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Tragédia e caos: forte temporal deixa vítima fatal e inunda túnel do Anhangabaú em São Paulo

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Uma moradora da Brasilândia, bairro na Zona Norte da capital paulista, perdeu a vida em decorrência de um deslizamento de terra provocado pela intensa chuva que atingiu São Paulo na tarde de quarta-feira (14). O temporal, que causou inundações generalizadas, transformou o Túnel do Anhangabaú em um rio, deixando veículos submersos e revivendo o cenário de grandes enchentes do passado, além de afetar o transporte público e o fornecimento de energia.

Deslizamento fatal na Zona Norte da capital

A vítima, uma mulher de 47 anos, foi soterrada após a terra ceder sobre uma residência localizada na Rua Santa Cruz do Monte Castelo. Vizinhos e moradores da área tentaram auxiliar, retirando-a dos escombros antes mesmo da chegada das equipes de socorro. Contudo, o Corpo de Bombeiros confirmou o óbito no local, e o incidente agora é objeto de investigação no 74º Distrito Policial. As autoridades não divulgaram a identidade da mulher até o momento.

Crédito: Mixvale.com.br

Cenário de caos no Túnel do Anhangabaú e resgates dramáticos

A região central de São Paulo foi palco de um dos episódios mais dramáticos do temporal. O Túnel do Vale do Anhangabaú, também conhecido como Túnel São João Paulo II, foi rapidamente tomado pela água, resultando em carros e ônibus boiando e, posteriormente, amontoados uns sobre os outros. Doze automóveis e dois ônibus ficaram presos na via inundada, forçando motoristas e passageiros a saírem pelas janelas para se refugiarem nos tetos dos veículos.

Em meio ao cenário caótico, quatro pessoas precisaram ser resgatadas diretamente pelos bombeiros. A imagem de veículos empilhados remeteu à catastrófica inundação de 1999, quando aproximadamente 160 carros e três ônibus ficaram submersos no mesmo túnel, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura da cidade a eventos climáticos extremos.

Chuvas intensas superam capacidade de drenagem da cidade

A administração municipal, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), divulgou que a intensidade da chuva foi extraordinária. Em apenas 40 minutos, o Córrego do Anhangabaú registrou um volume de 42 mm, o que corresponde a 37% dos 112 mm previstos para todo o mês de outubro na cidade, segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). Essa precipitação equivale, em volume, ao esperado para 11 dias de outubro.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que o sistema de drenagem do túnel, equipado com seis bombas, operou de forma contínua e sem falhas. No entanto, o volume de água foi tão avassalador que a capacidade de escoamento não foi suficiente para conter a enchente, sublinhando o desafio de infraestrutura diante de eventos climáticos cada vez mais intensos.

Impactos em outras regiões e no cotidiano paulistano

Os transtornos não se limitaram ao Anhangabaú. O Túnel Ayrton Senna também foi alagado, e diversas ruas na Consolação, como Amaral Gurgel e General Jardim, ficaram com veículos ilhados. Na Zona Sul, o Parque Ibirapuera registrou o transbordamento do lago e do Córrego Sapateiro, que derrubou grades e arrastou peixes para as pistas, alterando a paisagem do conhecido ponto turístico.

A Prefeitura e a CET anunciaram a suspensão do rodízio municipal para veículos com placas finais 5 e 6, entre 17h e 20h de quarta-feira, na tentativa de mitigar o impacto no trânsito. O sistema de transporte público também foi afetado, com a entrada de água nas estações Paraíso e Japão-Liberdade (Linha 1-Azul) e Trianon-Masp (Linha 2-Verde) do Metrô. Apesar dos alagamentos parciais em catracas, monitores e escadas, o Metrô de São Paulo garantiu que a circulação dos trens não foi interrompida.

Além disso, o fornecimento de energia elétrica foi comprometido, deixando aproximadamente 40 mil residências sem luz na capital, conforme dados da concessionária Enel. No interior de São Paulo, a Defesa Civil estadual relatou alagamentos em Assis e quedas de árvores que causaram destelhamento parcial de duas casas em Pitangueiras.

Previsão meteorológica indica mais instabilidade para São Paulo

O CGE alerta para a continuidade do tempo instável nesta quinta-feira (15) em São Paulo, com previsão de chuva moderada a forte, especialmente durante a tarde e a noite. As temperaturas devem variar entre 17°C e 25°C. Para a sexta-feira (16), a passagem de uma frente fria pelo litoral paulista manterá o céu nublado e trará novas pancadas de chuva no período da tarde, com termômetros entre 18°C e 23°C. O risco de novos alagamentos e deslizamentos em áreas de encosta permanece elevado, devido ao solo já saturado.