
Henryk Siwiak — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com
Naquele 11 de setembro de 2001, em Nova York, enquanto a cidade e o mundo acompanhavam o horror dos ataques terroristas às Torres Gêmeas, um drama distinto se desenrolava nas ruas do Brooklyn. Horas após os aviões atingirem o World Trade Center, um imigrante polonês de 46 anos foi fatalmente baleado, tornando-se a última vítima registrada daquele dia fatídico cujo caso de assassinato permanece um enigma insolúvel até hoje.
Henryk Siwiak, pai de dois filhos, tinha 46 anos e buscava uma vida melhor nos Estados Unidos. Ele havia chegado ao país menos de um ano antes da tragédia, deixando a esposa, Ewa, e os filhos, Gabriela e Adam, em sua cidade natal, Cracóvia, na Polônia. A deterioração das condições econômicas em seu país o impulsionou a cruzar o Atlântico em busca de trabalho e de um futuro mais próspero para sua família.
Infelizmente, seu percurso nos EUA tomou um rumo sinistro. Siwiak foi encontrado morto no Brooklyn pouco antes da meia-noite daquele 11 de setembro, com seu óbito registrado às 23h42. Sua morte o marcou como a última pessoa a falecer naquele dia, e seu assassinato é o único homicídio não resolvido em Nova York na data em que a cidade foi palco dos maiores ataques terroristas de sua história.
A comoção e o caos generalizado em Nova York após os atentados desviaram massivamente os recursos policiais. O Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) enfrentou uma escassez crítica de efetivo e atenção para dedicar-se ao caso de Siwiak. A ausência de testemunhas oculares no local do crime tornou a investigação ainda mais desafiadora desde o início, contribuindo para a inércia.
Apesar dos anos que se passaram, o caso de Henryk Siwiak ainda é classificado como ativo pelo NYPD, que periodicamente solicita novas informações à população. O contraste entre a clareza global sobre os autores dos ataques às Torres Gêmeas e a total obscuridade do assassinato de Siwiak no mesmo dia ressalta como a grandiosidade de uma tragédia pode, paradoxalmente, ofuscar as histórias individuais de injustiça, tornando este um dos crimes mais singulares e esquecidos na história recente da cidade.
Ao longo dos anos, diversas hipóteses sobre o assassinato de Siwiak foram levantadas pelos investigadores, mas nenhuma delas foi comprovada de forma conclusiva. Uma das teorias mais discutidas sugere que ele pode ter sido vítima de uma tentativa de roubo. No entanto, sua família questionou essa possibilidade, já que a carteira de Siwiak, contendo dinheiro, foi encontrada intacta em seu bolso. Investigadores da época, contudo, afirmaram que a presença de dinheiro não descarta necessariamente uma tentativa de roubo, pois o agressor poderia ter fugido antes de concretizar o roubo ou a situação pode ter escalado inesperadamente para a violência letal.
Outra linha de investigação considerou a possibilidade de que sua aparência, incluindo roupas de estilo militar que ele vestia e seu sotaque estrangeiro, possa tê-lo feito ser confundido com um terrorista em meio ao pânico e à xenofobia que se instalaram na cidade. Especialistas, como o ex-comandante do NYPD Tom Joyce, defenderam publicamente que o caso seja reavaliado com tecnologias e métodos modernos de investigação, na esperança de finalmente desvendar o mistério que envolve a morte de Henryk Siwiak e trazer justiça à sua família.