
Anastasiaa Berezovska, que se disfarçou de homem, é apontada como autora de inédito atentado em Mônaco — Foto: Reprodução; AFP Crédito: Extra.globo.com
A mulher apontada como a principal responsável por um inédito ataque a bomba em Mônaco, que feriu um influente oligarca ucraniano e sua acompanhante, foi encontrada morta na Ucrânia. Anastasiia Berezovska, de 39 anos, foi assassinada a tiros nas proximidades da capital Kiev, e as autoridades já efetuaram a prisão de dois indivíduos supostamente envolvidos no crime.
O corpo de Berezovska foi descoberto na noite de segunda-feira, 6 de julho, por volta das 23h. Entre os detidos estão um suposto agente da Direção Principal de Inteligência e um ex-policial, indicando uma possível complexidade nos desdobramentos da investigação.
O ataque a bomba, que chocou o principado de Mônaco na semana passada, teve como alvo o oligarca ucraniano Vadym Yermolaiev, de 58 anos, que está sob sanções internacionais. A explosão feriu gravemente Yermolaiev e sua acompanhante, Anna Nasobina, de 46 anos.
A investigação revelou que Anastasiia Berezovska agiu com um disfarce engenhoso. Inicialmente, a polícia suspeitava de um homem, visto utilizando um chapéu. Contudo, apurou-se que Berezovska se vestia de forma a simular uma figura masculina para executar o plano.
A agressora deixou uma mochila contendo explosivos nas proximidades do apartamento de Yermolaiev e a detonou utilizando um controle remoto. Após o ato, ela empregou um veículo alugado na Alemanha para iniciar sua fuga, atravessando a fronteira franco-italiana, seguindo para a Suíça e retornando à Alemanha, antes de finalmente rumar de volta para a Ucrânia.
As autoridades conseguiram identificar Anastasiia Berezovska como a autora do atentado na sexta-feira, 3 de julho. Imediatamente, um “alerta vermelho” foi emitido pela Interpol para sua captura. As acusações incluíam tentativa de homicídio, colocação de artefato explosivo em local público com intenção criminosa e associação criminosa.
Seu retorno à Ucrânia havia sido registrado na quarta-feira, 1º de julho, após um período de mais de um ano fora do país. A rápida identificação e o alerta internacional demonstram a gravidade e o alcance transnacional do incidente.
As consequências do atentado foram devastadoras. Vadym Yermolaiev sofreu ferimentos, mas sua acompanhante, Anna Nasobina, teve as pernas amputadas em decorrência da explosão. No momento do ataque, o filho de 13 anos de Nasobina, supostamente fruto de um relacionamento extraconjugal com Yermolaiev, também estava presente, embora não tenha sido ferido.
Inicialmente, houve a crença de que a mulher ferida seria a esposa do magnata, mas essa informação foi posteriormente desmentida. O fato de o empresário Vadym Yermolaiev estar sob sanções adiciona uma camada de complexidade e potencial motivação ao ataque, conectando o incidente a um cenário mais amplo de disputas ou conflitos envolvendo figuras proeminentes da Ucrânia.
A morte de Anastasiia Berezovska na Ucrânia, dias após sua identificação e o início da caçada internacional, levanta novas questões sobre o caso. A detenção de um agente de inteligência e um ex-policial como suspeitos de seu assassinato sugere que o desfecho do atentado em Mônaco pode estar ligado a intrigas e operações de alto nível dentro da Ucrânia.
Este desenvolvimento transforma o caso de um ataque criminoso em Mônaco em um complexo enredo internacional, com ramificações que se estendem a esferas de segurança e inteligência no leste europeu.