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Brasil registra subtração de 95 celulares a cada hora, revela anuário de segurança pública

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O Brasil experimentou um volume expressivo de quase 831 mil telefones móveis roubados ou furtados ao longo de 2025, o que se traduz em uma média alarmante de 95 aparelhos subtraídos a cada 60 minutos. Esses dados foram detalhados na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 23 de julho de 2026, e ressaltam a vulnerabilidade da população em centros urbanos, onde a perda vai além do dispositivo, atingindo informações pessoais e financeiras sensíveis.

Crimes de celulares: a predominância em grandes metrópoles

A análise do relatório aponta que a maioria desses incidentes ocorre em capitais e regiões metropolitanas por todo o país. Quatorze cidades que figuram no topo da lista de ocorrências são capitais brasileiras, revelando a concentração do problema em áreas de maior densidade populacional e circulação.

Crédito: Mixvale.com.br

A distribuição geográfica dos delitos mostra uma forte incidência no Nordeste, que abriga oito das cidades com os índices mais elevados. Em seguida, aparecem o Norte e o Sudeste, ambos com seis cidades no ranking. São Luís, capital do Maranhão, lidera a lista nacional, seguida por Belém, no Pará, e São Paulo, a metrópole paulista.

A cidade de São Paulo, apesar de concentrar apenas 5,6% da população nacional, é palco de aproximadamente 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados em território brasileiro, sublinhando sua relevância no cenário da criminalidade ligada a dispositivos móveis.

Dinâmica dos incidentes: tendências e exceções

O levantamento indica uma redução geral de 7,7% nos registros de roubos e furtos de telefones celulares entre 2024 e 2025, com os números caindo de 855.113 para 792.284 ocorrências. Em uma perspectiva mais ampla, a queda é ainda mais acentuada quando comparada ao pico de 2019, que registrou mais de um milhão de casos, atingindo uma diminuição de 25%.

Contrariando a tendência nacional de queda, dois estados registraram aumentos significativos nos números de ocorrências. O Rio de Janeiro observou um crescimento de 22,7%, enquanto a Paraíba teve um incremento de 21,1% nos crimes contra aparelhos móveis.

Em 2025, a maior parte dos crimes (seis em cada dez) foi classificada como furto, totalizando 483.561 casos, um leve aumento de 0,9% em relação ao ano anterior. Já os roubos, que representaram quatro em cada dez incidentes, somaram 308.723 ocorrências e apresentaram uma queda de 18,6%.

Padrões distintos de ocorrência e perfis de vítimas

O estudo detalha os cenários mais comuns para a subtração de celulares, revelando comportamentos criminosos específicos para cada modalidade:

  • Furtos: Predominam nos fins de semana, com 34,5% das ocorrências concentradas aos sábados e domingos. Os horários de maior incidência são entre 10h e 12h, e no fim da tarde, entre 17h e 20h. Locais públicos como ruas (49,3%), estabelecimentos comerciais (15,2%) e transporte público (6,1%) são os mais visados. As vítimas são quase igualmente divididas entre homens (50,3%) e mulheres (49,7%).
  • Roubos: Acontecem majoritariamente durante os dias úteis, representando 73,1% dos casos, com um pico significativo nas sextas-feiras. Há dois períodos de maior incidência: entre 5h e 6h da manhã e, novamente, entre 18h e 23h, atingindo o pico às 20h. Especialistas notam uma alteração no padrão, com maior concentração no período noturno, coincidindo com o retorno das pessoas de suas atividades. O relatório sugere que a noite oferece maior facilidade para fuga dos assaltantes e menor número de testemunhas. A vasta maioria, 77,2%, ocorre em vias públicas. Homens representam a maioria das vítimas, com 59,8% dos casos.

A estratégia dos criminosos e o impacto na população

A transição de roubos para furtos, conforme sugerido pelo relatório assinado pelos especialistas Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pode ser atribuída ao menor risco oferecido pelo furto. Enquanto o roubo envolve confronto direto com a vítima, ameaça ou violência, aumentando as chances de prisão, o furto geralmente ocorre sem contato, em meio a aglomerações, e muitas vezes a vítima só percebe o crime após o ocorrido.

Fatores como o aumento do monitoramento por câmeras, a intensificação da atuação policial e mudanças no comportamento da população podem ter elevado o “custo” e o risco para a prática de roubos. No entanto, criminosos têm buscado maior retorno financeiro nos roubos ao forçar as vítimas a desbloquear o aparelho e fornecer senhas bancárias, o que eleva o potencial de danos para o cidadão. Já nos furtos, os celulares frequentemente permanecem bloqueados, o que reduz seu valor para revenda de peças ou dos próprios dispositivos, diminuindo o lucro do criminoso e, consequentemente, a atratividade do furto para este fim.

Outras revelações importantes do relatório de segurança em 2025

O Anuário de Segurança Pública de 2025 trouxe também outras conclusões relevantes sobre a criminalidade no Brasil, apresentando um panorama mais amplo da violência no país:

  • Os feminicídios atingiram um patamar recorde em 2025, com uma média de quatro mulheres mortas diariamente, em contraste com a redução geral das mortes violentas.
  • O número de assassinatos foi o menor registrado desde 2012, somando 40.775 vítimas, uma diminuição de 8% em comparação com 2024.
  • Outras formas de violência contra a mulher apresentaram alta: violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). Para cada feminicídio consumado em 2025, houve três tentativas.
  • As dez cidades mais violentas do país estão localizadas no Nordeste, sendo que metade delas se concentra na Bahia. Maranguape, no Ceará, liderou o ranking pelo segundo ano consecutivo, sendo o único município a exceder a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes.
  • Santa Catarina registrou a menor taxa de mortes violentas do país, com 7,6 por 100 mil habitantes, superando São Paulo, que detinha essa posição desde 2014.
  • Mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos também apresentou variações.