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A Rockstar Games, renomada desenvolvedora de jogos, afirmou na última quarta-feira (14) que está pronta para reconhecer formalmente uma organização sindical, caso seus colaboradores optem por essa via. Essa declaração da vice-presidente e chefe de publicação, Jennifer Kolbe, surge em um momento crucial: o Tribunal do Trabalho de Glasgow, na Escócia, prorrogou a análise de um processo envolvendo a dispensa de 34 funcionários, com o veredito agora previsto para a véspera do aguardado lançamento de Grand Theft Auto VI (GTA 6).
“Nossa postura é acompanhar a vontade da equipe. Se a preferência for por um sindicato, um sindicato teremos”, declarou Kolbe, sinalizando a abertura da empresa. Este cenário se desenrola em meio a uma complexa ação legal no Reino Unido, onde ex-colaboradores e o Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB), uma entidade representativa dos trabalhadores britânicos, imputam à Rockstar Games a prática de ações antissindicais durante as demissões de outubro de 2025. Os demandantes buscam a reintegração aos postos de trabalho ou uma compensação financeira.
A defesa da Rockstar Games argumenta que os 34 desligamentos foram motivados por “má conduta grave”, uma designação legal no Reino Unido para infrações sérias que justificam a rescisão imediata do contrato. A empresa alega que os funcionários teriam compartilhado dados sigilosos em um canal do Discord. Um porta-voz da produtora reforçou em nota oficial que a “posição da Rockstar Games tem sido inalterada e transparente. Profissionais no Reino Unido e no Canadá foram desligados devido a conduta imprópria grave, decorrente do vazamento de informações confidenciais da companhia, e não por qualquer suposta ligação ou atuação sindical. Negamos veementemente as acusações e apresentaremos nossa defesa de forma contundente perante a corte”.
Uma publicação da Rockstar Games (@rockstargames)
Nos debates que ocorreram em setembro e outubro de 2026 no Glasgow Tribunals Centre, a equipe jurídica dos trabalhadores apresentou uma narrativa divergente, alegando que houve um monitoramento interno direcionado à atividade sindical. Os advogados dos ex-empregados detalharam que um servidor particular do sindicato no Discord contava com aproximadamente 340 participantes. Eles acusaram Charlie Kinloch, que atua como gerente de Recursos Humanos e codiretor de operações na Rockstar Lincoln, de ter recebido informações de um delator infiltrado no grupo por um período superior a 21 meses, antecedendo as demissões de outubro de 2025. Dentre os 23 ex-colaboradores que movem a ação na justiça escocesa, está Jason Lewis, membro do IWGB.
Durante seu testemunho perante o tribunal na quarta-feira (14), Robert Spampinato, vice-presidente executivo de Recursos Humanos da Rockstar Games, refutou as alegações de que teria ordenado a gerentes que monitorassem a associação sindical de funcionários. Contudo, foi trazido à tona na corte que um colaborador, cuja identidade não foi revelada, transmitiu informações sobre encontros no Discord para a liderança do setor. Spampinato justificou que a companhia enfrentava um período de intensa pressão devido ao cronograma de desenvolvimento de GTA 6 na época das demissões, admitindo: “Estávamos cientes de um atraso significativo no processo de criação”.
Entre os profissionais afetados pelos cortes na Escócia, encontra-se Rachel Crawford, ex-programadora de rede com uma trajetória de quase uma década na empresa. “Para que se possa implementar transformações significativas – que nem sempre se alinham aos interesses da cúpula –, é fundamental construir uma base sólida, é preciso deter influência; e, para tal, a presença de um sindicato é indispensável”, declarou Crawford. A antiga colaboradora também expressou a necessidade de melhorias no ambiente corporativo: “Minha expectativa é por responsabilização. Desejo que meus ex-colegas que buscam reaver suas posições consigam, e que aqueles que permanecem na Rockstar Games entendam que não devem viver sob a constante apreensão de serem prejudicados”.
As últimas sessões do processo em Glasgow tiveram seu cronograma estendido, atendendo a uma solicitação dos advogados da Rockstar Games. A defesa pediu um tempo adicional para inquirir testemunhas e prosseguir com os argumentos legais. Essa modificação no calendário judicial resultou no agendamento da conclusão das audiências para a véspera da chegada do mais recente título da aclamada série ao mercado.
Em uma iniciativa para prevenir a repetição das extensas jornadas de trabalho observadas durante a criação de Red Dead Redemption 2, lançado em 2018, a Rockstar Games expandiu significativamente sua capacidade operacional nos últimos oito anos. A empresa inaugurou um novo centro de desenvolvimento em Los Angeles, focado especificamente na elaboração de personagens não jogáveis (NPCs), que são controlados pela inteligência artificial do sistema. Na mesma oportunidade em que abordou a questão sindical, Jennifer Kolbe refutou especulações de que o custo de produção de GTA 6 teria excedido a marca de US$ 1,5 bilhão (equivalente a aproximadamente R$ 7,5 bilhões), apesar de o título ser reconhecido como o mais oneroso já desenvolvido na indústria de jogos.
O desenvolvimento de Grand Theft Auto VI teve início em 2015, sob o codinome “Project Americas”. A concepção original previa um escopo geográfico abrangente, cobrindo extensas regiões das Américas do Norte e do Sul, antes de ser ajustado para o mapa final. Abaixo, estão os detalhes confirmados sobre o título e a equipe de desenvolvimento:
Embora as datas para as alegações finais tenham sido estabelecidas para 17 e 18 de novembro de 2026, a decisão do juiz do Tribunal do Trabalho de Glasgow, referente aos pedidos de reintegração e compensação financeira dos ex-colaboradores, ainda não tem uma data definida para ser anunciada publicamente.