
Arleny dividiu sua experiência como vício em um vídeo no TikTok — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Uma experiência que começou com curiosidade na adolescência evoluiu para um grave vício em conteúdo adulto, distorcendo completamente a percepção de mundo de Arleny Abreu Quintero, uma jovem de 19 anos residente do Bronx, em Nova York. Ela compartilhou como o hábito compulsivo a levou a pensamentos sexualizados intrusivos, que por vezes incluíam até mesmo pessoas de seu círculo familiar e social próximo, gerando profundo desconforto e vergonha.
O primeiro contato de Arleny com vídeos adultos ocorreu aos 13 anos, após uma indicação de uma amiga. A princípio, a jovem descreveu a experiência como “prazerosa”, o que a levou a consumir o material de forma esporádica. Contudo, em março de 2020, com o advento da pandemia de Covid-19 e o isolamento social imposto, o consumo saiu do controle.
Com as escolas fechadas e um excesso de tempo livre em casa, a internet se tornou um refúgio para Arleny combater a solidão. Ela chegou a passar noites inteiras, por até cinco horas seguidas, imersa em plataformas de conteúdo adulto, estendendo-se até as 6h da manhã. Esse período de isolamento e o uso desregulado da internet são reconhecidos globalmente como fatores que impulsionaram diversas formas de dependência digital, uma vez que a tela se transformou na principal fonte de conexão e entretenimento.
A gravidade da situação tornou-se evidente quando as aulas presenciais foram retomadas. Arleny enfrentava um cansaço extremo e fantasias sexuais incontroláveis com colegas e professores. “Isso mudou a forma como eu via a realidade; passei a ter uma mentalidade muito sexual. Eu sexualizava meus colegas de classe, os professores e até mesmo minha família às vezes. Era muito perturbador e desconfortável. Senti muita vergonha disso”, relatou a jovem em um depoimento público.
Essa experiência sublinha um aspecto crucial do vício em pornografia: a capacidade de alterar a percepção do indivíduo sobre relacionamentos e sexualidade, muitas vezes desumanizando interações e gerando culpa e isolamento. Para Arleny, o consumo era também uma forma de buscar conexão e validação em um período de grande vulnerabilidade. “Eu só queria me sentir amada e queria me sentir vista”, desabafou ela, revelando a busca por preencher um vazio emocional.
Aos 16 anos, após dois anos e meio de dependência, Arleny decidiu mudar o rumo de sua vida. Sufocada pela culpa e pelas noites mal dormidas, ela iniciou um relacionamento amoroso, que trouxe um novo foco. Além disso, a jovem lançou sua própria marca de roupas, canalizando sua energia criativa e buscando alternativas para reeducar seu corpo, que havia sido afetado pelo vício, impedindo-a de atingir orgasmos com o parceiro.
Para superar as recaídas, Arleny adotou estratégias de autoaceitação e reeducação sexual. Ela adquiriu um vibrador e passou a gravar a si mesma despida, utilizando esses vídeos como uma forma de substituir o consumo de conteúdo externo. Esse processo transformou-se em um exercício de autoconhecimento e empoderamento, permitindo-lhe reconstruir sua relação com a própria sexualidade.
Hoje, Arleny considera-se totalmente recuperada e utiliza sua plataforma no TikTok para compartilhar sua história e alertar outras pessoas sobre os perigos da dependência digital e do consumo compulsivo de pornografia. Sua iniciativa visa desmistificar o tema e oferecer apoio a quem enfrenta desafios semelhantes.
A jovem aconselha aqueles que se encontram em situações parecidas a refletir sobre as motivações por trás de seus comportamentos. “Aconselho as pessoas a analisarem a causa raiz daquilo que procuram e o vazio que estão tentando preencher”, conclui Arleny, enfatizando a importância de buscar ajuda e entender as necessidades emocionais subjacentes ao vício.