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El Niño recorde muda cor do Pacífico e revela impacto na vida marinha

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O Oceano Pacífico está passando por uma transformação visual notável, alterando sua tonalidade de verde para um azul mais intenso, um fenômeno diretamente ligado ao desenvolvimento do El Niño. Observações recentes de satélites da agência espacial americana NASA confirmam essa mudança, enquanto a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) estima em 83% a probabilidade de que o El Niño atual se torne o mais potente já registrado desde 1950, quando as medições começaram.

O papel dos fitoplânctons na coloração do oceano

A percepção comum de que a água do mar é invariavelmente azul não reflete a riqueza de cores que os oceanos podem apresentar, conforme destacado por Matthew Kehrli, cientista-chefe da equipe do satélite PACE (Plâncton, Aerossol, Nuvem, Ecossistema Oceânico). A variação cromática é, em grande parte, atribuída aos fitoplânctons, minúsculos organismos que formam a base da cadeia alimentar marinha. Diferentes espécies desses microrganismos possuem pigmentos distintos, e aqueles predominantes no Pacífico tendem a conferir uma coloração esverdeada à água.

Imagem mostra diferença da coloração do Oceano Pacífico em outubro de 2025 e 2026 — Foto: NASA Crédito: Extra.globo.com

Contudo, a intensificação do El Niño está alterando esse cenário. Os fitoplânctons prosperam em ambientes aquáticos mais frios e ricos em nutrientes. O evento climático provoca o enfraquecimento dos ventos alísios, o que, por sua vez, diminui a ressurgência de águas profundas carregadas de nutrientes para a superfície. Com a escassez de “alimento”, a população de fitoplânctons decai significativamente, resultando na diminuição dos tons verdes e na prevalência de um azul mais profundo e brilhante.

Consequências ecológicas e o monitoramento espacial

A redução na quantidade de fitoplânctons não é apenas uma questão estética. Ela desencadeia um efeito dominó que afeta todo o ecossistema marinho. Sendo a base da alimentação para diversas espécies, desde pequenos zooplânctons até grandes baleias, sua diminuição impacta diretamente a disponibilidade de alimento para peixes, aves marinhas e mamíferos aquáticos. Essa alteração na cadeia trófica pode ter consequências severas para a biodiversidade e para as indústrias pesqueiras em escala global.

Lançado em 2024, o satélite PACE está acompanhando pela primeira vez a formação e os desdobramentos de um El Niño. Equipado com um instrumento de Cores Oceânicas (Ocean Color), o PACE observa o oceano em espectros hiperespectrais, incluindo luz ultravioleta e infravermelha. Essa capacidade permite o monitoramento em tempo real das mudanças na coloração da água, fornecendo dados cruciais para a compreensão do fenômeno.

Matthew Kehrli expressa a satisfação em observar visualmente os resultados dos dados em tempo real, validando as expectativas científicas. A compreensão dos mecanismos por trás dessas mudanças é vital, como ressaltou Willis, ao afirmar que o El Niño afeta “quase todos nós de alguma forma sempre que ocorre”. Estudar o oceano é fundamental para desvendar os motivos e as implicações desse complexo evento climático que molda padrões meteorológicos em todo o planeta.