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Viúva Negra iraniana é sentenciada à morte por matar ao menos dez maridos

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Uma mulher iraniana, apelidada de “Viúva Negra”, foi sentenciada à pena capital após ser considerada culpada pelo assassinato de, no mínimo, dez de seus maridos. A decisão foi proferida por um tribunal na semana passada, seguindo deliberações com os familiares das vítimas que exerceram seu direito sob a lei islâmica.

A Condenação e o Sistema Legal Iraniano

A iraniana Kolthoum Akbari, de 56 anos, recebeu a sentença de morte por uma série de homicídios que se estenderam por duas décadas na província de Mazandaran. O sistema judicial iraniano, baseado na Sharia, concede às famílias das vítimas a prerrogativa de escolher entre o “qisas” — a punição de “olho por olho”, que no caso de homicídio significa a pena de morte — ou a aceitação de uma indenização financeira, conhecida como “diya”.

Kolthoum Akbari — Foto: Reprodução/X Crédito: Extra.globo.com

Nesse contexto específico, dez das famílias envolvidas optaram pela aplicação do qisas, enquanto pelo menos uma família concordou em receber a compensação financeira em vez da execução. Essa particularidade da lei islâmica confere um papel direto aos herdeiros legais na determinação da pena máxima, diferentemente de muitos sistemas jurídicos ocidentais onde a decisão sobre a pena capital é exclusiva do Estado. Para que Kolthoum pudesse ser poupada integralmente da execução, seria necessário que todas as famílias das vítimas concordassem com o perdão ou a indenização.

Padrão de Assassinatos e Métodos Utilizados

As investigações indicam que Kolthoum Akbari pode ter sido responsável pela morte de até 12 homens, embora o número exato de vítimas ainda seja objeto de apuração. A maioria dos assassinatos teria sido perpetrada através da administração de uma combinação de álcool isopropílico, sedativos e outras substâncias entorpecentes. Em uma de suas confissões, obtida há cerca de um ano, ela declarou: “Não sei quantos matei. Talvez tenham sido 13 ou 15 pessoas. Não me lembro exatamente. Eu os dopava e depois usava uma toalha”.

Nascida no vilarejo de Malekabad, Kolthoum se divorciou de seu primeiro cônjuge. Ela admitiu ter assassinado seu segundo marido, Alijan, alegando a familiares dele ter sido vítima de agressões no passado. Para este crime, ela confessou ter despejado álcool industrial na boca da vítima antes de sufocá-lo. A dispersão das vítimas por diversas cidades dificultou a identificação de um padrão e a consequente captura da “Viúva Negra” por muitos anos.

A Descoberta e o Fim da Trajetória Criminosa

A série de crimes de Kolthoum Akbari chegou ao fim em 2023, após a morte de seu último marido, Gholamreza Babaei, de 82 anos. As autoridades suspeitam que a motivação principal por trás dos assassinatos fosse a ganância. A criminosa teria se apropriado de ouro, dinheiro em espécie e outros bens que faziam parte dos dotes de suas vítimas, acumulando patrimônio ilícito ao longo das duas décadas de atividade criminosa.

A Ganância como Motivação e o Confisco de Bens

A Justiça da província de Mazandaran determinou o congelamento e o confisco de todos os bens e propriedades acumulados por Kolthoum Akbari. Essa medida visa cobrir os custos das indenizações aceitas pelas famílias e restituir o patrimônio que foi roubado dos maridos assassinados. O caso evidencia a complexidade de crimes em série motivados por lucro, que exploram vulnerabilidades e se estendem por longos períodos antes da detecção.