
Homem foi retirado de avião por usar camisa com protesto contra bombardeio infantil — Foto: Reprodução/YouTube CBS News Crédito: Extra.globo.com
Um passageiro foi impedido de embarcar em um voo da United Airlines no aeroporto de Atlanta, nos Estados Unidos, após se recusar a trocar uma camiseta que trazia uma mensagem de protesto contra ataques a crianças. O incidente ocorreu em 4 de junho, quando Sam Saadeh, de ascendência palestina, foi abordado pela tripulação da aeronave.
Sam Saadeh, um cidadão americano, vestia uma camisa com a frase “Bombardear crianças não é legítima defesa” enquanto se preparava para viajar para Nova Jersey. Um supervisor de bordo da United Airlines o abordou, afirmando que a vestimenta era considerada ofensiva. O funcionário da companhia aérea apresentou um ultimato: “troque de camisa ou não poderá seguir no voo”.
O passageiro questionou a natureza da ofensa, mas foi informado de que suas opções eram limitadas. Ele relatou à emissora que o supervisor mencionou que uma aeromoça havia achado sua camisa ofensiva, sem maiores detalhes sobre o motivo específico.
A mensagem na camisa de Saadeh era um claro protesto contra os ataques de Israel na Faixa de Gaza, que resultaram em um alto número de vítimas infantis. Um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que mais de 20.000 crianças foram mortas na região em ofensivas descritas como direcionadas. O governo israelense, por sua vez, refutou o relatório da ONU, negando ter civis como alvos deliberados em suas operações.
Este contexto é crucial para entender a sensibilidade da situação, onde questões de liberdade de expressão e a interpretação de conteúdo “ofensivo” se chocam com um conflito internacional de grande visibilidade e impacto humanitário. A decisão da companhia aérea levanta discussões sobre a aplicação de suas políticas em cenários politicamente carregados.
Após a abordagem, Saadeh optou por não seguir viagem com a United Airlines, sentindo-se constrangido, e buscou outra companhia para chegar a Nova Jersey. Ele tentou obter esclarecimentos de outros funcionários da United sobre o motivo da recusa de embarque, mas não conseguiu respostas satisfatórias. Uma funcionária insistiu que a camisa era “ofensiva”, sem explicar o porquê, em um diálogo que Saadeh descreveu como infrutífero.
As regras da United Airlines, disponíveis em seu website, permitem que a empresa negue transporte a passageiros cujas roupas sejam consideradas “indecentes, obscenas ou ofensivas”. Saadeh apresentou uma reclamação formal junto ao Departamento de Transporte dos Estados Unidos e está buscando aconselhamento jurídico para explorar possíveis recursos legais contra a companhia.
Um porta-voz da United Airlines apresentou uma versão diferente dos acontecimentos em um comunicado. Segundo a companhia, o passageiro “voou conforme o programado após trocar de camisa”. Esta declaração contrasta com o relato de Saadeh, que afirmou ter mudado de empresa aérea para completar sua viagem.
Para Saadeh, a mensagem de sua camiseta é universal: “Para mim, esta camiseta deixa muito claro que eu acho errado bombardear crianças… independentemente de você ser palestino ou de Mobile, Alabama”, concluiu, ressaltando o caráter humanitário de sua manifestação.