
David Sabatini enfrentou Kristin Knouse na Justiça dos EUA — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Um pesquisador de renome internacional, anteriormente ligado ao prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), obteve uma significativa vitória legal na semana passada. David Sabatini, que havia perdido seu cargo em meio a acusações de má conduta sexual por parte de uma ex-colega, foi inocentado das alegações e terá direito a uma indenização milionária por difamação.
Na última sexta-feira, um júri determinou que David Sabatini, ex-professor de biologia do MIT e um dos principais nomes da pesquisa biomédica, foi difamado por Kristin Knouse, sua ex-colega. A decisão judicial garante a Sabatini o direito de receber US$ 6 milhões, o equivalente a cerca de R$ 30 milhões, após a conclusão de que as alegações de crime sexual não se sustentavam.
Este veredito representa uma reviravolta para Sabatini, que enfrentou a demissão de seu cargo em 2021, após as denúncias de Knouse. A sentença favorável abre um precedente importante sobre as consequências de acusações não comprovadas em ambientes acadêmicos e profissionais de alta visibilidade.
Antes das controvérsias, Sabatini liderava um laboratório de pesquisa no Whitehead Institute for Biomedical Research, em Cambridge, Massachusetts, por quase 24 anos. Seu trabalho era fundamental para o avanço da biologia celular, com foco em suas complexas interconexões com doenças neurodegenerativas, diabetes, o processo de envelhecimento e o câncer.
Os dois pesquisadores, Sabatini e Knouse, se conheceram em 2012 e, segundo documentos apresentados à Justiça, iniciaram um relacionamento íntimo em 2018, que se encerrou no ano seguinte. Posteriormente, Kristin Knouse alegou que a relação não foi consensual. Uma investigação conduzida pelo Whitehead Institute também apontou que Sabatini havia contribuído para um ambiente de trabalho sexualizado no laboratório, o que o levou a pedir demissão do instituto.
Após sua saída do Whitehead e em meio a uma investigação em curso no MIT, Sabatini iniciou um processo judicial contra Kristin Knouse, acusando-a de difamação e de interferência indevida em suas relações contratuais e profissionais. Em resposta, Knouse apresentou um contra-processo, alegando assédio sexual contra Sabatini.
Durante a disputa legal, Sabatini defendeu consistentemente que nunca promoveu um ambiente inadequado em seu laboratório e que seu relacionamento com Knouse era totalmente consensual. Sua advogada, Lisa Arrowood, trouxe à tona mensagens trocadas entre os dois, argumentando que o teor das conversas confirmava a participação voluntária de Knouse na relação.
A defesa de Sabatini destacou uma troca de mensagens de 2020, onde Knouse expressava sentir-se “dedicando muita energia e emoção a um jogo que estou fadada a perder” e ponderava “se não seria melhor para nós dois cortar todos os laços, mantendo apenas os estritamente profissionais, por tempo indeterminado”. Contudo, ela concluía: “Mas, na maior parte do tempo, sinto-me em paz e quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudá-lo.” A equipe jurídica de Sabatini também apresentou evidências que sugeriam ciúmes de Knouse por outra mulher, o que teria motivado a tentativa de demissão do cientista.
A vitória foi celebrada por Sabatini, que declarou a um veículo de notícias: “Tudo terminou. Ganhamos tudo, não perdemos nada. Foi uma vitória completa.”
No entanto, a advogada de Kristin Knouse, Ellen Zuker, anunciou a intenção de recorrer da decisão, expressando desapontamento com o veredito. Zuker comentou que “a triste realidade do nosso tempo é que a sociedade ainda tem dificuldade em acreditar nas mulheres e em reconhecer os desafios que elas enfrentam com homens que, com frequência excessiva, controlam os seus destinos.”
Do ponto de vista legal, o vencedor de uma ação por difamação tem o direito de exigir o valor total da indenização imediatamente após o trânsito em julgado. Caso não haja um acordo ou pagamento voluntário, a equipe jurídica de Sabatini poderá acionar a justiça para reter salários, congelar contas bancárias ou penhorar bens de Kristin Knouse para garantir a quitação do montante devido. Este mecanismo legal visa assegurar que a parte lesada receba a compensação determinada pelo tribunal.
Atualmente, David Sabatini divide suas atividades de pesquisa entre seu próprio laboratório, o David Sabatini Lab, com sedes em Praga, na República Tcheca, e uma filial em Boston, nos Estados Unidos. Ele mantém uma parceria com o Instituto de Química Orgânica e Bioquímica de Praga e é casado com a pesquisadora Lena Pernas.