
Zoya e Galina foram vítimas de ataques de ursos na Rússia — Foto: Divulgação/East2West Crédito: Extra.globo.com
A cidade de Krasnoyarsk, localizada na vasta Sibéria russa, implementou um rigoroso bloqueio e elevou seu nível de alerta após a trágica morte de duas mulheres idosas, vítimas de ataques de ursos na região florestal próxima. Os incidentes fatais, ocorridos com poucas horas de diferença, chocaram a comunidade e intensificaram a preocupação com a presença crescente desses predadores em áreas habitadas.
Os eventos chocantes tiveram como vítimas Galina Teterina, de 73 anos, e Zoya G., de 67, que haviam se aventurado na floresta para colher cogumelos. Seus corpos, encontrados com sinais de violência extrema, estavam enterrados em covas rudimentares a uma curta distância de aproximadamente 4,8 metros uma da outra, evidenciando a proximidade dos ataques.
A investigação aponta que o mesmo urso pode ter sido o responsável por ambas as mortes. A hipótese predominante sugere que o predador atacou Zoya primeiro e permaneceu nas imediações. Momentos depois, ao se aproximar do local, Galina teria sido surpreendida e também atacada pelo animal, possivelmente ao avistar os restos ou pertences da primeira vítima.
Diante da escalada de incidentes e da crescente invasão de ursos em perímetros urbanos, as autoridades locais de Krasnoyarsk declararam estado de “alerta máximo”, implementando um plano de emergência. A medida visa proteger os moradores e conter a ameaça representada pelos animais.
Na manhã da última quinta-feira, um urso jovem, que demonstrava comportamento agressivo, foi abatido nas proximidades de uma instituição de ensino no subúrbio de Yemelyanovo. No mesmo dia, estudantes da Universidade Federal da Sibéria foram instruídos a permanecerem em seus alojamentos, como precaução.
O prefeito Sergey Vereshchagin explicou que o protocolo emergencial permite uma colaboração entre os serviços municipais e as forças de segurança. O objetivo é ampliar as rondas, fortalecer o monitoramento das áreas críticas e agilizar a resposta a qualquer alerta de aparição de predadores, garantindo maior segurança à população.
A incursão cada vez mais frequente de ursos em áreas habitadas não é um fenômeno isolado, mas um sintoma de uma crise ambiental mais ampla. A principal causa por trás desse comportamento agressivo e da busca por alimento em locais incomuns é a fome extrema que assola as populações de ursos na região.
A escassez de pinhões e frutos silvestres, componentes essenciais da dieta desses animais, foi drasticamente afetada por uma severa seca e pelos incêndios florestais que devastaram grandes extensões de seu habitat natural. Esse desequilíbrio ecológico força os ursos a se aproximarem das cidades em busca de sustento, aumentando a chance de confrontos com humanos.
Este cenário sublinha a interconexão entre as mudanças climáticas e o aumento de conflitos entre humanos e vida selvagem. À medida que os habitats naturais são degradados e os recursos alimentares diminuem, a vida selvagem é empurrada para mais perto das comunidades humanas, criando situações de alto risco e exigindo novas abordagens de gestão e conservação.
O incidente em Krasnoyarsk não é o primeiro a chocar a Rússia neste ano. Em agosto, uma jovem de 29 anos, Snezhana Korolyova, encontrou um fim trágico nas montanhas Altai, um dia após seu noivado. Ela foi atacada e morta por um urso enquanto acampava, em um evento que também destacou a vulnerabilidade humana frente a esses predadores.
O animal rompeu a barraca do casal durante a madrugada e arrastou a noiva para longe. Seu corpo foi posteriormente levado pelo urso através do rio Biya e enterrado. Naquela ocasião, as forças de segurança locais enfrentaram limitações legais que impediram o abate imediato do animal, resultando em apenas tiros de advertência para o ar e a perda da oportunidade de neutralizar a ameaça.