
O atleta Ben Shelton eliminou o tenista Carlos Alcaraz do US Open na última terça-feira — Foto: AFP Crédito: Extra.globo.com
O tenista norte-americano Ben Shelton, que recentemente consolidou seu lugar no circuito da ATP ao superar Carlos Alcaraz em uma maratona no US Open, revelou um ponto de partida bastante peculiar para sua jornada no esporte. Aos 12 anos, a decisão de se dedicar seriamente às quadras foi motivada, surpreendentemente, pela perspectiva de escapar das aulas e desfrutar de viagens pelo país.
A história por trás do interesse de Shelton pelo tênis veio à tona em uma entrevista concedida à sua patrocinadora. O atleta explicou que a rotina da irmã mais velha, Emma, que já participava de torneios juvenis em outras cidades, despertou sua curiosidade. Ver a irmã viajar e se hospedar em hotéis, tudo isso em nome do esporte, pareceu-lhe uma oportunidade irresistível.
“Sinceramente? Eu via minha irmã jogar todos esses torneios, viajar para tantos lugares diferentes. Pensei: ‘Poxa, ela consegue faltar à escola para praticar esportes, viajar e ficar em hotéis’”, compartilhou o tenista, que hoje figura entre os dez melhores do ranking ATP. Essa confissão oferece uma perspectiva humana e inesperada sobre como uma carreira de elite pode começar, desmistificando a ideia de que a paixão intrínseca é sempre o único motor inicial.
Apesar da chegada tardia e despretensiosa ao tênis, Shelton cresceu em Gainesville, Flórida, imerso em um ambiente totalmente conectado à modalidade. Seu pai, Bryan Shelton, foi um tenista profissional que alcançou o top 55 do ranking mundial da ATP e, posteriormente, destacou-se como técnico universitário. Além disso, seu tio, Todd Witsken, também teve uma carreira notável, chegando a estar entre os cinco melhores em duplas nas décadas de 1980 e 1990.
Mesmo com essa estrutura familiar e acesso privilegiado ao esporte, o jovem Ben não demonstrava interesse pelo tênis na infância. Sua paixão principal até o início da pré-adolescência era o futebol americano, onde atuava como quarterback. Sua habilidade para arremessos com o braço esquerdo e seu perfil físico o mantiveram focado nos gramados escolares, período em que o ritmo individual e as sessões de treino do tênis não o atraíam.
A mudança definitiva para o tênis ocorreu quando Shelton aceitou participar dos primeiros torneios regionais, seduzido pela rotina de viagens que tanto o fascinava. A partir dessa transição, ele passou a ser treinado pelo próprio pai, ingressou no sistema universitário da Universidade da Flórida e conquistou o prestigiado título nacional individual da NCAA antes de se profissionalizar em 2022.
Esse percurso, que começou com uma motivação tão incomum, culminou em títulos no circuito profissional e vitórias expressivas sobre atletas do topo do ranking mundial, como a recente sobre Carlos Alcaraz. A trajetória de Ben Shelton demonstra que, por vezes, os caminhos para o sucesso são traçados por razões inesperadas, mas que a dedicação e o talento, uma vez descobertos, podem levar a conquistas extraordinárias.