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O mercado financeiro brasileiro experimentou um notável alívio nesta segunda-feira (5), com o dólar comercial registrando forte queda e operando abaixo da marca de R$ 5,00 na B3, a bolsa de valores sediada em São Paulo. Este movimento de valorização do real foi acompanhado por uma expressiva retração nas taxas dos contratos de juros futuros logo nos primeiros momentos do pregão.
A intensa reação dos investidores reflete o desfecho do primeiro turno da eleição presidencial, que apontou o senador Flávio Bolsonaro à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva na apuração de votos. A liderança do candidato da oposição impulsionou uma procura generalizada por ativos brasileiros, influenciada pela percepção dos agentes de mercado sobre a maior probabilidade de estabilidade fiscal e controle das contas públicas.
No exterior, a confiança no Brasil também se manifestou antes mesmo da abertura dos negócios locais. Recibos de ações e fundos vinculados a empresas do país, como o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), que serve como um termômetro para o mercado internacional, registraram valorização acentuada de até 12,88% nas negociações de pré-mercado em Nova York.
O recuo nas taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) foi observado em toda a extensão da curva a termo, indicando uma expectativa de juros menores no futuro. Uma pesquisa conduzida pela corretora XP, que ouviu 116 gestores, estimou uma redução mínima de 40 pontos-base para os juros de mercado diante da perspectiva de uma vitória oposicionista. Paralelamente, o banco de investimentos Goldman Sachs revisou sua projeção para a moeda americana, situando a taxa estimada em uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80, caso o prêmio de risco fiscal continue a ser dissipado.
Fabrício Taschetto, diretor de investimentos da gestora Ace Capital, destacou a influência do resultado eleitoral na composição das carteiras financeiras dos investidores. Na mesma linha, Cathy Hepworth, gestora da PGIM, afirmou que os ativos brasileiros ganham novo impulso, comentando que “como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”. Essa visão aponta para uma antecipação de políticas econômicas consideradas mais favoráveis ao mercado.
Para Fernando Siqueira, diretor de pesquisa da Eleven Financial, a dimensão da bancada eleita e o apoio recebido nas urnas reforçam a confiança dos operadores. Ele ressaltou que, embora “os mercados já anteciparam um pouco deste movimento nos últimos dias”, a força da votação da oposição “deve gerar uma reação positiva amanhã”, projetando que, com a liderança no primeiro turno, “as chances de Flávio ganhar são muito altas”.
A retração no valor do câmbio impacta diretamente diversas esferas da economia. Empresas com dívidas em moeda estrangeira ou que dependem da importação de matérias-primas tendem a ter seus custos reduzidos. Para o consumidor, a valorização do real significa custos menores para viagens internacionais e para compras com pagamento em dólares, tornando-as mais acessíveis.
Investidores de renda fixa também acompanham de perto este ajuste técnico. Contratos de juros com vencimentos mais longos, por exemplo, perdem rendimento nominal imediato à medida que as taxas projetadas para o futuro diminuem. O encerramento oficial dos preços do dólar à vista e dos contratos de DI da sessão desta segunda-feira ainda dependerá do fechamento das negociações regulares na B3, previsto para o final da tarde.