
Crédito: Mixvale.com.br
Um episódio que levanta questionamentos sobre a conduta em ambientes judiciais virtuais ocorreu em Minas Gerais, no dia 10 de agosto de 2026. Durante uma sessão de julgamento realizada remotamente, um magistrado foi registrado em vídeo ingerindo bebida alcoólica e fumando, o que levou à interrupção imediata dos trabalhos.
As imagens do ocorrido, que rapidamente ganharam repercussão, mostram o juiz de direito auxiliar de 2º grau, Milton Lívio Lemos Salles, bebendo diretamente de uma garrafa de vinho. O magistrado, que atua no 4º Núcleo de Justiça 4.0 Cível Família, vinculado à segunda instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), também foi visto acendendo um cigarro com um maçarico e fumando enquanto uma pessoa se movimentava ao fundo da cena.
Judge is caught drinking wine and smoking cigars in virtual trial in Minas Gerais; TJMG finds out https://t.co/8yFZkdMtw2 #judge #judicialconduct #MinasGerais #onlinetrial pic.twitter.com/h1iIwAn9Qc
— MixVale (@Mixvale) August 11, 2026
A gravação do evento evidencia o momento em que o juiz Milton Lívio Lemos Salles, responsável pela condução da audiência, faz uso do vinho e do charuto. A sessão, que ocorria por videoconferência, foi prontamente interrompida após a percepção da atitude do magistrado pelos demais participantes. Este tipo de conduta em um ato oficial do judiciário contrasta fortemente com o decoro esperado para o ambiente jurídico, mesmo em formato virtual.
Ao tomar conhecimento do incidente, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) agiu rapidamente, emitindo uma nota oficial. O órgão solicitou uma “apuração imediata e rigorosa” dos fatos. Além disso, foi instaurado um procedimento para investigar uma possível falta funcional, que será analisada pela Corregedoria-Geral de Justiça e pelo Órgão Especial do Judiciário estadual mineiro. A celeridade na resposta do Tribunal sublinha a gravidade atribuída ao caso.
Até o momento, não há informações disponíveis sobre o reagendamento da sessão ou a designação de um substituto para o juiz Milton Lívio Lemos Salles. Também não foi possível obter um posicionamento do magistrado a respeito do ocorrido.
A conduta de magistrados é balizada por um conjunto de normas estritas, que visam preservar a dignidade e a confiança no sistema de justiça. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN), em seu artigo 35, inciso VIII, estabelece que o juiz deve “manter conduta irrepreensível na vida pública e particular”. Este princípio é crucial para a credibilidade do Poder Judiciário e para a percepção pública de imparcialidade e seriedade.
Adicionalmente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) possui diretrizes específicas para a realização de atos processuais por videoconferência. A Resolução CNJ nº 465/2022, por exemplo, determina que audiências e sessões virtuais devem seguir os mesmos padrões de conduta e liturgia dos atos presenciais, incluindo a exigência de trajes adequados, como terno ou toga. Essas regras existem para garantir que, mesmo à distância, a solenidade e a seriedade dos procedimentos judiciais sejam mantidas, assegurando o respeito à Justiça e aos jurisdicionados.