
Parque Nacional de Yellowstone — Foto: Reprodução site do parque Crédito: Extra.globo.com
O Parque Nacional de Yellowstone, uma das mais emblemáticas reservas naturais dos Estados Unidos, tem sido palco de uma série de eventos extraordinários nos últimos dias, combinando intensa atividade sísmica, sinais de potencial erupção vulcânica e um surpreendente ataque de um bisão a um visitante. A confluência desses fenômenos naturais caóticos tem gerado atenção e preocupação na região central do país, que abriga o famoso supervulcão.
Situado nas fronteiras dos estados de Wyoming, Montana e Idaho, o parque experimentou na última quinta-feira um abalo sísmico de magnitude 3.3 na escala Richter. Este tremor foi detectado nas imediações do rio de Yellowstone, a aproximadamente 11 quilômetros da vasta caldeira vulcânica homônima, uma imensa depressão geológica que caracteriza a reserva.
A preocupação com a atividade vulcânica em Yellowstone não é recente. Uma pesquisa de 2025, conduzida por cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), revelou a ocorrência de milhares de tremores na área que poderiam sinalizar uma iminente erupção. Utilizando inteligência artificial para analisar dados sísmicos dos últimos 15 anos, a equipe identificou 86 mil abalos de baixa intensidade, muitos dos quais não haviam sido detectados por métodos de monitoramento anteriores, o que demonstra uma complexidade geológica maior do que se imaginava.
Adicionalmente, somente na última semana, o USGS reportou 11 novos pequenos tremores ao redor da caldeira. Embora não sejam incomuns, a concentração desses eventos levanta questionamentos sobre a estabilidade do sistema vulcânico. Uma eventual erupção de Yellowstone, classificado como um supervulcão, poderia ter consequências devastadoras não apenas para a região central dos EUA, mas também afetar cidades distantes como Denver, Boise e Salt Lake City, alterando o clima global e a vida no continente.
Um estudo de 2025, realizado por pesquisadores das universidades de Utah e do Novo México, indicou que o topo da câmara de magma subterrânea de Yellowstone está a meros 3,7 quilômetros da superfície. Essa proximidade pode intensificar a pressão e a liberação de gases, fatores que potencialmente desencadeiam a atividade vulcânica. No entanto, os cientistas ressaltam que esta condição não é uma garantia de que uma erupção esteja próxima.
Historicamente, a caldeira de Yellowstone teve sua última grande erupção há cerca de 640 mil anos, precedida por outra explosão há 725 mil anos. Se o vulcão seguisse um padrão temporal, haveria ainda milhares de anos até um novo episódio eruptivo. Contudo, não existe comprovação científica de que tais fenômenos geológicos obedeçam a intervalos regulares, mantendo um cenário de incerteza para a comunidade científica.
Em meio à efervescência sísmica e à especulação sobre o futuro geológico do parque, um incidente inusitado de natureza selvagem chamou a atenção: um homem de 65 anos foi arremessado a 2,4 metros de altura por um bisão. Carl Isom-McDaniel, que passeava com seu neto na última sexta-feira, tentou fotografar o animal, resultando em um ataque inesperado.
Carl Isom-McDaniel sofreu múltiplas fraturas e dores intensas na perna, necessitando de atendimento médico imediato e socorro de uma ambulância. Apesar da gravidade do impacto, ele permaneceu consciente e, surpreendentemente, fez piadas enquanto aguardava assistência, indicando que, felizmente, os ferimentos não foram fatais.
O momento dramático foi capturado por Mike MacLeod, um fotógrafo especializado em natureza e vida selvagem, que registrava o comportamento do bisão. O vídeo do incidente rapidamente se tornou viral nas redes sociais. MacLeod relatou em seu Instagram que o avô e o neto mantinham uma distância que considerava respeitosa, mas o bisão investiu contra eles de forma súbita. O neto conseguiu fugir, mas Carl foi perseguido e arremessado.
O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos (NPS), responsável pela gestão de Yellowstone, não divulgou informações oficiais sobre o estado de saúde do turista ou detalhes do ataque. Em seu website, o parque adverte que todos os animais selvagens da área são potencialmente perigosos, mesmo quando aparentam calma.
As diretrizes de segurança do parque recomendam uma distância mínima de 90 metros para ursos, lobos e pumas, e de pelo menos 23 metros para bisões, alces e outros grandes mamíferos. A orientação é que, caso um animal se aproxime, os visitantes devem se afastar imediatamente para restabelecer a distância segura. Mike MacLeod, o fotógrafo que testemunhou o ocorrido, afirmou que o homem atacado seguia essas recomendações, reforçando a imprevisibilidade da fauna selvagem em seu habitat natural.