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Última resgatada do WTC no 11 de Setembro narra encontro com ‘anjo’ e superação de trauma duas décadas e meia depois

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A história de Genelle Guzman McMillan, a última pessoa a ser retirada com vida dos escombros do World Trade Center após os ataques de 11 de setembro de 2001, continua a ser um testemunho impressionante de resiliência e fé. Duas décadas e meia após o cataclismo que abalou Nova York, a ex-funcionária da Autoridade Portuária, que trabalhava no 64º andar da Torre Norte, reviveu os momentos de terror e a aparição misteriosa de um homem que a amparou sob as ruínas.

O Começo do Pesadelo na Manhã de 11 de Setembro

Naquela fatídica manhã, Genelle, então com 30 anos, seguia sua rotina diária de trabalho. O primeiro impacto, às 8h46, sacudiu violentamente o arranha-céu. Pouco depois, um segundo abalo – provocado pela colisão do outro avião com a Torre Sul – levou-a e uma colega, Rosa, a iniciar a descida pelas escadas de emergência. A agonia nos pés, causada pelos sapatos de salto alto, fez com que Genelle parasse no 13º andar para retirá-los. Foi nesse instante, às 10h28, que a Torre Norte desabou, transformando o ambiente ao seu redor em um cenário de caos e destruição.

A história de Genelle se tornou uma obra literária anos após o atentado — Foto: Reprodução Crédito: Extra.globo.com

“Tudo explodiu. Tudo desmoronou e caiu sobre mim”, recordou Genelle sobre o momento devastador.

27 Horas de Angústia Sob as Ruínas

Imobilizada e com o corpo perfurado por vergalhões de aço, Genelle passou 27 longas horas soterrada. Na escuridão absoluta, a dor e o pavor se misturavam a uma sensação de irrealidade.

“Senti como se estivesse lá para sempre. Pensei que estava sonhando. Imaginei que isso só podia ser um sonho. Que não estava acontecendo. E não sabia se alguém ia me encontrar. Simplesmente fiquei deitada lá”, descreveu ela, relembrando a confusão mental provocada pelo trauma.

Mesmo incapaz de se mover ou gritar devido à poeira que sufocava sua boca e nariz, ela podia ouvir os esforços de resgate ao seu redor. “Ouvi tudo o que estava acontecendo. Ouvi alguém gritar por socorro em uma voz muito fraca. Eu ouvia os caminhões e os rádios comunicadores disparando. Mas por algum motivo eu não conseguia gritar”, relatou, destacando a impotência diante da proximidade da morte.

A Aparição de um Anjo Misterioso na Escuridão

À medida que a esperança diminuía, Genelle recorreu à fé, pensando em sua filha, Kimberly, então com 12 anos. Foi nesse momento de desespero que, segundo seu relato, uma voz surgiu na escuridão.

“Eu decidi rezar. Eu simplesmente sabia que queria viver porque queria ver minha filha. Estava me preparando para morrer. Mas aí eu decidi rezar. E eu disse: ‘Meu Deus, não aguento mais’, quando ouvi alguém me chamar. Senti como se ele dissesse: ‘Eu te protejo. Meu nome é Paul'”, detalhou a americana.

O homem, identificado apenas como Paul, estendeu-lhe a mão e prometeu não soltá-la. “Ele segurou minha mão. E eu segurei a mão dele. Ele falava comigo, dizendo: ‘Vai ficar tudo bem. Não vou te soltar'”, adicionou Genelle, descrevendo o conforto inesperado em meio ao terror.

Recuperação, Amor e a Sombra do Trauma

Após ser resgatada, Genelle enfrentou um longo e doloroso processo de recuperação, com ferimentos graves que incluíam uma perna esmagada, quase amputada. Seu então namorado, Roger McMillan, foi seu pilar fundamental durante esse período. No hospital, um pedido inusitado selou o destino do casal: “Eu disse: ‘Querido, quando eu sair, vamos à prefeitura e nos casamos'”. O casamento ocorreu em 7 de novembro daquele ano, apenas dois meses após os ataques.

Roger, hoje com 58 anos, reflete sobre a experiência: “Nós nos valorizamos mutuamente, sabendo que havia 99% de chance de eu quase perder alguém por quem me apaixonei”. O casal construiu uma vida e uma família em Long Island, nos arredores de Nova York.

Apesar da superação e da felicidade conjugal, o trauma do 11 de Setembro deixou marcas profundas. Roger observa o “remorso de sobrevivente” que acompanha a esposa: “Ela tem uma espécie de remorso de sobrevivente: ‘Por que meus colegas de trabalho morreram e eu sobrevivi?'”. Este sentimento é uma reação psicológica comum em indivíduos que presenciam ou sobrevivem a eventos catastróficos, questionando sua própria sorte em detrimento de outros. Genelle, como a última pessoa retirada viva, carrega o peso simbólico dessa tragédia.

O Legado de Uma Sobrevivência e o Mistério de ‘Paul’

Em 2011, Genelle Guzman McMillan eternizou sua jornada no livro “Anjo nos Escombros”, onde compartilha os detalhes de sua sobrevivência milagrosa. O homem misterioso que a acalmou e segurou sua mão sob as ruínas, Paul, nunca foi encontrado.

“Nunca encontramos Paul. Então chegamos à conclusão de que Paul era realmente o meu anjo”, conclui Genelle, transformando a figura enigmática em um símbolo de esperança e intervenção divina em um dos momentos mais sombrios da história americana. Sua história continua a inspirar, lembrando o poder da fé e da resiliência humana diante da adversidade extrema.