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Trump reitera acusações de fraude eleitoral e aponta suposto acesso chinês a dados; agências refutam

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Em um pronunciamento da Casa Branca na terça-feira, 16 de julho de 2026, o ex-presidente Donald Trump voltou a levantar questionamentos sobre a segurança das eleições nos Estados Unidos, reiterando alegações de que o pleito de 2020 foi fraudado. Durante sua fala, o líder republicano apresentou documentos desclassificados e acusou a China de ter acessado dados de eleitores norte-americanos e tentado influenciar a eleição de 2020, afirmações que contrastam com o posicionamento das agências de inteligência do país.

Discurso sobre a integridade eleitoral e contestações oficiais

Desde a eleição presidencial de 2020, Donald Trump tem mantido uma narrativa persistente de que o processo democrático foi comprometido por irregularidades generalizadas. Em seu recente discurso, ele defendeu que “todo americano merece saber que, ao votar, seu voto será contado com precisão em um sistema onde a fraude e a interferência não são apenas difíceis, mas praticamente impossíveis”, acrescentando que o sistema atual “fica catastroficamente aquém desse padrão”. Essa visão sustenta sua argumentação pela necessidade de reformas eleitorais profundas.

No entanto, essas alegações foram sistematicamente refutadas por autoridades de ambos os partidos políticos e por especialistas independentes em segurança eleitoral. A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura (CISA), órgão federal responsável pela proteção de infraestruturas críticas dos EUA, já havia declarado que a eleição de 2020 foi a “mais segura da história americana”, sem qualquer evidência crível de comprometimento em larga escala dos sistemas de votação. A CISA também assegurou que não houve “evidência de qualquer atividade maliciosa” que afetasse a integridade das eleições de 2024, e auditorias independentes e recontagens em estados-chave confirmaram a precisão dos resultados, reforçando a segurança do processo democrático.

Alegações de acesso chinês a dados de eleitores e o panorama dos registros públicos

Um dos pontos de maior destaque do discurso de Trump foi a afirmação de que a China teria tido acesso a “centenas de milhões” de registros de eleitores. O ex-presidente declarou que sua administração está empenhada em “mitigar as consequências” desse suposto acesso e que está “em processo de informar governadores, senadores e membros do Congresso sobre potenciais problemas em seus estados”. Ele também mencionou um briefing a ser conduzido pelo Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, para detalhar investigações sobre vulnerabilidades cibernéticas.

Especialistas em eleições, contudo, oferecem uma perspectiva mais detalhada sobre a natureza dos dados de eleitores. David Becker, diretor executivo do Centro para Inovação e Pesquisa Eleitoral e colaborador da CBS News, explicou que “os arquivos de eleitores nos Estados Unidos são públicos”. Becker detalhou que muitos estados, como Ohio e Carolina do Norte, disponibilizam esses dados gratuitamente online, enquanto outros, como a Califórnia, cobram uma taxa simbólica. Esses registros são amplamente utilizados por campanhas políticas e organizações cívicas para fins legítimos, como contato com eleitores e direcionamento de mensagens. Para os especialistas, o acesso a dados públicos não confere a capacidade de alterar registros, votar em nome de terceiros ou manipular diretamente o resultado de uma eleição, minimizando o risco de interferência efetiva por parte de atores estrangeiros, diferenciando-o de uma invasão de sistemas de votação.

Proposta legislativa para o sistema de votação nos EUA

Durante seu pronunciamento, o ex-presidente Trump enfatizou a urgência de o Congresso americano aprovar o projeto de lei conhecido como “SAVE America Act”. Ele declarou enfaticamente que “O Congresso deve aprovar o SAVE America Act”, detalhando que a proposta exige que “todos os eleitores mostrem um documento de identificação com foto” e que “todos os eleitores devem fornecer prova de cidadania”.

A iniciativa faz parte de um esforço contínuo do ex-presidente para reformar a legislação eleitoral, visando o que ele descreve como a “proteção da integridade do voto” e a prevenção de supostas fraudes. O projeto de lei, que tem sido objeto de controvérsia e debate intenso, demandaria que os eleitores apresentassem prova de cidadania dos EUA, como passaporte ou certidão de nascimento, pessoalmente, para se registrar em eleições federais, implementando novas e rigorosas exigências para o processo de votação.