
Crédito: Formula1.com
A equipe Ferrari foi penalizada financeiramente após um incidente ocorrido durante a etapa do Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1. A decisão dos comissários sublinha a constante vigilância sobre as operações de pit stop na categoria.
A sanção foi imposta devido a uma liberação inadequada do carro de Lewis Hamilton dos boxes, que resultou em um mecânico sendo atingido durante a manobra. O episódio gerou preocupação e reforça a importância dos protocolos de segurança nos momentos de alta tensão das corridas.
O episódio ocorreu na 20ª volta da corrida de domingo. O piloto britânico, que cumpria uma penalidade de cinco segundos imposta por um contato anterior com George Russell, da Mercedes, entrou nos boxes sob o regime de Safety Car Virtual.
Após aguardar o tempo regulamentar para o cumprimento da sanção, os quatro pneus do carro de Hamilton foram substituídos. Contudo, no momento em que o veículo era liberado para retornar à pista, um membro da equipe encarregado de ajustar a asa dianteira avançou, cruzando o trajeto do pneu dianteiro direito.
O impacto fez com que o mecânico fosse atingido e caísse no chão. Hamilton prontamente parou o carro, assegurando-se de que o profissional estivesse em segurança antes de seguir. Felizmente, não houve ferimentos graves no incidente.
Concluído o Grande Prêmio da Bélgica, os comissários da prova iniciaram uma rigorosa investigação sobre a liberação insegura. A Ferrari foi penalizada com uma multa de 30 mil euros, sendo 10 mil euros desse valor suspensos por um período de doze meses.
O documento oficial dos comissários detalhou que, enquanto o carro número 44 era liberado de sua parada, um mecânico se posicionou à frente do pneu dianteiro direito do monoposto em movimento. Ele sofreu uma queda, mas, conforme o relatório, não houve lesões.
A equipe Ferrari explicou que o ocorrido se deu em meio a uma sequência de eventos complexa e atípica. Hamilton estava cumprindo sua penalidade de cinco segundos, que devia ser completada antes que qualquer trabalho no carro pudesse começar. Curiosamente, Charles Leclerc já ocupava seu próprio espaço nos boxes quando Hamilton adentrou o pit lane. Além disso, Hamilton havia solicitado um ajuste na asa dianteira ao seu engenheiro, mas essa informação crucial não foi transmitida ao controlador principal da operação.
O piloto então parou em sua vaga e cumpriu a penalidade. Ao final dos cinco segundos, um membro da equipe sinalizou “Go” (para iniciar o pit stop) e, em seguida, “0.6 graus” (instrução para o ajuste da asa).
A troca de pneus foi concluída, o macaco foi abaixado, e o controlador principal ativou a luz verde, indicando que o carro 44 poderia partir. Exatamente no momento em que Hamilton iniciava o movimento, outro mecânico, portando a ferramenta de ajuste da asa dianteira, avançou para a área do pneu dianteiro direito. Ele estava com a cabeça baixa, focado na ferramenta, e não percebeu o sinal luminoso verde de liberação.
A Ferrari admitiu que a liberação do carro nessas condições foi imprudente. A falha foi atribuída a uma instrução tardia e inadequada para o ajuste da asa, uma deficiência na comunicação interna e a desatenção do mecânico ao sinal verde. A equipe se comprometeu a revisar seus procedimentos de pit stop para evitar a repetição de situações semelhantes, reforçando a importância de protocolos de segurança rigorosos em um ambiente de alta pressão como a Fórmula 1.
Os comissários também confirmaram que Lewis Hamilton não teve culpa no ocorrido. Eles entenderam que o incidente não justificava uma penalidade esportiva ao piloto, mas sim uma sanção financeira substancial à equipe, dada a natureza da falha de segurança.
A parcela suspensa da multa está condicionada a que a Ferrari não cometa uma infração similar nos próximos 12 meses. Além disso, a equipe deverá apresentar um relatório à FIA detalhando o incidente e as novas medidas e protocolos implementados para mitigar riscos futuros.