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A seleção argentina de futebol assegurou seu lugar na grande decisão da Copa do Mundo FIFA 2026 após protagonizar uma virada histórica contra a Inglaterra. O confronto, disputado na última quarta-feira, 26 de junho, em Atlanta, terminou com o placar de 2 a 1 para os sul-americanos, que agora se preparam para enfrentar a Espanha na final. A partida decisiva ocorrerá no próximo domingo, em Nova Jersey, às 16h, onde a equipe buscará seu quarto título mundial e a sétima aparição em finais do torneio.
O duelo, carregado de tensão e expectativas, entregou um segundo tempo eletrizante que desafiou os torcedores ingleses e fez a alegria dos argentinos em todo o mundo. Anthony Gordon abriu o placar para a Inglaterra no início da etapa complementar. Contudo, a equipe europeia adotou uma postura mais defensiva, o que permitiu à Argentina intensificar sua pressão ofensiva. Os gols de empate e da virada, marcados por Enzo Fernández e Lautaro Martínez, respectivamente, aconteceram em um intervalo de apenas seis minutos (aos 40 e 46 do segundo tempo), inscrevendo o jogo entre os confrontos memoráveis da história das Copas.
A etapa inicial do confronto em Atlanta foi marcada por uma notável escassez de lances ofensivos e oportunidades claras de gol. O aspecto técnico do futebol ficou em segundo plano, com a primeira finalização digna de registro ocorrendo apenas aos 32 minutos, em um cabeceio sem grande perigo de John Stones, após cobrança de falta. Este lance isolado ilustrou a dificuldade de ambas as seleções em construir jogadas de ataque.
Além da falta de emoção e dos apenas três minutos de acréscimo, a primeira metade foi pontuada por um alto número de faltas. A Inglaterra cometeu sete infrações, enquanto a Argentina registrou doze. Apesar do volume de interrupções, o árbitro Ismail Elfath distribuiu apenas dois cartões amarelos: um para Elliot Anderson, por falta em Messi, e outro para Lisandro Martínez, por falta em Morgan Rogers. O primeiro tempo terminou sem chutes diretos a gol e com apenas três tentativas de finalização no total, sendo duas da Argentina e uma da Inglaterra, refletindo um embate tático cauteloso.
O reinício da partida em Atlanta trouxe uma dinâmica completamente diferente. Logo no início, Julián Álvarez desferiu um chute potente dentro da área, exigindo uma defesa crucial do goleiro Jordan Pickford, e continuou a gerar perigo em sequência. No entanto, o ímpeto argentino foi momentaneamente contido quando um lançamento lateral encontrou Rogers, que cruzou com precisão para Gordon. O atacante se posicionou por trás de Nahuel Molina e abriu o placar aos 9 minutos do segundo tempo.
A resposta argentina foi imediata, com a equipe intensificando a pressão na área inglesa. Diversas oportunidades foram criadas, incluindo uma defesa de Pickford em chute de Nico González e uma bola na trave de Alexis Mac Allister. A persistência foi recompensada nos momentos finais: Enzo Fernández, após escanteio, aproveitou um rebote para balançar as redes e empatar o jogo. Com um estilo envolvente, a Argentina manteve a pressão até consolidar a virada. O segundo gol nasceu de uma jogada iniciada por Lionel Messi. Depois de mais uma bola na trave de Mac Allister, Messi avançou pela direita e cruzou para Lautaro Martínez, que não perdoou, marcando o gol que incendiou a festa da torcida argentina em Atlanta.
A performance de Lionel Messi foi tão decisiva que a própria FIFA a descreveu como “a direita de Deus”, em uma clara alusão ao célebre gol de Maradona na Copa de 1986. Embora o craque não tenha marcado nos últimos dois jogos, sua influência é inegável e fundamental para o que muitos consideram a maior geração da história do futebol argentino. O camisa 10, com sua perna esquerda, foi crucial na pressão ofensiva e deu o passe para o potente chute de Enzo Fernández. Em seguida, com a perna direita, avançou e cruzou para o gol de Lautaro Martínez, após cem minutos de bola rolando. Sua atuação vai além da mera genialidade, mostrando uma capacidade de liderança e criação que redefine seu papel no campo.
A dupla mais aguardada da seleção inglesa, formada por Harry Kane e Jude Bellingham, teve um desempenho aquém do esperado para quem sonhava em alcançar uma final após sessenta anos. Ao longo dos cem minutos de jogo, Kane registrou apenas uma finalização bloqueada, e ambos os jogadores sequer ameaçaram o gol defendido por Emiliano “Dibu” Martínez. Em contrapartida, o ponto alto da equipe inglesa foi justamente Gordon, o autor do único gol, e Djed Spence, que realizou uma defesa crucial salvando uma chance clara da Argentina, destacando-se com uma excelente partida. Ao apito final, Spence desabou no gramado, visivelmente desapontado com a derrota.
O técnico Lionel Scaloni realizou uma alteração estratégica na escalação inicial, substituindo De Paul por Giuliano Simeone. Mesmo após sofrer o primeiro gol, sua equipe reagiu com notável paciência, coragem e um vasto repertório tático, encurralando a seleção inglesa. O treinador argentino está a apenas um passo de igualar um recorde que perdura há 88 anos em Copas do Mundo. Scaloni, que já conduziu a Argentina ao título da Copa de 2022, alcança novamente a decisão. Caso vença a Espanha no domingo, ele se tornará o segundo técnico na história a conquistar o Mundial duas vezes. Essa façanha o colocaria ao lado do lendário italiano Vittorio Pozzo, que liderou a Itália nos bicampeonatos de 1934 e 1938, um feito que ressalta a importância de sua gestão e a consistência de sua equipe.