato, efetuar a chamada utilizando o número de telefone do próprio usuário e executar a tarefa programada conforme a solicitação.

Durante a chamada, a inteligência artificial se apresenta de forma educada ao interlocutor, esclarecendo que se trata de um assistente virtual operando em nome do proprietário do telefone. O sistema foi concebido para navegar de maneira independente por menus interativos com resposta de voz (IVR) e até mesmo aguardar em filas de espera até ser atendido por um ser humano. Após o contato, o Gemini dialoga diretamente com o atendente para cumprir a demanda cadastrada, como verificar a disponibilidade de produtos, efetuar reservas em restaurantes ou reagendar serviços já marcados.

Em uma declaração concedida à revista Wired, um porta-voz do Google detalhou o propósito deste período de avaliações: “Com este experimento, nossa expectativa é que os usuários explorem uma vasta gama de aplicações, permitindo-nos aprimorar continuamente o recurso.” A empresa também estabeleceu que o assistente encerrará a ligação de forma cortês caso o estabelecimento informe não possuir capacidade técnica ou disponibilidade para resolver a questão, evitando assim repetições desnecessárias de solicitações.

O acesso a esta ferramenta experimental está condicionado ao cumprimento de critérios técnicos específicos, definidos pela companhia para assegurar a estabilidade do serviço durante a avaliação pública. Para utilizar o “Call for Me” nesta fase inicial, os participantes precisam atender a um conjunto de exigências que garantem a compatibilidade e a funcionalidade do sistema.

É importante destacar que o sistema incorpora mecanismos de segurança que impedem a realização de chamadas automáticas para números de emergência ou serviços públicos de socorro imediato, mantendo seu foco exclusivo em transações comerciais e agendamentos corporativos. Essa restrição visa garantir que a tecnologia seja empregada de forma responsável e dentro de seu escopo pretendido.

Evolução da automação: Google e os passos anteriores em chamadas assistidas

A introdução do “Call for Me” representa um salto significativo em relação a projetos anteriores da empresa no campo da automação telefônica. Em 2018, a companhia havia apresentado o Google Duplex, uma tecnologia que permitia marcar horários através do Google Assistente, mas que foi descontinuada anos depois. A linha de smartphones Pixel já contava com funcionalidades voltadas para a telefonia, como o “Hold for Me” para aguardar em filas de espera, o “Direct My Call” para exibir opções de menus eletrônicos e o “Call Screen” para triagem de chamadas e bloqueio de spam. Embora em 2025 o Google tenha disponibilizado o “Ask for Me” para verificar horários comerciais e preços básicos, essa função não permitia a tomada de decisões ou a intervenção direta do usuário na ligação, ressaltando o avanço de autonomia do “Call for Me”.

Concorrência acirrada: Google e a disputa com a Meta no setor de assistentes de voz

O lançamento deste novo recurso intensifica a rivalidade direta com a Meta no segmento de assistentes equipados com voz. A empresa concorrente também introduziu no mercado norte-americano capacidades de discagem e atendimento automatizado por meio de seus assistentes Muse e Instinct. Estas plataformas da Meta executam tarefas externas com o apoio eventual de atendentes humanos, que podem refinar a precisão das chamadas, mostrando que a corrida pela automação vocal é um campo de batalha estratégico para as gigantes da tecnologia.

Até o momento, o Google não divulgou prazos para a expansão do “Call for Me” para o Brasil ou outros países, nem para uma data específica como 24 de setembro de 2026. A companhia também não forneceu informações sobre planos para adaptar a funcionalidade a idiomas diferentes do inglês ou estender a compatibilidade para aparelhos com sistema Android fabricados por outras marcas, o que mantém a expectativa de uma chegada mais ampla em aberto.