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Brasil se prepara para setembro de 2026 com clima atípico: El Niño extremo traz chuvas em áreas secas e frio no Sul

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O Brasil se prepara para um mês de setembro de 2026 com um padrão climático significativamente fora do comum, conforme análises meteorológicas recentes. Regiões que historicamente enfrentam a estação seca devem registrar volumes de chuva acima do esperado, enquanto o Sul do país poderá vivenciar a persistência de massas de ar frio mais intensas do que o usual, mesmo sob a influência de um fenômeno El Niño de grande magnitude.

A força do El Niño e seus reflexos no Pacífico

A anomalia climática é impulsionada por um El Niño classificado como “muito forte” ou “Super El Niño”, de acordo com os índices de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central. O boletim mais recente da NOAA indicou uma anomalia de +2,6°C pelo índice ONI na região Niño 3.4, e +1,8°C pelo índice RONI. Além disso, o Pacífico Equatorial Leste, próximo à costa de Peru e Equador, apresentou um El Niño Costeiro extraordinário, com anomalias de +4,0°C (ONI) e +3,2°C (RONI).

Clima chuva Crédito: Mixvale.com.br

Essa intensidade do aquecimento no Pacífico é crucial para entender as mudanças previstas. A expectativa é que o Oceano Pacífico Equatorial Centro-Leste continue a aquecer em setembro, com massas de água excepcionalmente quentes — algumas com anomalias de até +9°C a +10°C — emergindo da subsuperfície em uma sequência de Ondas Kelvin. Essa dinâmica global redefine os padrões de circulação atmosférica e, consequentemente, o regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do globo, incluindo o Brasil.

Chuvas inesperadas no Centro-Oeste e Sudeste

Contrariando a tendência histórica de setembro, que marca o auge da estação seca em grande parte do Centro-Oeste e Sudeste, a previsão aponta para precipitações acima da média nessas regiões. Estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e a porção centro-sul de Minas Gerais podem registrar os maiores desvios positivos de chuva.

Para a capital paulista, por exemplo, a projeção indica um aumento considerável no número de dias com registro de chuva, superando amplamente as médias históricas do mês. Essa alteração é significativa, visto que agosto é tradicionalmente o período mais seco em São Paulo, e setembro costuma manter volumes baixos de precipitação. O retorno antecipado e mais volumoso das chuvas pode, inclusive, mitigar o risco de queimadas que geralmente afligem o Brasil Central nesta época do ano, especialmente no Cerrado, e reduzir os dias de calor extremo que frequentemente ultrapassam os 40°C no Mato Grosso.

Apesar de não ser um período usual para temporais nessas áreas, a maior incidência de chuvas eleva o risco de eventos localizados de forte intensidade, com raios, vendavais e granizo.

Temperaturas e precipitação no Sul do Brasil

No Sul do país, o cenário também apresenta particularidades. Mesmo com o El Niño intenso, a distribuição de chuvas será desigual. Enquanto o Oeste e Sul do Rio Grande do Sul podem ter volumes de chuva abaixo da média, o Norte gaúcho, Santa Catarina e Paraná devem registrar precipitações acima ou muito acima do normal. Os maiores desvios estão previstos para Santa Catarina e Paraná, aumentando o alerta para chuvas excessivas, alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. As Cataratas do Iguaçu, por exemplo, podem experimentar vazões significativamente elevadas.

No que tange às temperaturas, o Rio Grande do Sul, conhecido por um setembro historicamente chuvoso e com risco de cheias (como a popular “enchente de São Miguel”), ainda enfrentará a incidência de massas de ar frio mais acentuadas do que o esperado para o período. Em Porto Alegre, a média de temperatura mínima projetada para setembro é de 13,3°C, e a máxima de 22,8°C, em comparação com os 11,6°C e 21,8°C de agosto. O volume médio de chuva esperado para a capital gaúcha é de 147,8 milímetros.

Transição de estações e médias históricas

Setembro marca a transição da primavera meteorológica, que começa em 1º de setembro, para o fim do inverno astronômico, que se encerra apenas no dia 22. Tradicionalmente, este mês inicia a elevação das temperaturas. Em São Paulo, a temperatura mínima média prevista para setembro é de 14,9°C (contra 13,3°C em agosto) e a máxima de 25,2°C (contra 24,5°C em agosto). O volume médio de chuva na capital paulista é projetado em 83,3 milímetros, um salto notável em relação aos 32,3 milímetros de agosto, o mês mais seco para a cidade.

Historicamente, a segunda metade de setembro sinaliza o retorno gradual das chuvas no Brasil Central, com o pico da estação seca e quente ocorrendo entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro. Contudo, as projeções para 2026 indicam uma antecipação e intensificação desse retorno, reconfigurando o cenário climático e demandando atenção especial das autoridades e da população.