
F1 Correspondent & PresenterLawrence Barretto Crédito: Formula1.com
A equipe Haas confirmou que o piloto Esteban Ocon não continuará em suas fileiras após o término da atual temporada, abrindo um cenário de incertezas sobre a presença do francês no grid da Fórmula 1 em 2027, a menos que uma reviravolta significativa ocorra.
A contratação de Esteban Ocon pelo chefe de equipe da Haas, Ayao Komatsu, para a temporada de 2025 representou um marco histórico para o time norte-americano, pois seria a primeira vez que um vencedor de Grande Prêmio pilotaria um de seus carros.
Komatsu, que já havia trabalhado com Ocon em seu teste de estreia na F1 pela Lotus em 2012, via no piloto francês um elemento crucial para consolidar a Haas como uma equipe de meio de grid e constante pontuadora. Contudo, apesar de ter somado alguns pontos, Ocon encerrou o ano de 2025 atrás de seu colega de equipe novato, Ollie Bearman, e o próprio Komatsu reconheceu que a escuderia “esperava mais” dele.
O início da temporada atual viu Bearman brilhar com desempenhos sólidos, alcançando a sétima posição na Austrália e a quinta na China, enquanto Ocon enfrentava dificuldades para encontrar seu ritmo. Quando o francês finalmente se adaptou, a Haas já havia perdido terreno no pelotão e as chances de pontuar se tornaram mais escassas.
Diante do desempenho aquém do esperado por parte de Ocon, a direção da Haas iniciou um processo de avaliação de suas opções para o futuro, vislumbrando um cenário sem o piloto francês.
A equipe realizou diversas sessões de testes com carros de anos anteriores (TPC), aproveitando a vasta oferta de jovens talentos, para avaliar pilotos como Leo Fornaroli, campeão da Fórmula 2 da FIA, o júnior da Ferrari Rafael Camara, e os reservas Ryo Hirakawa e Jack Doohan.
Embora Komatsu ainda não tivesse definido um nome específico para a vaga, ele tinha clareza de que possuía alternativas promissoras e que a equipe precisava de uma mudança de direção para o próximo ciclo.
Assim, antes do fim de semana de corrida em Baku, Komatsu se reuniu pessoalmente com Ocon para comunicar sua decisão de não renovar o contrato com o vencedor do Grande Prêmio da Hungria de 2021.
Ocon, por sua vez, demonstra ter questões pendentes na Fórmula 1 e não manifesta qualquer interesse em buscar oportunidades fora da categoria, conforme expressou claramente em suas redes sociais.
O piloto reconhece que a tarefa de garantir um assento de corrida para a temporada de 2027 é desafiadora, visto que a maioria das equipes já definiu suas formações.
A Aston Martin era um possível destino caso Fernando Alonso não tivesse estendido seu contrato, mas essa possibilidade foi descartada definitivamente na última terça-feira, fechando mais uma porta para Ocon.
Um papel de piloto reserva surge como o desfecho mais provável para o francês. Com 30 anos e integrante do programa de pilotos da Mercedes, um retorno à equipe alemã nessa função seria uma opção lógica e coerente.
Além disso, sua vasta experiência na categoria, acumulada ao longo de mais de uma década pilotando por equipes como Manor, Force India/Racing Point, Renault/Alpine e Haas, o torna um candidato atraente para funções de apoio em outras escuderias.
Esta situação não é novidade para Ocon. Em 2019, ele passou a temporada afastado das pistas com a Mercedes, após perder a vaga na Renault. Naquela ocasião, ele se dedicou à função de reserva e conseguiu retornar ao grid em 2020, demonstrando resiliência e a capacidade de superar adversidades para se manter no esporte.
Naturalmente, a situação atual não é a ideal, mas Ocon tem poucas alternativas. Questionado sobre seu futuro após conquistar um oitavo lugar em Baku – seus primeiros pontos desde Mônaco em junho –, sua resposta enérgica reafirmou sua forte determinação em lutar por um lugar na categoria.
“Vou continuar me esforçando ao máximo”, declarou Ocon. “Venci em todas as categorias que participei: kart, Fórmula Renault, GP3, Fórmula 3, e na Fórmula 1. Tenho capacidade de lutar, possuo o que é necessário e a dedicação que invisto é… Vocês me viram trabalhar em muitos lugares, e eu me dedico de verdade; não fico parado achando que já fiz o suficiente, quero sempre mais.”
É evidente que Ocon mantém a convicção de que possui talento suficiente para competir na F1 e está pronto para a batalha. No entanto, a alta competitividade do esporte significa que apenas ser bom nem sempre é o bastante para garantir um cockpit.
Se ele conseguir replicar atuações consistentes como a de Baku e mantiver o apoio da Mercedes, sua jornada na F1 ainda pode não ter chegado ao fim. Casos como os de Valtteri Bottas e Sergio Perez demonstram que é possível passar um ano afastado e retornar ao grid, mesmo em fases mais avançadas da carreira.
Por enquanto, contudo, tudo indica que Ocon terá de aguardar por uma oportunidade.
A Haas ainda não divulgou oficialmente seus planos para a formação de 2027, mas fontes próximas indicam que Bearman permanecerá na equipe para sua terceira temporada.
O jovem britânico tem impressionado Komatsu e toda a Haas com sua evolução desde que se juntou ao time em tempo integral, antes da temporada de 2025. Essa curva de desempenho ascendente foi um fator decisivo para convencer Komatsu de que a equipe pode apostar em outro piloto promissor.
Leo Fornaroli, campeão da F2 e piloto reserva da McLaren, foi inicialmente considerado, com a equipe de Woking aberta a ceder o italiano para a Haas. No entanto, após diálogos com a Ferrari, Rafael Camara, júnior da escuderia italiana, emergiu como o principal candidato à vaga.
O piloto brasileiro tem demonstrado grande potencial na Fórmula 2 este ano, inclusive assumindo a liderança do campeonato em Baku, superando o júnior da Red Bull, Nikola Tsolov.
A Ferrari, parceira da Haas desde sua entrada na categoria em 2016, tem grande interesse em colocar Camara no cockpit. Esta movimentação não apenas reforça a ligação entre as equipes, mas também promete vantagens financeiras significativas para o time americano, já que Camara conta com patrocinadores que trarão aporte de recursos.
Esse tipo de recurso é de suma importância para a Haas, que opera com um dos menores orçamentos do grid e atualmente não atinge o teto de gastos estabelecido pela Fórmula 1.
A combinação de talento promissor e o apoio financeiro torna Camara uma proposta extremamente atrativa, sendo o motivo pelo qual ele é o nome mais cotado para a temporada de 2027.