
Marion e seu papagaio, o Rocco — Foto: Reprodução/CNBC Crédito: Extra.globo.com
Um papagaio-cinzento africano, conhecido por sua notável inteligência e um repertório linguístico pouco convencional, surpreendeu seus tutores no Reino Unido ao realizar compras pela internet utilizando uma assistente virtual. Rocco, a ave em questão, demonstrou uma capacidade impressionante de interagir com a tecnologia, adicionando itens à lista de compras sem o conhecimento de sua cuidadora.
A jornada de Rocco para seu lar atual é tão singular quanto suas habilidades tecnológicas. Inicialmente abrigado pela instituição de caridade britânica National Animal Welfare Trust, o papagaio foi realocado para a residência de Marion Wischnewski, uma funcionária da organização. A mudança foi motivada pelo hábito persistente de Rocco de empregar uma linguagem considerada imprópria no ambiente do viveiro. Na casa de Marion, o pássaro encontrou um novo “interlocutor” na forma de um dispositivo de assistente de voz na sala de estar, abrindo um mundo de possibilidades.
A audácia consumista de Rocco veio à tona quando Marion, em abril, solicitou que a assistente virtual listasse os itens pendentes em seu carrinho de compras. Para sua perplexidade, a ave havia incluído produtos como morangos e brócolis, totalizando aproximadamente US$ 3 (cerca de R$ 15). Felizmente, os pedidos não foram finalizados e entregues, pois o sistema exigia uma autenticação de login para processar a transação, permitindo o cancelamento imediato dos itens.
As aspirações gastronômicas de Rocco não se limitavam aos vegetais e frutas básicos. Registros da National Animal Welfare Trust indicam que sua “lista de desejos” incluía iguarias como melancia, uvas-passas e até sorvete. Além das investidas culinárias, o papagaio também mostrou apreço por entretenimento, sendo flagrado por Marion desfrutando de canções românticas, ativadas por sua própria iniciativa através do dispositivo.
A tutora explicou que a familiaridade de Rocco com a assistente virtual se desenvolveu naturalmente, observando as interações da família. “Nunca tive preocupações com a Alexa. Toda a família a utiliza, já que ela está na sala principal. Acredito que foi por isso que Rocco se habituou a ela, pois todos conversamos com ela, e ele simplesmente participa”, comentou Marion. Para coibir as futuras tentativas de compra, a segurança do aparelho foi reforçada com um código numérico. Contudo, o desafio persiste, pois o PIN precisa ser dito em voz alta pela família, mantendo a possibilidade de Rocco memorizá-lo. “Sempre existe a chance de ele descobrir o PIN, mas até agora, isso não aconteceu”, alertou a tutora.
O caso de Rocco não é apenas uma anedota divertida; ele destaca a extraordinária capacidade cognitiva dos papagaios-cinzentos africanos, amplamente reconhecidos como uma das espécies mais inteligentes do planeta. Com um raciocínio comparável ao de uma criança de 3 a 5 anos, essas aves podem aprender centenas de palavras e, segundo especialistas, compreendem o significado real do que pronunciam, e não apenas repetem sons. Essa complexidade mental exige intenso enriquecimento ambiental e estímulos diários, cuja ausência pode levar a problemas comportamentais e depressão.
A ocorrência também levanta questões importantes sobre a segurança e o design de dispositivos ativados por voz. Embora compras não intencionais por assistentes virtuais sejam mais comuns entre usuários humanos — como o caso de uma menina de seis anos nos EUA que encomendou uma casa de bonecas e biscoitos — a história de Rocco sublinha a necessidade de sistemas mais robustos que considerem as nuances da interação e evitem ativações acidentais ou não autorizadas, mesmo por usuários tão inesperados quanto um papagaio-cinzento.