
Greve de bancários da Caixa em Araraquara (SP) — Sindicato dos Bancários/Divulgação Crédito: Mixvale.com.br
Os funcionários da Caixa Econômica Federal decidiram, em assembleia realizada na noite de 11 de setembro de 2026, rejeitar a mais recente proposta apresentada pela direção da instituição para o Acordo Coletivo de Trabalho. A deliberação assegura a continuidade da paralisação, iniciada no dia anterior em diversas localidades do país, agora por tempo indeterminado.
A decisão de manter a greve foi consolidada após a apuração dos votos, que indicou uma forte oposição à proposta. Dados divulgados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, com contagem finalizada às 23h de 11 de setembro de 2026, mostraram que 68% dos participantes votaram contra o texto. Este resultado reflete uma insatisfação persistente da categoria.
A proposta rejeitada havia sido elaborada pela Caixa Econômica Federal logo após a reabertura do diálogo com os representantes dos funcionários. O principal objetivo do banco público era encerrar a paralisação, que já impactava as operações em todo o território nacional.
A oferta que não obteve a aprovação dos trabalhadores incluía a concessão de um abono de R$ 3 mil para cada profissional do banco, com previsão de depósito em 18 de setembro de 2026. Este montante faria parte de um pacote financeiro que também contemplava o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), salários corrigidos e a bonificação Super Caixa.
No entanto, o ponto mais sensível e principal motivo do impasse entre a direção e os funcionários reside nas alterações propostas para o Saúde Caixa, o plano de assistência médica do banco. A oferta previa um aumento da contribuição patronal de 6,5% para 8% do teto. Para os bancários, qualquer alteração que possa impactar a cobertura ou os custos do benefício de saúde é vista com grande preocupação, sendo um pilar fundamental da negociação coletiva e um dos direitos mais valorizados pela categoria.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) já havia registrado uma rejeição superior a 90% dos sindicatos filiados contra uma versão preliminar do Acordo Coletivo de Trabalho, evidenciando a profundidade do descontentamento da categoria desde o início das negociações.
A Caixa Econômica Federal comunicou que, caso a proposta não fosse aprovada pelo funcionalismo, ela seria retirada. A diretoria da empresa chegou a ameaçar instaurar um dissídio coletivo, submetendo o impasse à análise da Justiça do Trabalho. O banco reiterou que buscou um entendimento prévio e se manteve aberto às discussões com as lideranças sindicais.
Com a manutenção da greve, os piquetes operacionais permanecem ativos em diversas agências pelo país, mantendo as portas fechadas sem uma data definida para a retomada das atividades presenciais.
Diante do fechamento das unidades físicas de atendimento, a Caixa orientou seus clientes a utilizarem os canais digitais e parceiros para realizar suas transações e serviços bancários. A continuidade da greve reforça a necessidade de buscar essas alternativas:
Esses canais são essenciais para garantir o acesso a serviços como pagamentos, transferências, consultas e outras operações bancárias enquanto a paralisação persistir.