Electronic Arts demite centenas, fecha BioWare e cancela novo Mass Effect em ampla reestruturação

Electronic Arts demite centenas, fecha BioWare e cancela novo Mass Effect em ampla reestruturação

Crédito: Mixvale.com.br

A gigante dos games Electronic Arts (EA) implementou uma reestruturação significativa, resultando no desligamento de aproximadamente 400 funcionários e no encerramento de sua subsidiária BioWare, em Edmonton, Canadá. Essa medida impactou cerca de 3% da força de trabalho global da publicadora e levou ao cancelamento do desenvolvimento do próximo título da aclamada franquia Mass Effect. Além da BioWare, outros cinco estúdios foram afetados pelos cortes entre a última quarta e quinta-feira.

A comunicação interna sobre as mudanças foi distribuída aos colaboradores na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, por meio de um memorando. O documento, assinado por Cam Weber, presidente e diretor de estúdios, e David Tinson, presidente e diretor de operações da Electronic Arts, abordava a descontinuação da equipe canadense. Nele, os executivos expressaram que “a BioWare é uma desenvolvedora lendária que ajudou a moldar o gênero RPG, e não tomamos esta decisão de forma leviana”.

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Do total de aproximadamente 400 desligamentos promovidos pela empresa, cerca de 50 colaboradores foram diretamente impactados pelo fechamento da BioWare. Os 350 cortes remanescentes foram distribuídos entre diversas outras unidades, incluindo Maxis, responsável por “The Sims”; Respawn Entertainment, conhecida por “Apex Legends” e “Star Wars Jedi”; EA Motive, desenvolvedora de “Marvel’s Iron Man”; Full Circle, criadora de “Skate”; e Ripple Effect, estúdio de apoio à série “Battlefield”. A Electronic Arts optou por não detalhar o número exato de demissões em cada uma dessas cinco equipes.

A confirmação de que a reestruturação se estendeu para outras subsidiárias veio à tona na quinta-feira, dia 22, quando profissionais atingidos começaram a compartilhar suas saídas em plataformas como o LinkedIn. Entre os afastados, figuram diretores criativos, designers de jogabilidade, gerentes de produto e artistas conceituais envolvidos em diversos projetos. Anna Huerta, ex-diretora criativa sênior de “The Sims” na Maxis, manifestou tristeza pelo término de sua colaboração, afirmando: “Após conquistas incríveis na EA, meu posto como Diretora Criativa Sênior de The Sims foi afetado pela reestruturação de hoje. Estou profundamente triste por não poder continuar a trabalhar ao lado de pessoas tão talentosas em projetos pelos quais nos importamos tanto, mas estou ansiosa pelo que virá a seguir.”

Adicionalmente à saída da executiva da Maxis, um grupo de outros nove profissionais da área de desenvolvimento também tornou públicas suas demissões da Electronic Arts durante esta rodada de cortes.

Impacto nos Cronogramas e Foco Estratégico em Franquias da EA

A redução no quadro de pessoal provocou alterações significativas nos cronogramas e na alocação de equipes em importantes franquias da publicadora. O novo jogo da série “Mass Effect”, que se encontrava em fase inicial de concepção na BioWare, foi definitivamente descartado. No estúdio Maxis, a direção da Electronic Arts optou por suspender a produção de um título inédito da franquia “The Sims”, conhecido internamente pelo codinome “Project Lotus”, para direcionar todos os recursos a outro projeto da mesma série, denominado “Project Evergreen”.

Na Full Circle, responsável pelo relançamento da série “Skate” — cujo título, estilizado como “skate.”, entrou em acesso antecipado em setembro de 2025 —, a equipe foi redimensionada para um grupo mais compacto, visando assegurar a continuidade da operação do jogo a longo prazo. Em contrapartida, o comunicado assinado por Cam Weber e David Tinson garantiu a manutenção de investimentos substanciais em “Apex Legends”, na franquia “Battlefield”, nos populares títulos esportivos como “EA Sports FC”, na aguardada sequência de “Star Wars Jedi” (desenvolvida pela Respawn) e no jogo “Marvel’s Iron Man” (da EA Motive). O mesmo memorando também revelou que os estúdios Respawn e DICE unirão forças para a criação de um novo jogo de tiro.

Esta reestruturação nos estúdios representa a primeira grande movimentação desse tipo desde que a companhia deixou de ser listada na bolsa de valores, em agosto de 2026. A operação de fechamento de capital ocorreu após uma compra alavancada (leveraged buyout), financiada majoritariamente por dívidas, e foi liderada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), em parceria com as gestoras Silver Lake e Affinity Partners. Os valores envolvidos na transação e os subsequentes ajustes operacionais evidenciam a necessidade de cortes de gastos rigorosos no balanço financeiro da empresa, sinalizando uma nova fase de gestão focada em otimização de custos e redefinição estratégica.

O Histórico da BioWare e a Nova Direção de Mercado da EA

Fundada em 1995 e adquirida pela Electronic Arts em 2007, a BioWare vinha enfrentando um período de consideráveis desafios financeiros e operacionais nos últimos anos. O estúdio acumulou o fracasso comercial de “Anthem” e o desempenho de vendas aquém das expectativas para “Dragon Age: The Veilguard”, lançado em 2024. Os resultados insatisfatórios de “Dragon Age” já haviam provocado uma rodada expressiva de demissões na desenvolvedora canadense ao longo de 2025, culminando agora no encerramento definitivo de suas operações.

Ao justificar as recentes mudanças estruturais para o restante da corporação, Cam Weber e David Tinson enfatizaram a importância de a empresa buscar novos modelos de negócio frente à intensa concorrência no segmento de jogos eletrônicos. “Hoje, somos a publicadora líder em jogos HD ocidentais. Esta é uma posição extraordinária para se estar na vanguarda, e da qual devemos nos orgulhar. Contudo, nossa indústria está em rápida transformação. Os jogadores dispõem de mais alternativas do que nunca para seu tempo e atenção, a concorrência se acentua, e algumas de nossas maiores oportunidades de crescimento residem fora dos mercados, plataformas e modelos de negócios onde a EA tradicionalmente demonstrou maior força”, declararam os dois executivos no memorando interno, sublinhando a necessidade de adaptação estratégica.