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Uma onda de manifestações massivas tomou as ruas da França no último sábado (17), deixando um rastro de violência que resultou em uma morte, mais de 500 agentes de segurança feridos e cerca de 1.800 pessoas detidas. Os atos, impulsionados pela insatisfação com o aumento do custo de vida e cortes em serviços públicos, escalaram para confrontos, saques e incêndios em dezenas de cidades francesas.
Os protestos geraram um cenário de caos, com a polícia de Paris registrando um número recorde de 855 prisões somente na capital e região metropolitana. Um manifestante faleceu em Paris após uma parada cardiorrespiratória, embora sua identidade e idade não tenham sido divulgadas pelas autoridades. Em Saint-Étienne, um jovem perdeu uma das mãos devido ao impacto de uma granada de efeito moral e gás lacrimogêneo, evidenciando a intensidade dos confrontos.
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— MixVale (@Mixvale) October 18, 2026
Diante dos danos extensos, o presidente francês, Emmanuel Macron, utilizou as redes sociais para condenar veementemente a violência. Ele afirmou que não há espaço para tais atos na República e prometeu que “aqueles que depredaram, atacaram as prefeituras e o comércio, e saquearam até mesmo nossos prédios públicos, serão processados e punidos”.
A extensão da destruição foi notável em várias localidades. Em Limoges, um edifício histórico de 143 anos que abriga a prefeitura foi invadido e incendiado, após um veículo da polícia municipal pegar fogo em frente ao local. O telhado e uma torre da estrutura colapsaram, com o prefeito Guillaume Guérin denunciando uma “intenção clara e premeditada” de incendiar o prédio.
Outras cidades também registraram incidentes graves: o escritório de turismo de Lyon foi incendiado, em Bordeaux, cerca de 100 lojas foram saqueadas e a residência do representante do governo local foi invadida por um grupo mascarado. Em Marselha, a prefeitura foi invadida por indivíduos vestidos de preto, forçando o prefeito Benoît Payan a anunciar ajuda financeira emergencial para os estabelecimentos comerciais afetados.
Os prejuízos materiais são significativos. A rede varejista Carrefour, por exemplo, informou que 50 de suas lojas foram danificadas, sendo 20 delas saqueadas, resultando em dezenas de milhões de euros em perdas. O ministro da Economia da França, Roland Lescure, prometeu apoio aos comerciantes atingidos, reforçando que os responsáveis pelos atos de vandalismo serão punidos e deverão reparar os danos.
A situação econômica francesa, com uma dívida que já alcança € 3,5 trilhões e juros de 10 anos subindo a quase 5%, adiciona uma camada de complexidade aos desafios enfrentados pelo governo. Em Limoges, o prefeito Guillaume Guérin chegou a ameaçar renunciar caso o município não receba 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 5,69 milhões) para restaurar o edifício da prefeitura, evidenciando a gravidade do impacto financeiro.
As mobilizações tiveram início como reivindicações estudantis por melhores condições nas escolas públicas e contra a falta de professores em áreas periféricas. Nas semanas seguintes, o movimento ganhou força com a adesão de sindicatos, trabalhadores e integrantes dos “coletes amarelos”, que protestam contra a desigualdade social e os cortes no orçamento público.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu atribuiu os distúrbios a grupos de extrema esquerda e criminosos comuns, declarando que o governo não será intimidado. Enquanto isso, o órgão fiscalizador da polícia investiga ao menos 24 denúncias de violência policial contra manifestantes. A repercussão internacional também se fez presente, com figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o vice-presidente JD Vance associando a violência dos atos franceses à imigração.
Em resposta aos acontecimentos, além da reunião de sua equipe de governo e do discurso de Macron, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu agendou encontros com os prefeitos das cidades mais afetadas – Paris, Lyon e Marselha – para discutir os danos registrados e coordenar as próximas etapas de recuperação e segurança.