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Terremoto na Venezuela: Número de mortos ultrapassa 2.200 e sistema de saúde colapsa sob pressão

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A Venezuela enfrenta uma calamidade de proporções crescentes após os recentes terremotos, com o balanço oficial de fatalidades atingindo 2.295 nesta quarta-feira (1º), conforme divulgado pelo governo nacional. O desastre sísmico também deixou mais de 11 mil pessoas feridas, gerando um impacto devastador sobre a população em diversas regiões do país.

Balanço de Vítimas Aumenta e Desafios na Contagem

Os tremores duplos, ocorridos em 24 de junho, já afetaram diretamente 12.841 indivíduos, um número que supera os registros da terça-feira, quando 1.943 óbitos e 10.571 feridos haviam sido computados. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, trouxe os dados atualizados em sua última declaração. Contudo, há um consenso entre especialistas de que as cifras governamentais podem não refletir a totalidade da tragédia, com a remoção contínua de corpos dos escombros e a capacidade limitada dos serviços funerários sugerindo um número de mortos substancialmente superior.

O Colapso da Rede de Saúde Venezuelana

Uma semana após os fortes abalos, organizações humanitárias alertam para a situação crítica da rede de saúde venezuelana, que já era frágil e agora opera em ponto de ruptura. Hospitais, muitos deles comprometidos estruturalmente e com escassez de pessoal, estão sobrecarregados com o intenso fluxo de lesionados e a proliferação de doenças contagiosas nas áreas atingidas. Christian Lindmeier, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), em coletiva na Suíça, descreveu que o sistema está sob “pressão extrema”, com suas unidades funcionando muito acima do limite para atender à elevada demanda por casos de trauma. Essa fragilidade é agravada por décadas de subfinanciamento e pela emigração de aproximadamente 8 milhões de indivíduos nos últimos anos, incluindo muitos médicos e enfermeiros.

Crise Humanitária e Riscos de Epidemias

Em meio à devastação, um cenário humanitário em deterioração se desenha para os sobreviventes. As Nações Unidas estimam que o terremoto resultou em cerca de 1,2 milhão de toneladas de entulho, incluindo edifícios colapsados e pertences pessoais. A atenção se volta agora para a saúde dos milhares que perderam suas casas e que passam as noites a céu aberto ou em abrigos superlotados e insalubres. Carlotta Wolf, porta-voz da agência de refugiados da ONU, informou que mais de 15.800 pessoas foram oficialmente deslocadas, um contingente que deve aumentar. A ausência de saneamento básico, como banheiros e chuveiros, e a grave falta de comida na região de La Guaira, a área mais castigada próxima a Caracas, elevam o risco de surtos de doenças evitáveis como sarampo, devido à baixa imunização, e infecções transmitidas pela água, como dengue, febre amarela e malária.

Diminuição dos Resgates e o Papel dos Voluntários

Os esforços de busca e resgate governamentais mostraram uma redução drástica nos últimos três dias. Nos primeiros 48 horas após os tremores, 5.380 pessoas haviam sido salvas, mas na segunda-feira, as autoridades localizaram apenas quatro sobreviventes. A janela crucial para encontrar pessoas com vida após um terremoto geralmente se encerra entre 48 e 72 horas. No entanto, a possibilidade de resgate com vida pode ir além desse período, dependendo de fatores como as condições climáticas e o acesso a hidratação e nutrição. Até o final da terça-feira, uma criança foi a única vida resgatada dos destroços após permanecer soterrada por seis dias, conforme revelou Jorge Rodríguez. É fundamental notar que essas estatísticas oficiais não incluem as múltiplas ações de salvamento realizadas por grupos de civis, que se mobilizaram para socorrer entes queridos dias antes da chegada das equipes internacionais, diante da demora na resposta oficial.

Ajuda Humanitária e Desafios Estruturais na Saúde

A situação dos serviços de saúde é agravada pelos danos em 38 unidades hospitalares por toda a Venezuela, segundo informações governamentais. A OMS vistoriou 21 desses centros, verificando que três estão fora de serviço, outras seis construções apresentam avarias estruturais, e o restante corre risco de desabamento devido ao intenso fluxo de lesionados. A perda de diversos profissionais de saúde especializados sob os escombros, incluindo especialistas essenciais para a saúde materno-infantil em La Guaira, aumenta os obstáculos. Lindmeier da OMS pontuou um “atendimento desordenado, com hospitais superlotados, cirurgias adiadas e falhas na biossegurança”. No terreno, uma maior atuação de entidades não governamentais foi observada na terça-feira em La Guaira e regiões vizinhas. Estruturas da Cruz Vermelha, do Programa Alimentar Mundial e de outras organizações foram montadas, onde a população aguardava em filas sob o forte sol para obter gratuitamente produtos de higiene, refeições, remédios e máscaras.